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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Jovens pitanguienses participam do programa Ciência sem Fronteiras: Ana Laura Maciel

Dando sequência à nossa série de entrevistas com jovens pitanguienses que participam do Programa do Governo Federal, Ciência sem Fronteiras, apresentamos nesta postagem o relato de Ana Laura Maciel, 22 anos, aluna do 8º período do curso de Engenharia Civil, na Universidade Federal de São João Del Rei, Campus Alto Paraopeba. Ana Laura está atualmente dando prosseguimento aos seus estudos no Athlone Institute Of Technology, em Athlone, Irlanda. 



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Daqui de Pitanguy:
Quais os motivos que levaram você a se inscrever no Programa Ciências Sem Fronteiras?

Ana Laura Maciel:
Eu tive algumas influências de alguns amigos que participaram do programa e indicaram. Primeiramente me inscrevi no processo seletivo para Portugal, buscando conhecer uma nova cultura, ter uma nova visão de Engenharia Civil e também sanar algumas deficiências que eu encontrava no meu curso no Brasil. Com o cancelamento da chamada para Portugal, foram abertas novas chamadas para diferentes países de língua estrangeira e todos os inscritos puderam escolher o país de preferência. Percebi então queesta seria uma oportunidade única de aprender e ser fluente em uma nova língua.

Daqui de Pitanguy:
Você está fora do Brasil há quanto tempo? Como foi ou está sendo, o processo de adaptação?

Ana Laura Maciel:
Estou fora do Brasil desde setembro de 2013. No início foi um pouco difícil me adaptar ao clima, a língua e principalmente aos novos costumes. A Irlanda é um país onde chove quase todo dia e que tem as estações do ano bem definidas. Cheguei no início do outono e estou no inverno e a média de temperatura está entre 8ºC e 0ºC, bem diferente do que eu estava acostumada no meu país. Em relação aos costumes irlandeses algumas coisas ainda me soam bem estranhas. Por exemplo, aqui a água da torneira é potável e pode ser bebida sem antes ser filtrada ou fervida, o papel higiênico deve ser descartado diretamente nos vasos sanitários, não é comum ter uma área de serviços para lavar roupas e secadoras de roupa são sempre usadas. As comidas também são bem distintas. O café da manhã típico da Irlanda é uma refeição com feijão, linguiça, ovos, bacon, chouriço e pão, não é comum comer arroz e feijão em refeições principais como almoço e jantar e a bebida que acompanha estas refeições normalmente é leite ou chá. Em contrapartida, as pessoas aqui são bastante amigáveis e atenciosas, o que me ajudou muito na adaptação. Particularmente, não tive muitos problemas em me adaptar aqui.

Daqui de Pitanguy:
Como é a sua rotina acadêmica hoje?

Ana Laura Maciel:
O meu programa consiste em 9 meses de curso de língua, projeto de pesquisa ou estágio durante 3 meses e mais 4 meses cursando um período de graduação. Por enquanto eu ainda estou com o curso de inglês em andamento e este curso é dado em 20 aulas semanais, com aulas diariamente. Além de aprender sobre gramática e vocabulário o curso também é voltado para a preparação dos estudantes para ingressar na graduação.

Daqui de Pitanguy:
Você poderia descrever as diferenças e semelhanças do ensino oferecido a você aí e em sua Universidade de origem?

Ana Laura Maciel:
A maioria das matérias são divididas em aulas práticas e teóricas, assim como eu já tinha no Brasil. Em geral, o ensino aqui é semelhante ao ensino oferecido pela minha universidade de origem. As principais diferenças para mim estão na forma de avaliação e na carga horária. Os alunos são avaliados em sua maior parte por meio de trabalhos e existe apenas uma prova no final do semestre. Quanto a carga horária, o tempo em sala de aula aqui é menor. Outra diferença é a exigência e cobrança quanto a prazos de entrega de trabalho e presença em sala.

