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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Jovens pitanguienses participam do programa Ciência sem Fronteiras: Adriano Mourão

Em nossa segunda postagem da série "Jovens pitanguienses participam do programa Ciência sem Fronteiras", Adriano Mourão Oliveira Valério, 21 anos, aluno do 8° período, do curso de Engenharia de Produção, da UFMG, nos relata sua experiência no "Ciência sem Fronteiras". Adriano está na University of Derby ( curso: Manufactoring and Production Engineering), na cidade de Derby, Derbyshire, Inglaterra.




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Daqui de Pitanguy:
Quais os motivos que levaram você a se inscrever no Programa Ciências Sem Fronteiras?

Adriano Mourão:
O principal motivo é a experiência profissional, acadêmica e pessoal. Já possuía o desejo de realizar um intercâmbio por conta própria, e a criação de um programa bem estruturado e com uma proposta acadêmica sólida foi uma grande oportunidade para muitos estudantes do Brasil, nos quais eu me incluo.

Daqui de Pitanguy:
Você está fora do Brasil há quanto tempo? Como foi ou está sendo, o processo de adaptação?

Adriano Mourão:
Estou aqui desde setembro de 2013. O processo de adaptação foi rápido, apesar de estar morando num país com cultura, clima e costumes bem diferentes. A Universidade provê um suporte bem legal aos seus estudantes internacionais, o que ajudou muito quando cheguei.

Daqui de Pitanguy:
Como é a sua rotina acadêmica hoje?

Adriano Mourão:
A carga horária de aulas na universidade é menor se comparada com a quantidade de aulas que possuía no Brasil. Porém a quantidade de tarefas a serem feitas fora da sala de aula é bem grande, e a exigência para seu cumprimento, também. Essas atividades são avaliadas, fazendo com que o aluno seja pontuado ao longo de todo o período letivo, não apenas no final. Isso faz com que, no geral, cada disciplina possua apenas uma prova, ao final do período.

Daqui de Pitanguy:
Você poderia descrever as diferenças e semelhanças do ensino oferecido a você aí e em sua Universidade de origem?

Adriano Mourão:
As principais diferenças que eu tenho notado se dão com relação ao cuidado com o estudante. É feito um grande esforço para que você realize todas as atividades e os professores têm um tempo maior para se dedicar ao aluno (por terem menos turmas e tarefas extraclasse). Percebo que a preocupação com o aprendizado máximo de todos os alunos é grande. Em contrapartida, alguns pontos como pontualidade, assiduidade e a qualidade de trabalhos entregues são avaliados com grande rigor. O plágio também é algo levado bem a sério. Se você apresentar um trabalho com trechos de outra bibliografia sem apresentar referência, poderá ter sérios problemas.

Mas no geral, a forma de transmissão de conhecimento ao aluno é bem semelhante ao que conhecemos. Na minha universidade, as aulas de cada disciplina são divididas entre Lecture e Tutorial, que seria uma espécie de divisão entre teoria e prática. Mas a forma como cada uma dessas aulas é lecionada não apresenta grandes novidades.

Daqui de Pitanguy:
Fale um pouco sobre a diversidade cultural que você está vivenciando dentro da Universidade,

Adriano Mourão:
Minha universidade é reconhecida por receber muitos estudantes internacionais. E por toda Europa você encontra pessoas de todos os cantos do mundo. Já fiz amizades com pessoas dos mais diversos países: EUA, Canadá, Alemanha, Polônia, Lituânia, República Checa, Paquistão, Malásia, China, Austrália, etc. Com certeza é uma experiência pessoal muito enriquecedora, além de muito divertida.

Daqui de Pitanguy:
Como você preenche seu tempo fora do ambiente acadêmico? A Universidade lhes oferece opções de lazer?

