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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O pequeno grande casarão de Joaquina

     Durante minhas pesquisas no Arquivo Judiciário de Pitangui encontrei o que acredito ser o último documento envolvendo a herança deixada por Joaquina Bernarda  da Silva de Abreu Castelo Branco, a Joaquina do Pompéu. O processo de 1937 se refere a uma “demanda” cujo autor, Antônio de Assis Machado requer que seja definida a posse sobre a área em torno do antigo casarão da matriarca, que por direito pertenciam a 35 herdeiros e que então estava sendo utilizada de forma comum por alguns deles. É um documento muito interessante do ponto de vista histórico já que contém informações importantes sobre o casarão. Na minha opinião a mais relevante é a que documenta a quantidade de cômodos do imóvel que ao invés dos setenta e tantos eram trinta. Acredito que o erro se deve a pessoas descompromissadas com a verdadeira história e que se valeram da “licença poética” para distorcer a história de Joaquina e de Pitangui. Outro detalhe, dos 15 cômodos do primeiro andar apenas 5 eram assoalhados, os outros 10 eram de terra batida.

Processo pertencente ao acervo do Arquivo de Pitangui

     Para se ter uma ideia do absurdo que é afirmar que o casarão de Joaquina tem setentas e tantos cômodos é fazendo as contas. Se dermos a cada cômodo o tamanho médio de 16m2 (4mx4m) e multiplicarmos por 75 cômodos chegaríamos a um total de 1.200m2 , que mesmo dividido por dois (dois andares) chegaríamos a uma área líquida de ocupação do solo de 600m2, área totalmente incoerente com as poucas fotos que existem do casarão.

Parte do processo que descreve o casarão

     Considerando o tamanho real do imóvel, ele não fica muito distante em questão de tamanho do casarão erguido em Pitangui por Maria Tangará, que ao contrário da história romântica nunca desejou o marido da Joaquina (este já se encontrava enfermo quando Tangará chega a Pitangui) e nunca foi sua arqui-inimiga.

Foto do casarão onde se percebe que não caberia ali os setenta e tantos cômodos



     Outro parte importante do processo é uma planta da sede da fazenda que permite a qualquer pessoa dotada dos conhecimentos técnicos necessários definir com precisão onde se encontrava exatamente o casarão da matriarca. Embora o local esteja descaracterizado pelos ocupantes atuais da área, a existência de aspectos geográficos permite tal definição.

Planta da área do casarão. O formato em L não corresponde ao formato do casarão. Era uma forma padrão de se registrar o local de imóveis. Existe em outras plantas arquivadas no Arquivo de Pitangui com este formato  padrão de imóvel.
     O lado positivo das informações do processo é que nos mostra que uma futura reconstrução do casarão não demandaria nenhum investimento astronômico como seria se a lenda fosse verdadeira. Os cacos de cerâmica que estão esparramados no solo no local do casarão poderiam sofrer um reprocessamento e voltariam a cobrir o telhado do novo casarão. Nesta mesma linha reciclatória, a grande quantidade de cravos e demais objetos ferrosos existentes no local (de baixo valor histórico) poderiam servir de matéria prima para obras artísticas do novo imóvel. Um caso a ser pensado pelos administradores do Conselho do Patrimônio Histórico de Pompéu.

Vandeir Alves dos Santos





2 comentários:

  1. Bela postagem Vandeir.
    Independente do tamanho do casarão devemos levar em consideração que um imóvel de 30 cômodos hoje em dia já é uma ostentação, imagine entre os séculos XVIII e XIX?! É claro, que os padrões de luxo daqueles tempos eram outros, ainda mais para um residência no meio rural.

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  2. Parabéns pelo trabalho de pesquisa e por aumentar as fontes de informação sobre Pitangui!

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