Seguidores

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Um hino para Pitangui

     O Brasil tem aquele que é considerado um dos hinos mais bonitos do mundo. Composto em 1822 por Francisco Manuel da Silva, recebeu letra definitiva somente após um concurso onde se saiu vencedor o poema  escrito por Joaquim Osório Duque Estrada em 1909, sendo oficializado por decreto somente em 1922 pelo presidente Epitácio Pessoa.
     Com um ritmo entusiasmante e uma letra repleta de saudações a natureza e ao espírito de luta e liberdade que caracteriza o nosso país, é realmente uma música muito bonita e se apresenta coerente com a sua condição de um dos símbolos da República. Contamos ainda com outros belíssimos hinos como o Hino da Independência e o Hino da Bandeira.
     Mas o que dizer de Pitangui? Celebraremos 300 anos cantando uma valsa aceita como hino oficial? A música composta por Ranulpho Nunes é bonita, sem dúvida, mas estaria a altura de ser um dos símbolos da Sétima Vila do Ouro das Minas Gerais? Se analisarmos o primeiro verso "Santa velhinha adorada" já nos deparamos com uma referência a uma figura diminuída, decadente e improdutiva por maior que também possa ser a referência a uma imagem maternal. Um hino deve louvar o rico passado de Pitangui e ao mesmo tempo ser atemporal e deve ir além dos "...salões, das grandes casas senhoriais". O que temos é uma simples "...canção de saudade" como a própria letra diz. Repito, é uma música bonita sim, uma valsa coerente com um passado recente e que representa um período rico da cultura musical pitanguiense, mas longe de ser abrangente como um hino deve ser.
     A exemplo do que foi feito no início do século XX, a secretaria de cultura do município deveria aproveitar a ocasião das comemorações dos 300 anos da cidade e preencher este vazio abrindo um concurso para que seja eleito o Hino Oficial de Pitangui. Temos em nosso meio cultural pessoas com habilidade bastante para contribuir com este projeto e dar a Pitangui um símbolo coerente com seu rico passado e com a sua importante representatividade.

Vandeir Santos 
     

7 comentários:

  1. José Carlos Xavier de Oliveirasexta-feira, julho 25, 2014 11:39:00 PM

    Olá Wandeir,

    Está sendo um prazer tomar conhecimento de seu texto via o blog – daqui de Pitangui, que versa sobre o hino à cidade.
    Sou pitanguiense, nascido e criado na “Velha Serrana” e já há muito moro e trabalho em Belo Horizonte.
    O assunto ao qual você faz menção é de meu total interesse e acredito que de fato, um hino para homenagear a cidade sempre foi e será importante.
    Há quase 50 anos Pitangui tem um hino. Ele foi solicitado, encomendado, naquela época, pela prefeitura local, a José Nunes de Oliveira – Prof. Patesko, músico e arranjador pitanguiense, muito conceituado no mercado fonográfico, detendo um curriculum invejável. Suas músicas transcenderam fronteira e até no exterior ele foi gravado. Fez parte da orquestra da Rádio Inconfidência e trabalhou com grandes cantores e músicos, como Clara Nunes e o Maestro Moacir Portes, dentre outros.
    Ele fez o hino a Pitangui, exatamente constando as qualidades citadas por você no blog, com as quais eu também concordo.
    Patesko fez uma melodia com a alma de quem conhecia muito bem a sua terra, para a qual ainda escreveu muitas outras canções. Fez uma marcha impecável, dizendo do povo, da geografia e da história da cidade, mostrando com beleza o que na época ela espelhava.
    Fez referência a sua cultura, aos hábitos de sua gente, como sendo um povo hospitaleiro, festivo, amoroso, sociável e feliz. E assim chamou-a de Capital do Amor e elegeu-a Rainha do Oeste, valorizando o seu território e a sua força enquanto cidade “de ouro”.(...)

    ResponderExcluir
  2. José Carlos Xavier de Oliveirasexta-feira, julho 25, 2014 11:40:00 PM

    Um hino atemporal escrito enquanto Pitangui já vivia os seus quase 250 anos, ou seja, já
    “curtia” o seu bicentenário, e que foi reverenciado também na letra do hino feito por Patesko.
    Assim contemplou todo o contexto de Pitangui, traduzindo com poesia a memória de sua gente.
    Quanto à valsa de Ranulpho Nunes eu concordo com você em que ela seja uma bela canção, mas longe de ser um hino à cidade.
    Sem dúvida Ranulpho se lança no que escreve e mostra todo o seu carinho pela “terrinha”. Bela música, com harmonia bem feita, porém para ser cantada e reverenciada em outro momento e lugar.
    Como você mesmo percebeu esta valsa passou a ocupar o lugar do hino da cidade. Ainda podemos encontrar em sites na internet, esta melodia ostentando erradamente o lugar do hino. Além disso, vem sendo tocada e cantada nos eventos cívicos da cidade, o que é imperdoável.
    Estou convicto de que se o músico Ranulpho estivesse vivo jamais permitiria que isso acontecesse. E não seria pelo fato de o hino de Pitangui ter sido feito pelo seu primo Patesko, mas porque a valsa estaria ocupando um lugar que não deveria ser a proposta musical do autor, quando a compôs.
    Foi em função destas notícias via internet é que resolvi, com os meus familiares resgatar junto à prefeitura local a correção imediata deste enorme equívoco. Por alguma razão inexplicável, o hino parou de ser executado, de ser apresentado nas cerimônias cívicas da cidade e de ser ensinado nas escolas. Foi substituído pela valsa em questão, que se chama na verdade, “PITANGUI........E NADA MAIS”. Detenho cópias xérox da letra e da partitura, assinadas pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. José Carlos Xavier de Oliveirasexta-feira, julho 25, 2014 11:41:00 PM