Adriano Mourão:
A Universidade oferece várias opções de equipes esportivas e sociedades dos mais diversos temas. A cidade também possui muitas opções de lazer como academia, quadras, estádio de futebol, shoppings, cinema. Além disso, é muito fácil se locomover dentro da Inglaterra e até mesmo da Europa. Frequento academia e jogo futebol, além de viajar para alguma cidade ou país próximo sempre que tenho um tempo disponível.

Daqui de Pitanguy:
Até o momento, qual a experiência que mais te marcou?

Adriano Mourão:
No geral, a honestidade e a segurança daqui me marcaram muito. Pra citar um momento, quando cheguei aqui me juntei a um grupo de brasileiros e formamos um time de futsal. Por sermos brasileiros (e pelo fato de os ingleses não serem lá uma maravilha no esporte), rapidamente ficamos conhecidos na cidade e começamos a disputar um campeonato. Num desses jogos, os adversários se irritaram e o jogo foi bem ríspido e nervoso. Deixando a quadra, um brasileiro percebeu que havia esquecido seu celular (um iPhone novo) no local de jogo. Para nossa surpresa, um dos adversários havia encontrado e se mostrou bastante preocupado em devolver o objeto ao seu dono, que ele imaginava ser um dos brasileiros.

Daqui de Pitanguy:
Como vocês avaliam a iniciativa do governo brasileiro, em promover o programa Ciências Sem Fronteiras?

Adriano Mourão:
Avalio da melhor maneira possível. Penso que em alguns anos, teremos muitos profissionais com uma bagagem internacional muito importante graças ao Ciência sem Fronteiras. E isso com certeza será um diferencial para o crescimento do país. Historicamente, o Brasil nunca fez um investimento em tecnologia e conhecimento desse porte (algo mais restrito aos chamados países de "primeiro mundo"), e vejo a criação desse programa como um primeiro importante passo.

Daqui de Pitanguy:
Qual a avaliação que você faz desta experiência para seu futuro profissional?

Adriano Mourão:
Muito positiva. Uma experiência completamente diferente em minha vida, que oferece novos horizontes, novas ideias e abre um leque de oportunidades muito grande. Realmente considero uma grande mudança para mim.

Daqui de Pitanguy:
O governo está fazendo um investimento em vocês. Em contrapartida espera que vocês dêem retorno à sociedade, afinal, o propósito é formar uma elite intelectual. Como você pretende usar os conhecimentos adquiridos com esta experiência, em benefício da sociedade brasileira?

Adriano Mourão:
O primeiro passo é aproveitar ao máximo cada oportunidade proporcionada pelo programa. Desde as aulas na universidade, passando pela experiência com o inglês e conhecendo outras culturas na Europa, que acredito serem fatores importantes na minha formação. A partir disso, é tentar aplicar todo aprendizado para trazer resultados na sociedade brasileira, seja trabalhando em uma empresa ou no serviço público. Acredito que o mais importante seja absorver o que de melhor o intercâmbio nos propicia, trazendo ideias inovadoras que ajudem na resolução de problemas da sociedade brasileira.

(Um exemplo claro disso é a mobilidade urbana: todos os países que visitei por aqui apresentaram uma grande variedade de transportes públicos, com rapidez e eficiência que impressionam. Analisando cada um deles, sempre nos deparamos com ideias simples e eficazes que poderiam ser aplicadas no Brasil).

Daqui de Pitanguy:
Para finalizar, qual o recados que você mandaria para aqueles que querem ingressar em uma Universidade Federal?

Adriano Mourão::
Manterem sempre o foco e a determinação. Nos últimos anos, a oferta de vagas nas Universidades Federais tem crescido muito, assim como as oportunidades de trabalho, pesquisa, iniciação, intercâmbio, etc dentro delas. Assim, o ingresso em uma Universidade Federal é muito vantajoso. E se há algum tempo poucos alunos de Pitangui conseguiam esse feito, hoje vemos muitos colegas entrando em grandes universidades do país e se tornando grandes profissionais. O ensino em nossa cidade cresceu muito, o acesso à informação também, então acredito que todos têm capacidade de se formar numa Universidade Federal.




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