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domingo, 13 de abril de 2014

O ataque das abelhas (parte 2)

Igreja de São Francisco.
Foto: Léo Morato.
 
Que nos desculpem os Santos, mas se tem algo que fazemos aqui no Blog é a mistura do sagrado com o profano, para contar sobre os fatos e histórias de Pitangui, típicos da cultura popular. O ataque das abelhas aconteceu num domingo de Ramos, no adro da Igreja de São Francisco, lá na década de 1980. O causo foi contado por aqui e saiu até no jornal Estado de Minas, mas foi apenas uma versão e hoje divulgamos mais uma. Se você ou algum conhecido estiveram presentes neste episódio, compartilhe conosco para que a história oral seja documentada.


A(s) Igreja(s) vista(s) do Beco.
Foto: Léo Morato.
 
Por William Santiago.
Amanheceu um dia lindo no Domingo de Ramos. Robinho já estava desde as 8 da manhã tomando uma cervejinha na porta da venda do Zé Vovô. A sogra sai de casa, arrumadinha, cheirando a leite de rosas, uma sombrinha no braço, o calor promete ser brabo. Está toda pronta para a procissão e a missa de Ramos na Igreja de São Francisco. Não esconde a ansiedade em rever a igreja de seu coração e de poder participar daquela fervorosa celebração da quaresma. No entanto, seu sorriso se desfaz ao ver o genro bebendo, já àquela hora da manhã.
- Robinho, é por isso que as coisas não dão certo nem pra você nem pra Mari. O casamento de vocês tá andando pra trás. Cadê a religião? Num dia desses, ela já tinha que ter te acordado e te levado pra acompanhar a procissão e assistir à missa. Nem ramo pra benzer ela apanha mais! Fico muito triste, mas Deus ainda vai trazer vocês de volta pra Deus. Tenho fé.
Ele não perde tempo pra tirar sua casquinha:
- Que isso, sogrinha. Tá tão bão aqui! Se eu fosse a senhora, sentava aqui nessa cadeira e a gente ia jogar conversa fora até na hora do almoço, tomando uma cervejinha.
A sogra nem responde. Dá-lhe as costas, sai pisando duro, com raiva do genro, vira a ponta do Beco e desce a Rua São José, rumo da Ladeira do Vinício.
Umas três horas depois, chega um táxi lotado, freia de uma vez na porta da casa da sogra. Ela sobe, amparada pelos outros passageiros do táxi, a cabeça coberta com uma toalha. Logo o alvoroço, os vizinhos todos se ajuntam em frente da casa, os mais íntimos tafuiam pela porta da frente. Cada um dá a sua versão do fato, falando todo mundo ao mesmo tempo.
Robinho, os olhos avermelhados, está sentado na mesma cadeira, na mesma mesa. De diferente no cenário é que já passou da cerveja pra pinga. Já de farol baixo, não entende nada do que está passando. Tenta firmar a vista, a cabeça dá uma vacilada, ele quase escorrega da cadeira. Mas está curioso,quer assuntar o que está havendo. Tenta levantar-se, muda de ideia, senta de novo. Na confusão que se armou, não dá pra saber. O Beco dos Canudos, que estava vazio, de repente se enche de curiosos e ninguém lhe presta atenção. Vira-se para o lado, pede socorro ao Zé Vovô.
- ÔOO Zé, qqqq que tá aa acontecendo?
- Deu um enxame de abelha na igreja do São Francisco, na hora da missa de Ramos, e ela tá toda picada. A cara inchou, tá desse tamanho,mas o médico já tá chegando.
E ele, gaguejando um pouco, se ajeitando a toda hora pra não cair da cadeira, sentencia filosoficamente:

2 comentários:

  1. Relembrando outro "causo" da São Francisco: http://daquidepitangui.blogspot.com.br/2012/05/historias-do-povo-de-pitangui_14.html

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  2. Mais uma viagem nas linhas de William Santigo.
    Muito bom.

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