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sexta-feira, 9 de maio de 2014

O IEPHA e Pitangui - Dois pesos e duas medidas

     Não há quem não se encante com a imponência do casarão  do Monsenhor Vicente após a reforma promovida pelo empresário Haroldo Vasconcelos. Após meses de trabalho intenso, de buscas por acessórios que dessem ao conjunto uma coerência em relação a sua representatividade histórica a população de Pitangui viu renascer uma jóia arquitetônica do século XIX com um capricho que talvez a cidade não verá em nenhum outro imóvel antigo remanescente.

     Mas nem todos enxergam a reforma com os olhos do encantamento, é o caso do IEPHA-MG - Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, que obedecendo a um conjunto de regras que visam disciplinar a reforma de imóveis históricos de maneira a lhes garantir originalidade, está pressionando Haroldo a remover o acabamento lateral do casarão que se constitui de pedras rústicas (almofadadas). Ao meu ver e, acredito, aos olhos de 99% da população é um detalhe que em nada prejudica o conjunto da obra e é mais provável que um percentual bem próximo a este elogie o detalhe.

Lateral do casarão - Foto: Vicente Oliveira

   "Dura lex sed lex" e já que o IEPHA ignora exceções e que o detalhe não passou despercebido aos fiscais do orgão, é justo que a lei seja ampla e irrestrita e qualquer obra que esteja irregular seja tratada da mesma forma! O que me diria este criterioso fiscal a respeito de uma escada revestida de granito andorinha geometricamente aparado dando acesso a lateral de uma igreja do século XIX? E o pior, fazendo conjunto com uma outra escada ao lado, originalmente constituída de pedras amorfas originais do período de construção do templo! E uma aberração dessa o IEPHA não vê? E que não se justifique o fato com a falta de matéria prima, a serra da Cruz do Monte tem toneladas de pedra que serviria muito bem ao propósito. Me refiro a uma das escadas laterais da igreja de São Francisco que vem passando por reformas e que neste processo teve um acesso lateral revestido com granito polido que em nada combina com o conjunto. Houve aprovação? Por quem? Teria sido pelo IEPHA?

Escada com revestimento de granito - Foto Vandeir Santos

     Em uma cidade onde tudo é muito difícil, onde a conscientização histórica ainda é muito fraca e onde existem pouquíssimas iniciativas privadas no sentido de se conservar o patrimônio histórico, detalhes que talvez o IEPHA desconheça, a de se levantar as mãos pros céus e agradecer a Haroldo pela sua atitude quase que filantrópica uma vez que levará muitos anos para reaver os milhões que ele gastou na reforma. E não se pode aceitar que um bonito acabamento de pedras almofadadas seja motivo de perturbação para uma atitude tão benéfica ao patrimônio pitanguiense.

Vandeir Santos

Nos seus 300 anos as histórias e estradas de Pitangui também são Reais

7 comentários:

  1. Bela postagem Vandeir.
    Poucas pessoas têm interesse em preservar casarões setecentistas em Pitangui. Quando acontece dá nisto... lamentável!

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  2. Excelente abordagem, Vandeir! Conforme já conversamos diversas vezes, quem dera que Pitangui tivesse tido ações, projetos, leis e atitudes preservacionistas há décadas, como esta iniciativa do Haroldo. Além da preservação da memória, do ponto de vista do turismo, a restauração de patrimônios históricos cria "cenários" para atrair visitantes. E, a meu ver, as pedras colocadas na fachada do primeiro pavimento, estão totalmente em conformidade e integradas ao estilo arquitetônico do casarão!

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  3. Apesar de ter trabalhado no IEPHA POR 25 anos, e hoje aposentada, concordo plenamente com vc. Quando trabalhei tudo passava na mãos dos arquitetos e eram orientados como fazer uma reforma num Patrimônio Histórico,
    Batalhamos muito, pra conseguir um projeto e verba pra restauração do Monsenhor e não conseguimos nada .
    A diretora da época batalhou uma arquiteta conveniada da UFMG , começou o projeto e depois abandonou. Mais graças a Deus conseguimos ir até o" fim " na Igreja São Francisco.
    De uns 6 anos pra cá, o IEPHA deixou a desejar.
    Lutei com eles , apesar de ser funcionária, da primeira obra que foi feita na Igreja de São francisco, o projeto foi de nossa extinta ONG , feita pela Zezé Valério. Conseguimos 160.000. Não foi feito quase nada com esse dinheiro.
    Agora tá com essa escada horrorosa, já fotografei , enviei pro diretor e nada. OU SEJA MEU ÓRGÃO QUE AMAVA DE PAIXÃO TRABALHAR , HOJE TENHO VERGONHA.
    Na questão do MONSENHOR ARTUR , ELES TINHAM QUE TER OBSERVADO ANTES, EXIGIDO ANTES.
    Penso que se não lutaram pra conseguir verba pra reforma que tava caindo aos pedaços , deixa quieto quem fez desse patrimonio que não tava valendo nada esse casarão maravilhoso. E olha que vieram vários funcionários de lá pra ver. A gente tinha medo de andar lá dentro e cair . A Zezé Valério vai assinar embaixo. . Parabéns Haroldo se quiserem que te enviem verba , e os técnicos pra retirar as " pedrinhas "