Daqui de Pitanguy:
Fale um pouco sobre a diversidade cultural que você está vivenciando dentro da Universidade,

Ana Laura Maciel:
Dentro da minha atual instituição de ensino são oferecidos vários programas para estudantes internacionais e isso faz com que muitos alunos de diferentes partes do mundo estudem aqui. Através disso posso conviver não só apenas com irlandeses, mas também com italianos, espanhóis, turcos, árabes, franceses, entre outros.

Daqui de Pitanguy:
Como você preenche seu tempo fora do ambiente acadêmico? A Universidade lhes oferece opções de lazer?

Ana Laura Maciel:
Gosto de viajar, ir ao cinema e sair com os amigos que fiz aqui. A universidade possui excelente infraestrutura para prática de variados esportes, desde futebol e vôlei até equitação e arco e flecha. Eu, particularmente, participo de aulas semanais de vôlei e spinning. Além disso existem algumas sociedades formadas dentro da faculdade que organizam viagens e passeios muito divertidos, interessantes e por preços mais acessíveis para os estudantes. 

Daqui de Pitanguy:
Até o momento, qual a experiência que mais te marcou?

Ana Laura Maciel:
Fico admirada com a honestidade das pessoas aqui. Uma vez uma brasileira perdeu uma bolsa, juntamente com uma quantia significativa de dinheiro, vários cartões e documentos. No outro dia, quando ela foi procurar no local estava tudo lá, sem nenhum centavo a menos. Outro fato marcante é que o troco sempre é devolvido corretamente. No Brasil por exemplo, se a compra fica em R$ 4,49 é comum pagar R$ 4,50, aqui as pessoas fazem questão de devolver cada centavo que você estiver pagando a mais.

Daqui de Pitanguy:
Como vocês avaliam a iniciativa do governo brasileiro, em promover o programa Ciências Sem Fronteiras?

Ana Laura Maciel:
No meu ponto de vista esta é uma excelente iniciativa que, com certeza, colherá seus frutos futuramente. Quanto mais estudantes puderem participar, maior será o número de profissionais bem capacitados e com experiências internacionais prontos para ajudar no desenvolvimento do país.

Daqui de Pitanguy:
Qual a avaliação que você faz desta experiência para seu futuro profissional?

Ana Laura Maciel:
Já fiz estágio em uma empresa multinacional e via a importância de uma experiência como essa para o currículo de uma pessoa. Acredito que este intercâmbio será muito relevante para meu futuro profissional, sendo um diferencial importante ao ingressar no mercado de trabalho.





Daqui de Pitanguy:
O governo está fazendo um investimento em vocês. Em contrapartida espera que vocês dêem retorno à sociedade, afinal, o propósito é formar uma elite intelectual. Como você pretende usar os conhecimentos adquiridos com esta experiência, em benefício da sociedade brasileira?

Ana Laura Maciel:
Espero poder aplicar todos os conhecimentos adquiridos, visando sempre inovar, otimizar processos e buscar melhorias. É muito interessante ver como algumas coisas funcionam tão bem em países de primeiro mundo (o transporte público, por exemplo) e perceber que o Brasil tem muito potencial pra fazer tudo isto e muito mais.Voltarei com o objetivo de colocar em prática tudo que estou aprendendo para fazer do Brasil um país exemplar assim como vejo alguns países europeus.

Daqui de Pitanguy:
Para finalizar, qual o recado que você mandaria para aqueles que querem ingressar em uma Universidade Federal?

Ana Laura Maciel:
Quando comecei meus estudos em uma Universidade Federal não fazia ideia da importância que esse detalhe teria na minha vida.Meu conselho é: se esforcem ao máximo e mantenham o foco. Antes eu imaginava que todo esforço e dedicação durante o ensino fundamental e médio poderiam me trazer benefícios, hoje eu não tenho a menor dúvida disso e posso ver claramente que nada foi em vão. Cursar uma universidade federal, além de ser um diferencial para o currículo, também proporciona um leque de oportunidades para os estudantes, deixando-os aptos e preparados para enfrentar o mercado de trabalho.

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