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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Um olhar sobre o Turismo em Pitangui

O mirante na serra da Cruz do Monte. Foto: Léo Morato.
Turismo: Quantidade ou Qualidade?
Opinião*

Nos últimos anos, muito se tem falado no potencial turístico de Pitangui, em razão do seu contexto histórico, principalmente agora com o advento dos 300 anos em 2015. O assunto divide opiniões, talvez pelo fato de estar relacionado aos rumos que a cidade deve ou deveria ter tomado: conservar o passado ou incentivar o progresso? Acredito que estas duas vertentes estão sendo harmonizadas e começam a caminhar juntas, pois, as ações de iniciativas públicas e particulares de preservação e proteção dos patrimônios históricos e de resgate e promoção das manifestações culturais favorecem o turismo, que contribui diretamente para a economia local, gerando opção de trabalho e renda. Ou seja, a história e a  cultura são matérias primas para o turismo e este fomenta a manutenção da nossa identidade.

Pitangui tem vocação natural para o turismo e por ser “a casa da vó” já recebe um bom fluxo de visitantes com vínculos familiares. Para contextualizar o tema, pode se definir o turismo como “a ciência, a arte e a atividade de atrair e transportar visitantes, alojá-los e cortesmente satisfazer as suas necessidades e desejos” (Robert McIntosh). E, no centro desta atividade está o turista que, mediante uma motivação para viajar, utiliza um ou mais meios de transporte; hospeda-se, alimenta-se, realiza compras e busca o entretenimento. Entretanto, é preciso refletir sobre o tipo de turismo que queremos.

O brasileiro de um modo geral é um povo muito festivo e alguns eventos com características semelhantes são realizados de norte a sul do país, inclusive em Pitangui. Mas qual é o nosso diferencial? O que nos destaca culturalmente de outras localidades? Queremos um turismo de massa que faça a cidade “bombar”? Ou um turismo sustentável, seguimentado de acordo com as agradáveis peculiaridades de Pitangui, conciliando o acesso ao lazer com o direito ao descanso, ao sossego e à privacidade? Queremos quantidade ou qualidade? Os eventos de cunho mais cultural realizados com a cara da cidade - a exemplo da proposta do 1º Festival de Inverno de Pitangui que acontece agora entre os dias 17 e 19 de julho - são louváveis e precisam ser multiplicados porque que ajudam a preservar as características de Pitangui como cidade histórica. E o melhor, geram oportunidades para as pessoas, promovendo os talentos locais.

O conceito de cultura e as preferências são subjetivos e todos os gostos devem ser respeitados. Porém, os festivais, os lançamentos de livros e Cds, os seminários, as exibições de vídeo, as oficinas, as exposições de arte e artesanato, etc, a meu ver reúnem um público diferenciado que, com um olhar cultural, formam opinião e colocam Pitangui em evidência, fazendo com que mais pessoas queiram conhecer a 7ª Vila do Ouro das Gerais. Interpreto que a cidade estará cada vez mais no caminho certo, à medida que vivenciarmos mais esta veia poética, histórica, gastronômica e musical da cidade; que aumentarmos a valorização de nossas raízes e o resgate histórico (adaptando-os ao contexto atual); que aprimorarmos a convergência na gestão de nossos atrativos, serviços e informações turísticas, promovendo uma Pitangui Tricentenária cada vez mais Cultural.


(*) Leonardo Morato – Turismólogo.

4 comentários:

  1. Léo, suas observações são pertinentes. O tema deve ser tratado com rigor, por aqueles que se interessam pelas possibilidades econômicas e culturais do turismo.
    Abraço.

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    Respostas
    1. Valeu professor! O turismo planejado traz benefícios que permeiam as camadas sociais e, em um processo cíclico a história e a cultura (em suas várias formas) são matérias primas para o turismo e este preserva a nossa identidade. Acredito neste caminho! Um abraço.

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  2. Atrair turistas é bom, mas uma cidade histórica deve priorizar a preservação de suas construções e identidade cultural.
    Grande quantidade de visitantes pode gerar lucro a curto prazo mas, dependendo do evento, a destruição de patrimônio histórico gera desvalorização da cidade a longo prazo.
    Tão importante quanto campanhas publicitárias é criar esquemas de segurança e fiscalização, com uma guarda municipal atuante e estreita parceria da prefeitura com as polícias militar e civil para patrulhamentos diurnos e, principalmente, noturnos; estimulando a sensação de segurança e controle social e desmotivando aqueles que confundem o antigo com o “velho” e, por não compreender sua importância, sentem-se à vontade para pichações e depredações.

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  3. Prezado Sylvio, gratos por mais uma visita ao Daqui de Pitangui, volte sempre! Penso que a preservação dos patrimônios históricos culturais já direcionam (ou devem direcionar) para um turismo sustentável, desenvolvido gradativamente. Infelizmente atos de vandalismo ainda existem. Acredito que o melhor controle ou transformação social deve ocorrer de dentro para fora, incentivado por uma ampla ação de educação patrimonial. Fico feliz com o crescente despertar de consciência em Pitangui. E daqui dos nossos quintais virtuais (os blogs) vamos fazendo a nossa parte. Obrigado pela participação, amigo. Abraço.

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