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  4. Ser "engenheiro de obra pronta" é tão fácil quanto inútil! Criticar dá menos trabalho do que fazer ou ajudar quem faz...

    Enquanto a reforma estava em andamento, um acompanhamento e aconselhamento do IEPHA seriam oportunos e úteis. Se não tiveram vontade ou capacidade para uma parceria quando era necessário, talvez imersos no marasmo burocrático, é melhor que continuem quietos agora!

    Parabéns ao empresário Haroldo Vasconcelos e à Pitangui pela conservação de mais um patrimônio, que embeleza ainda mais esta charmosa cidade.
    Se a obra tem alguns detalhes técnicos que diminuem a coerência histórica do imóvel, a aparência cuidada valoriza o ambiente para os leigos e turistas.

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  5. Estamos brigando agora com o IEPHA pelo Edificio LILIZA. Eles querem que restauramos do jeito que está e nós queremos do jeito quando ele foi construído. Quem o conheceu ou viu as fotos antigas sabe o quanto ele era lindo. Vamos ver no que vai dar.
    HAROLDO

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    1. Olá Haroldo.
      Seja bem vindo ao blog.
      Ter o Edifício LILIZA com suas características originais seria algo maravilhoso. Vamos torcer para que o IEPHA tenha bom senso, tanto, com relação ao casarão do Monsenhor Vicente quanto com o Liliza. Suas iniciativas são louváveis e de grande importância para o patrimônio histórico de Pitagui.

      Fraterno abraço.

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  6. É incontestável a contribuição de Haroldo Vasconcelos à história da cidade ao decidir comprar e restaurar um casarão setecentista caindo aos pedaços. Ao fazer isso, ele certamente recebeu uma série de orientações do Iepha sobre como proceder (o que pode e o que não pode fazer), de acordo com critérios arquitetônicos estabelecidos.
    Concluída a operação (uma verdadeira cirurgia plástica no casarão), cabe, sim, ao Iepha, como órgão público, fiscalizar o que foi feito.
    Agora: censurar esse acabamento lateral, que não afeta em nada a contemplação do monumento (pelo contrário, deixa-o mais bonito) é procurar chifre na cabeça de cavalo.
    É bom lembrar que foram vocês mesmos, do Iepha (junto com todos os outros órgãos públicos para cuidar do patrimônio histórico), que permitiram que o casarão de Monsenhor Vicente chegasse àquela condição deplorável de abandono e decadência. Tivessem agido tão rápido quanto agiram para criticar esse acabamento, com vigor, imposição de suas leis, cobranças e multas aos antigos donos, talvez o prédio não precisasse ser comprado e restaurado por um empresário local que poderia muito bem ter investido seu milhões de reais em qualquer outra coisa, em qualquer outro lugar, mas considerou a relevância histórica de seu ato.
    Eu pergunto ao senhores fiscais do Iepha se não seria mais adequado vocês se preocuparem com aquele casarão ali na rua Dr. Jacinto Álvares, esquina com Cel. João Carvalho, que também é bastante antigo e está em péssimo estado. E um pouco mais pra cima, no cruzamento dessa mesma rua Cel. João Carvalho com a rua Velho do Taipa, há outro casarão em estado ainda mais avançado de destruição, que parece não receber a menor atenção de órgãos como o seu, que recebem o nosso dinheiro para preservar o patrimônio histórico do Estado.
    Dinheiro, aliás, certamente é o fator que está por trás da cobrança pela remoção das pedras decorativas da parede do casarão de Monsenhor Vicente. Porque certamente, se não o fizer, Haroldo, que tanto já investiu nessa construção, terá mais uma despesa - e, de quebra, uma decepção.

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