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sábado, 18 de janeiro de 2014

Professora Adelan Brandão: uma vida dedicada à História de Pitangui

O Blog “Daqui de Pitanguy”, entrevistou a professora Adelan Maria Brandão, nascida na Fazenda do Cercado (atual Bom Despacho), então distrito de Pitangui, em 10/01/1934. Neste encontro, no Instituto Histórico de Pitangui, ela nos falou um pouco de sua trajetória docente e também sobre seu trabalho junto ao Instituto Histórico de Pitangui. Confira abaixo, a entrevista.

Foto: Licínio Filho


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A CARREIRA COMO PROFESSORA

Licínio Filho:
 _ Eu gostaria que a senhora falasse sobre sua trajetória como professora em Pitangui.

Adelan Brandão:
_ Com 17 anos me formei, na então, Escola Normal Monsenhor Arthur de Oliveira. Mesmo antes de me formar já fazia substituições de professoras em licença, no Grupo Escolar Francisca Botelho.

Licínio Filho:
_ E depois de se formar, como foi o início de sua carreira docente?

Adelan Brandão:
_ A primeira turma que assumi foi de 7ª série (atualmente 8ºano).

Licínio Filho:
_ Isto foi por volta de 1951?

Adelan Brandão:
_ Sim, 1951!

Licínio Filho:
_ Qual foi o impacto dessa nova experiência?

Adelan Brandão:
_ Eu comecei a lecionar como professora designada, no Grupo Escolar José Valadares. Eu substituía uma professora que estava de licença. Nesta época, as turmas eram divididas conforme o segmento social dos alunos, AN 1, AN 2, AN 3. Então eu comecei a trabalhar com crianças pobres, que não tinham nem material didático ou cadernos, eles frequentavam a escola por causa da refeição servida na merenda, isto me marcou muito. Minha irmã, que já era uma professora reconhecida em Pitangui, me ajudou muito, me orientando como trabalhar com aquelas crianças, me disponibilizando até mesmo os materiais que ela confeccionava para trabalhar em sala de aula.
A escola não dava muita atenção a este tipo de criança, então eu comecei a trabalhar com eles hábitos de higiene, lavar as mãos, estas coisas. Minha mãe fazia umas toalhas de saco branco para eu levar para a escola, pois muitos alunos iam sem tomar banho e eu cuidava deles. Meu pai tinha um armarinho. Eu sempre pegava cadernos lá para levar para os alunos. Orgulho-me de ter conseguido bons resultados com estas crianças. Trabalhei como professora primária até 1963. Depois trabalhei, até 1976, com classes anexas e no Monsenhor Arthur, no curso colegial, criado pelo professor Elvécio.

Licínio Filho:
_ Quando a senhora começou a lecionar no ensino superior?

Adelan Brandão:
_ Em 1975, no dia 15 de março de 1975, na Faculdade de Ciências e Letras de Divinópolis (hoje FUNEDI). Em 1976 eu me transferi para aquela cidade. Sou concursada nas cadeiras de História política, econômica, social, geral e do Brasil e Antropologia. Lá lecionei até 2004. A partir daquele ano me transferi para Pitangui para prestar serviço no Instituto Histórico, a convite do Marcos Antônio de Faria (Barrica), para cuidar da organização do acervo do Arquivo Judiciário, juntamente com professores da FUNEDI, do curso de História e estagiários, durante a gestão do prefeito Eduardo Lopes Cançado.


A RECUPERAÇÃO DO ACERVO DOCUMENTAL DO IHP

Licínio Filho:
_ Como foi o início do processo de recuperação dos documentos do Arquivo Judicial de Pitangui?

Adelan Brandão:
_ No início, foi muito importante a ação do José Luiz Peixoto, então secretário de Cultura, ele foi muito importante neste processo de recuperação. O Jorge Mendes Guerra Brasil também teve papel relevante, me ajudando a percorrer o comércio da cidade para angariar doações para podermos iniciar os trabalhos.

Licínio Filho:
_ Como se deu o envolvimento da FUNEDI neste processo?

