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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Carnaval de Pitangui 2014



Começa hoje a folia do Rei Momo em Pitangui. De acordo com a Secretaria de Cultura, a Lira Musical Viriato Bahia irá percorrer as praças da cidade, tocando as tradicionais marchinhas. No vídeo acima você confere as atrações no Parque de Exposição da cidade. Também na linha dos antigos carnavais, no domingo acontece a 5ª Lavagem do Bandeirante no bairro da Penha, à partir das 15hs. Fique ligado e venha curtir um carnaval com alegria, diversão e tranquilidade.
 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Empada de carne de sol com maxixe

Dias atrás comentei em uma rede social que havia plantado pepino e colhi maxixe. Eis que recebo, em casa, o jornal "Estado de Minas", que trazia o suplemento "Sabores de Minas", ao qual, aliás, recorro com frequência, pois encontro em suas páginas receitas tradicionais de várias localidades e regiões de Minas Gerais. Para minha surpresa, no mais recente número do suplemento encontrei a receita que hoje compartilho com nossos visitantes. Estou curioso com o resultado desta receita.



Foto: Licínio Filho

INGREDIENTES

MASSA:

1 kg. de banha
2 kg. de farinha de trigo
6000 ml. de guaraná
5 gemas de ovos para pincelar

RECHEIO:

2 kg. de carne de sol
2 pratos de maxixe picado
2 cebolas grandes
2 colheres de azeite
5 dentes de alho
1 kg. de queijo catupiry

COMO FAZER:

Para a massa de empada, amassar a banha, a farinha de trigo e o guaraná. Forrar as forminhas com parte da massa. Reservar o restante para cobri-las. Para o recheio, dessalgar a carne de sol e cozinhá-la em água. Escorrer, desfiá-la e refogá-la no azeite* com cebola, alho e o maxixe. Quando estiver pronto, rechear as empadas, acrescentando o catupiry** por último. Cobrir as empadas com o restante da massa. Pincelar a tampa da empada com as gemas e levar as empadinhas num tabuleiro ou refratário ao forno a 180 graus.

SUGESTÕES DO SABORES DE MINAS:

* Refogar a carne na manteiga de garrafa e usar mais um tempero regional: o coentro fresco.
** Usar requeijão da região, o tradicional ou o escuro.

A receita rende 50 empadas.



FONTE:
Jorna "Estado de Minas", suplemento "Sabores de Minas", nº 111, fevereiro de 2014.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O pequeno grande casarão de Joaquina

     Durante minhas pesquisas no Arquivo Judiciário de Pitangui encontrei o que acredito ser o último documento envolvendo a herança deixada por Joaquina Bernarda  da Silva de Abreu Castelo Branco, a Joaquina do Pompéu. O processo de 1937 se refere a uma “demanda” cujo autor, Antônio de Assis Machado requer que seja definida a posse sobre a área em torno do antigo casarão da matriarca, que por direito pertenciam a 35 herdeiros e que então estava sendo utilizada de forma comum por alguns deles. É um documento muito interessante do ponto de vista histórico já que contém informações importantes sobre o casarão. Na minha opinião a mais relevante é a que documenta a quantidade de cômodos do imóvel que ao invés dos setenta e tantos eram trinta. Acredito que o erro se deve a pessoas descompromissadas com a verdadeira história e que se valeram da “licença poética” para distorcer a história de Joaquina e de Pitangui. Outro detalhe, dos 15 cômodos do primeiro andar apenas 5 eram assoalhados, os outros 10 eram de terra batida.

Processo pertencente ao acervo do Arquivo de Pitangui

     Para se ter uma ideia do absurdo que é afirmar que o casarão de Joaquina tem setentas e tantos cômodos é fazendo as contas. Se dermos a cada cômodo o tamanho médio de 16m2 (4mx4m) e multiplicarmos por 75 cômodos chegaríamos a um total de 1.200m2 , que mesmo dividido por dois (dois andares) chegaríamos a uma área líquida de ocupação do solo de 600m2, área totalmente incoerente com as poucas fotos que existem do casarão.

Parte do processo que descreve o casarão

     Considerando o tamanho real do imóvel, ele não fica muito distante em questão de tamanho do casarão erguido em Pitangui por Maria Tangará, que ao contrário da história romântica nunca desejou o marido da Joaquina (este já se encontrava enfermo quando Tangará chega a Pitangui) e nunca foi sua arqui-inimiga.

Foto do casarão onde se percebe que não caberia ali os setenta e tantos cômodos



     Outro parte importante do processo é uma planta da sede da fazenda que permite a qualquer pessoa dotada dos conhecimentos técnicos necessários definir com precisão onde se encontrava exatamente o casarão da matriarca. Embora o local esteja descaracterizado pelos ocupantes atuais da área, a existência de aspectos geográficos permite tal definição.

