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domingo, 16 de novembro de 2014

A contribuição de Saul Alves Martins para a história de Pitangui

A postagem de hoje homenageia o antropólogo e folclorista mineiro Saul Alves Martins (1917-2009). Formado em Ciências Sociais doutorou-se em Antropologia com tese sobre o artesanato brasileiro. Em 1948, junto como professor Aires da Mata Machado Filho, ajudou a criar a Comissão Mineira de Folclore.

Foto disponível em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Saul_Alves_Martins,
acessado em 15/11/2014

Além de professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi Coronel da Polícia Militar, sendo o autor do hino oficial daquela corporação.
Na década de 1960 percorreu o interior do estado de Minas Gerais desenvolvendo diversas pesquisas de campo sobre a produção artesanal regional. Estas pesquisas resultaram em diversas publicações, dentre elas, "A INDÚSTRIA CASEIRA EM PITANGUI", lançado em 1966, onde descreve as várias vertentes da produção artesanal no município, depois de percorrer todas as localidades a ele pertencentes em uma viatura da Polícia Militar. Em um trecho dessa obra Saul Martins descreve aspectos da culinária pitanguiense:

"Bolos, confeitos e doces - Por nos parecer a expressão mais tradicional em Pitangui, nesse adorável campo do populário, registramos, em primeiro lugar, a atividade de Fia ou Maria Marcelina, viúva de Antônio Barbosa. Ela é quem fornece às vendas da Cidade chupetas açucaradas, zoomorfas e antropomorfas, de grande aceitação entre as crianças. Fia mora na Cavalhada, Avenida Dr. Antônio Fiúza, 303, e exerce o ofício há 15 anos.
Com certeza lá não havia de faltar os confeitos e esculturas comestíveis, lá cujo povo se mostra sensível aos valores artísticos e onde são frequentes as reuniões sociais. Elogiadas na Cidade pela variedade e beleza de suas concepções sitoplásticas, Cléa Nunes e sua mãe Geralda Solar Nunes, efetivamente são dignas da fama que têm, no lugar, como decoradoras de bolos-de-noivas ou bolos para festas de aniversário e batizado." (MARTINS: 1966, p. 31)



Este livro é muito interessante, pois, apresenta um meticuloso mapeamento de toda produção artesanal do município de Pitangui, tanto na sede, quanto nos diversos distritos e localidades. Além de sua vasta produção acadêmica, esse reconhecido antropólogo e folclorista mineiro 

"empresta seu nome ao Museu do Artesanato Saul Alves Martins, localizado na cidade de Vespasiano/MG, categorizado como um dos cinco melhores museus de cultura popular do Brasil. Cabe salientar que o museu possui em seu acervo uma grande quantidade de obras doadas pelo antropólogo, fruto de suas pesquisas. [...]"

O Museu foi inaugurado em 1992 e possui, além do rico acervo, biblioteca "e peças históricas originais de artistas populares que retratam tradições e identidades regionais, máscaras de folias, carrancas e peças de cerâmica."


FONTE:

MARTINS, Saul Alves. A Indústria Caseira em Pitangui. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1966.
http://www.oparavideos.com.br/produto/16,,Mestre-Saul-Martins--Sua-Vida-e-sua-Obra.aspx, acessado em 15/nov./2014.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Saul_Alves_Martins, acessado em 15/nov./2014.
http://www.iof.mg.gov.br/index.php?/acao-do-governo/acao-do-governo-arquivo/Museu-do-Folclore-recebe-pesquisadores-e-artistas.html, acessado em 15/nov./2014.

6 comentários:

  1. Parabéns pelo "achado" professor! Mais uma postagem muito interessante para o acervo histórico Daqui de PITANGUI!

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    1. Olá Léo.
      Nós já publicamos anteriormente um material sobre o livro do Saul Martins. Esta postagem apresenta mais informações sobre o autor e, ainda, nos permitiu explorar mais um pouco do conteúdo da obra.

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  2. Oi Licínio
    Eu tendo oportunidade irei visitar o Museu em Vespasiano.
    Muito interessante a reportagem e mais ainda por ver os NUNES fazendo presença na culinária. Sensacional, como dizia o nosso amigo Dênio Caldas. Abraços. Zé Carlos

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    1. Olá José Carlos.
      Tendo oportunidade também visitarei o Museu, fiquei curioso. Veja como são as coisas, quando fui escolher um trecho da obra para ilustrar a postagem abri justamente na página que mencionava a culinária pitanguiense...Culinária e domingo têm tudo a ver, né? E ainda, com a citação de uma representante da família Nunes.
      Abraço.

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  3. Gente que fez (e faz) bonito!
    Meus parabéns ao Saul e à galera deste blog pelo trabalho a favor da cultura mineira (e brasileira por tabela).

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    1. Olá Sylvio.
      Obrigado pelo incentivo e reconhecimento.
      Abraço.

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