Adelan Brandão:
_ A FUNEDI e a Prefeitura de Pitangui firmaram um convênio, ainda na gestão do Eduardo. O apoio do prof. Gilson Soares, Presidente da FUNEDI foi muito importante. Foi ele que me disse que o processo de recuperação do Arquivo Judicial só caminharia com o meu envolvimento, pois sabia do meu envolvimento com a história da cidade, sou uma das fundadoras do Instituto Histórico de Pitangui. Os trabalhos de recuperação tiveram início tendo a frente a professora Marisa Guerra de Andrade e do professor Francisco Andrade. Atualmente os trabalhos estão sob orientação do professor Leandro Catão.

Licínio Filho:
_ Atualmente, como está o andamento do processo de recuperação do Arquivo Judiciário?

Adelan Brandão:
_ Temos enfrentado dificuldades. Na primeira gestão do prefeito Evandro Rocha Mendes houve apoio da prefeitura, mas, em seu segundo mandato retirou a ajuda ao Instituto Histórico. O Cezar Miranda presidia o Instituto e firmou um convênio com a SAP, que também não foi mantido. O Cezar tirou dinheiro do próprio bolso para manter os trabalhos em andamento. Atualmente o IHP é presidido pela Maria José Valério, que tenta captar verbas. No início de 2013 os trabalhos de recuperação foram interrompidos por falta de recursos. Em julho do ano passado foi firmado novo convênio com a prefeitura, mas os recursos ainda não são suficientes. Os trabalhos junto à equipe da FUNEDI só serão retomados entre março e abril deste ano.

Licínio Filho:
_ Além dos recursos captados por meio de convênios, quais são as fontes de renda do IHP?

Adelan Bradão:
_ Os associados do IHP contribuem anualmente com R$50,00. Além disso, contamos com doações vindas da sociedade civil.

Licínio Filho:
_ Em termos materiais, o que falta hoje, no IHP, para que os trabalhos de recuperação do Arquivo Judicial tenham continuidade?

Adelan Brandão:
_ Falta materiais como pastas, caixas arquivos, borracha, lápis, papel alcalino, que são fundamentais para a continuidade de nosso trabalho.

Licínio Filho:
_ Qual a importância da recuperação e preservação deste arquivo documental?

Adelan Brandão:
_ São fontes primárias importantíssimas para o desenvolvimento da pesquisa sobre a história regional, de Minas Gerais e do Brasil. A diversidade de documento é impressionante e revelam aspectos muito importantes do cotidiano em Pitangui e na região centro-oeste do estado de Minas Gerais, nos séculos XVIII, XIX e primeiras décadas do século XX. Recebemos pesquisadores de todas as partes do Brasil e também do exterior. Estamos lutando para concluir este processo de recuperação dos documentos do Arquivo Judicial. A recuperação não encerra os trabalhos, temos que digitalizá-los e acomodá-los em local adequado. Isto vai ser uma outra luta.

Licínio Filho:
_ A senhora gostaria de aproveitar a entrevista para mais algumas considerações?

Adelan Brandão:
_ Primeiramente gostaria de agradecer a sua colaboração e, também, do blog “Daqui de Pitanguy” com a causa do Instituto Histórico de Pitanguy. Aproveito para convocar as pessoas a ajudar o IHP. Quem tiver interesse em ajudar-nos podem fazer contato pelo telefone do IHP: (37) 3271-1837.

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O Instituto Histórico de Pitangui funciona de Terça a seta-feira, das 08:00 - 16:00 h.
Atualmente ocupa o 2º andar do Banco do Brasil, no centro de Pitangui.

3 comentários:

  1. Excelente matéria por quatro motivos, Licínio: pelo cunho histórico, pelo trabalho de pesquisa, pela valorização da pessoa da prof. Adelan e por evidenciar a importância do nosso IHP!!!

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    1. Léo, você captou o espírito desta postagem.
      Valeu!

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  2. Adelan sinto muita saudades de sua imperdiveis aulas no INESP. Ter sido sua aluna foi um privilegio para mim. Hoje vivo em São joão Del REI. Ja me aposentei. Porem não esqueço de seu carinho e dedicação com suas alunas, Minhões de abraços. Amo voce minha querida Mestra.

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