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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ao redor do templo nasceu a cidade (2ª parte)

Capela da Penha.
Foto: do livro Memória do Sobrado.

Na postagem de hoje apresentamos  a continuação da pesquisa histórica que aborda sobre a relação direta entre a construção de capelas e igrejas no Ciclo do Ouro e o desenvolvimento urbano, a partir dos primeiros arraiais e vilas de Minas, no período do Brasil Colônia.

O garimpo - imagem ilustrativa. Quadro em Paracatu - MG.
Foto: Léo Morato.

Nos últimos anos do século XVII iniciava-se o maior movimento migratório ocorrido no mundo, incentivado pela corrida do ouro. Para as Minas Gerais veio gente de toda sorte, entre bandeirantes, índios, escravos, mulheres, andarilhos e religiosos de Ordens diversas. Segundo a Historiadora Cláudia Damasceno da Fonseca no início da ocupação daquelas terras inóspitas, os mineiros só podiam contar com seus próprios recursos para obter a assistência espiritual que precisavam. “Os ofícios católicos realizavam-se em capelas efêmeras ou mesmo diante de altares portáteis instalados ao lado dos ribeiros auríferos. Os celebrantes eram religiosos regulares ou seculares que acompanhavam os paulistas como capelães de expedição ou ainda frades rebeldes que abandonavam seus conventos em Portugal ou nas capitanias do Nordeste (...)” (FONSECA, 2011, pág. 87). Com o surgimento do ouro, em geral o próprio descobridor encarregava-se da construção dessas capelas iniciais. “Era de taipa e sapé, em quadrado, cumieira e duas águas. Não tinha torre nem janelas. Rapidamente cuidavam de construir uma capela melhor. Ampliava-se o quadrado, com o altar-mor ao fundo e uma torre lateral ou central” (SALES, 1982, pág. 49). Em Pitangui, conforme os registros históricos, havia grande quantidade de ouro, como relata o Historiador João Camilo de Oliveira Tôrres (1966, pág. 141): “Haviam descoberto jazigos auríferos, vários dos quais muito ricos, como o do Batatal (...)”. Portanto nota-se que a cidade teve origem na região do bairro da Penha onde foi erguida a capela, conforme informado na placa (museu vivo) fixada ao lado do templo: “Em 1709 o bandeirante paulista capitão José Campos Bicudo ergueu aqui a capela em louvor a Nossa Senhora da Penha em estilo Barroco Romano, com altar-mor e arco cruzeiro em colunas de madeira pintada”.

Museu vivo - Capela da Penha.
Foto: Léo Morato.

Desde o início do povoamento da região mineradora, era por meio da Igreja que a Coroa Portuguesa exercia o controle, instituindo autoridades eclesiásticas para as funções de cunho tanto religioso quanto civil. Esse processo ocorreu porque - devido ao compromisso assumido com Roma, de catequizar os gentios e de expandir a fé católica no novo mundo – o Rei de Portugal como Grão – Mestre da Ordem de Cristo tinha diversas prerrogativas concedidas pelo Papa, tais como: autorizar a construção de igrejas, determinar os limites das Dioceses, receber dízimos. “De fato, o momento da consagração (oficialização) das pequenas capelas construídas pelos habitantes ao lado de suas lavras ou de suas roças coincidia com o início da formação de uma aglomeração humana mais estável. Em seguida, a promoção destas ermidas à condição de capelas filiais e, mais tarde, de igrejas matrizes era frequentemente, uma das conseqüências do crescimento e da prosperidade dos arraiais em que se situavam, mas também dos espaços rurais circundantes” (FONSECA, 2011, pág. 83). A partir deste registro histórico é possível relacionar o crescimento econômico e demográfico no século XVIII com o desenvolvimento da malha eclesiástica. Em Pitangui este processo foi bastante similar no que diz respeito à fundação da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar: “Foram os Bandeirantes componentes da bandeira de Bartolomeu Bueno de Siqueira e depois levas de paulistas os primeiros moradores da futura Pitangui desde 1692. O crescimento do lugar foi tomando que, em 1703, o Cônego Gaspar Ribeiro Pereira foi enviado como visitador das Minas Gerais com a incumbência de providenciar a instituição e administração das novas igrejas. Foi então que, em 1703, criou-se uma paróquia em Pitangui. Os Bandeirantes devotaram-na a Nossa Senhora do Pilar, sua padroeira e protetora. Porém, somente em 16.2.1724, é que o Rei de Portugal, Dom João V, confirmou a canônica da freguesia de N. S. do Pilar de Pitangui” (DIOCESE DE DIVINÓPOLIS, 2009, pág. 140). 
Antiga Igreja Matriz de Pitangui. Data provável 1ª década do séc. XX.
Foto: Autor desconhecido.

Na próxima postagem sobre este tema falaremos da expansão física (fases da construção) das igrejas e da evolução social, administrativa e religiosa, por meio das Irmandades leigas.


Link relacionado: http://daquidepitangui.blogspot.com.br/2013/09/ao-redor-do-templo-nasceu-cidade.html 

 
Bibliografia consultada:


- FONSECA, Damasceno Cláudia. Arraiais e Vilas D’el Rei – Espaço e poder nas Minas setecentistas. Editora UFMG. Belo Horizonte, 2011.

- MENDES, Amália Rocha. Memória do Sobrado. Editora Matiz Bureau de Serviços Gráficos. Divinópolis-MG, 1999.

- Retratos de uma Igreja Jubilar - Pequena Memória . Diocese de Divinópolis, 2009.

- TORRES, João Camilo de Oliveira. História de Minas Gerais. Belo Horizonte. Volume 1. Difusão Pan – Americana do Livro. 2ª ed. 1962. 

- SALES, Fritz Teixeira. Vila Rica do Pilar - Um Roteiro de Ouro Preto. Editora da Universidade de São Paulo / Editora Itatiaia. Belo Horizonte, 1982.
 

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