Seguidores

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Beira de Balcão: O Toucinho


Na primeira quinzena de junho, de 1988, o jornal "Correio de Pitanguy" trazia a coluna "Beira de Balcão", escrita por João Batista de Freitas, o "Jonba", mas que naquela edição fora escrita por Marcos Antônio de Faria, o "Barrica", que ocupava interinamente aquele espaço. Reproduziremos abaixo a crônica de Barrica intitulada "O Toucinho". 

------------------------------------------------

BARRICA (INTERINO)
O TOUCINHO

M... e L... era amigos inseparáveis de pescarias, que realizavam de seis em seis meses, em companhia de dois ou três outros amigos. 
Divertimento bom, andar pelas matas verdes, sentindo o chão firme sob solas solas dos pés, escutar o gorjeio dos pássaros, aspirar o perfume das flores silvestres, sentindo o ar puro batendo no rosto.
Ainda mais agradável, ficar sentado à beira do rio, caniço à mão, cigarro de palha no canto da boca para espantar os mosquitos, vendo o rio correr manso à espera de uma beliscada de peixe.
Numa pescaria em região desconhecida, ainda não visitada, ocorreu afastarem-se demasiadamente do acampamento, perderam o rumo, não achando o caminho de volta.
Depois de muito andar foram bater à porta de uma choupana perdida no meio da mata.
Atendeu à porta uma velhinha toda enrugada, cabelos  desgrenhados, desdentada, vestes rotas.
- Vamos entrar, sô moços! Está escurecendo, podem passar a noite aqui, tem um quartinho desocupado, amanhã indico o caminho para vocês...E tô cozinhando um guisado de cabrito, devem estar com fome, a casa é de vocês.
M reparou na sujeira da casa, teias de aranha por todos os lados, um porquinho deitado num canto, montes de lixo no meio da casa, panelas pretas de carvão, pratos sujos, sentiu nojo, olhou para L...viu que ele sentia a mesma coisa.
Os outros comeram tranquilos do guisado, M e L nem provaram. De madrugada, dormindo amontoados no quartinho, M...acordou e cutucou L...
- L..., tô doido de fome. E você?
- Eu também!
- Levanta, vamos ver se achamos alguma coisa para comer.
Pé, ante pé, foram até a cozinha e viram, perto do fogão, um pedaço de toucinho dependurado numa ripa do teto baixo.
Num instante o toucinho estava na panela. Com o estômago saciado foram dormir.
No dia seguinte, bem cedo, tomando café, escutaram as queixas da vela:
- Preciso arranjar um gato. Tá aparecendo rato nesta casa. Os danados esta noite comeram o toucinho que eu usava para passar na hemorróida...



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por comentar nossa postagem. Ah... não se esqueça de se identificar.