    Você pode estar questionando o porquê da demora em fazer este resgate. Acontece que há pouco mais de um ano, logo após tomar conhecimento no blog – daqui de Pitangui, do que estava acontecendo, resolvi tirar tudo a limpo.
    Como não moro em Pitangui e estou sempre viajando em razão de minhas atividades profissionais e esportivas, não tenho tido muita chance de acompanhar mais de perto, os acontecimentos da cidade, o que não me coloca à margem dela.
    Este blog foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para nós pitanguienses, pois nos sintonizou com a nossa terra.
    Passou a nos mostrar os eventos e a nos deixar informados, dando a oportunidade de acompanharmos as novidades em todas as áreas e, em todos os campos.
    Sinto o blog como um processo democrático, assim como penso que dever ser mesmo.
    Vejo nele a liberdade de expressão fluir sem reservas e o diálogo sendo mediador dos encontros e conflitos.
    Por fim, Wandeir, digo a você que em breve faremos um pronunciamento formal junto ao órgão competente da cidade.
    Este nosso tempo de anonimato foi necessário, pois precisávamos localizar alguns indícios de provas para apresentarmos à comunidade pitanguiense.
    Terei muito prazer em contar com a sua presença na época, pois afinal de contas, se não fosse o seu texto no blog eu poderia postergar ainda mais, na busca de outras provas, mas que agora julgo desnecessárias.
    Agradeço a atenção dispensada e muito mais ainda pela possibilidade de falar deste assunto com você.

    ResponderExcluir
  4. José Carlos Xavier de Oliveirasexta-feira, julho 25, 2014 11:41:00 PM

    Quem sabe seria possível um encontro nosso em breve?!
    Confesso que fiquei surpreso por você não conhecer ou nem mesmo ter ouvido falar do hino feito pelo músico Patesko. Em seu texto você não fala nada sobre ele. É fato?
    Coloco-me à disposição para quaisquer outros esclarecimentos e fico aguardando a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente.
    José Carlos Xavier de Oliveira
    zecarlosxoliv@ig.com.br
    Tel. de contato – (31) 99524110

    ResponderExcluir
  5. Boa tarde.

    Sou de Belo Horizonte mas passei todas as minhas férias de infância em Pitangui, já que meu pai é um pitanguiense e me sempre me levou para curtir a capital do amor.

    Sou conhecedor de várias história e causos da cidade e, mesmo sendo de Belo Horizonte, sempre me envolvi com a cidade e com seus interesses, problemas e novidades.

    Sempre acompanho o blog e muito me estranhou quando li a notícia de que seria realizado um concurso para criar um "hino" para Pitangui.

    Faço minhas as palavras do José Carlos Xavier de Oliveira, comnentário extremamente pertinente e claro, confirmando que Pitangui sempre teve - e tem - um único hino: criado pelo Prof.Patesko.

    Não deixem de ler o comentário! Ë a historia do pitanguiense sendo preservada (e daqueles que se consideram como um)!

    Igor Grisolia

    ResponderExcluir
  6. José Carlos, por ser amigo de alguns músicos de Pitangui sempre ouvi falar do Patesko, principalmente pelo Paulo Henrique Nunes que sempre exaltou o método de ensino de violão que se não me engano se chama Violão a Jato. Após a matéria é que Paulo Henrique comentou comigo a respeito deste hino que inclusive está exposto na praça Antônio Fiuza. A documentação mais importante a ser levantada é o decreto que definiu o hino, pois assim como a bandeira o hino é um símbolo oficial de uma unidade territorial e deve estar oficializado mediante decreto. Assim que estivermos de posse deste documento basta solicitar a prefeitura a correção do erro histórico. Para tanto, acredito eu, que seria necessário uma gravação em estúdio, com qualidade, para difusão nos eventos oficiais e principalmente nas escolas de Pitangui, de forma a dar vida nova ao hino. Fico feliz em contribuir para este resgate. Um abraço, Vandeir

    ResponderExcluir
  7. Oi Vandeir
    Que bom que você está conhecendo mais o Patesko. Paulo Henrique pode não lembrar tanto, mas o seu pai sabe tudo.......
    O método é o VIOLÃO A JATO.
    Obrigado por estar acompanhando bem de perto esta questão.
    Quanto à gravação do hino tudo já está pronto e documentado e feito com muito cuidado, com muito carinho. Um trabalho de primeira linha, assim como a nossa Pitangui merece. O que na verdade pretendemos fazer é devolver à Prefeitura o que é dela de fato . O hino não nos pertence mais. Tenho certeza que o bom senso será o nosso carro chefe e os fatos apresentados revelarão a verdade.
    Obrigado e um grande abraço.
    José Carlos

    ResponderExcluir

Obrigado por comentar nossa postagem. Ah... não se esqueça de se identificar.