Planta da área do casarão. O formato em L não corresponde ao formato do casarão. Era uma forma padrão de se registrar o local de imóveis. Existe em outras plantas arquivadas no Arquivo de Pitangui com este formato  padrão de imóvel.
     O lado positivo das informações do processo é que nos mostra que uma futura reconstrução do casarão não demandaria nenhum investimento astronômico como seria se a lenda fosse verdadeira. Os cacos de cerâmica que estão esparramados no solo no local do casarão poderiam sofrer um reprocessamento e voltariam a cobrir o telhado do novo casarão. Nesta mesma linha reciclatória, a grande quantidade de cravos e demais objetos ferrosos existentes no local (de baixo valor histórico) poderiam servir de matéria prima para obras artísticas do novo imóvel. Um caso a ser pensado pelos administradores do Conselho do Patrimônio Histórico de Pompéu.

Vandeir Alves dos Santos





sábado, 22 de fevereiro de 2014

Doc. Pitanguienses em Bsb


 "Lembro da hora do ângelus, às 6 horas na matriz, quando esperávamos meu pai na entrada do beco". William Santiago.
 
As entrevistas para o documentário sobre os Pitanguienses em Brasília já estão praticamente concluídas e foram surpreendentes. A diversão e o improviso se fizeram presentes nas diligências com o parceiro William Santiago pelo Distrito Federal, após o trabalho e nos finais de semana. Nem todos os conterrâneos procurados sentiram-se a vontade para registrar suas  histórias, lembranças e perspectivas sobre os 300 anos, mas nos incentivaram e a ligação com a terrinha estava estampada no olhar, na voz embargada, no pensamento.
 
"Os blocos e as fantasias de carnaval nasciam lá em casa. Os desfiles das escolas eram lá na rua. Pitangui? É tudo... posso cantar o hino aqui?" Betinho Giriza.
 
Agora começa a parte difícil, com a edição do documentário, sob a  tarefa de resumir o registro das memórias e de grandes histórias de vida. Fica a dúvida se apertaremos o PLAY e deixaremos rolar, ou se, quem sabe o trabalho seja dividido em capítulos!
 
"Saudade da Mata do Céu e do Cariru, onde cresci". Marcus Vinícius.
 
A certeza é que fizemos novos amigos, conhecemos e relembramos histórias e nas entrevistas, Pitangui está em evidência. Já foi pensado em um encontro dos Pitanguienses em Brasília, uma caravana para os 300 anos e uma segmentação da SAP no Planalto Central.

 "Pitangui é a capital do mundo, é melhor do que Beverly Hills...". Messias - Jiló.

 "Lembrança do tempo de infância em Pitangui..."
Sandro Tavares (primo, amigo e companheiro de labuta em Bsb).


 "Saudade dos bailes e das serenatas, onde tinha a turma que cantava e tocava e o pessoal que dormia cedo, esperando ser acordado pela serenata". Regina Vasconcelos.
 
Então, mão na massa para concluir o projeto. Até breve!
 
 
CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO PARA OUVIR A MÚSICA.

https://www.youtube.com/watch?v=anXjixP_UTU
 Outro olhar sobre a capital - quase que me sinto em casa.
Fotos: Léo Morato e William Santiago.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

As águas vão rolar...

Arte: Quatri - Comunicação e Sinalização.
... vem aí a V LAVAGEM DO BANDEIRANTE - mais uma vez convidamos a família pitanguiense para prestigiar o evento que está virando tradição nos domingos de Carnaval em Pitangui. A partir das 15:00 horas do dia 2/3/2014, a praça da Penha será palco de muita animação e alegria ao som de marchinhas de carnaval tocadas pela banda da cidade - Lira Musical Viriato Bahia. Faça sol ou chuva não vai faltar entusiasmo para os que quiserem curtir o verdadeiro carnaval. Aconselhamos a todos para irem com roupa leve e que protejam documentos e celulares pois não vai faltar água para refrescar os fuliões.
Realização: Blog Daqui de Pitangui.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Jovens pitanguienses participam do programa Ciência sem Fronteiras: Ana Laura Maciel

Dando sequência à nossa série de entrevistas com jovens pitanguienses que participam do Programa do Governo Federal, Ciência sem Fronteiras, apresentamos nesta postagem o relato de Ana Laura Maciel, 22 anos, aluna do 8º período do curso de Engenharia Civil, na Universidade Federal de São João Del Rei, Campus Alto Paraopeba. Ana Laura está atualmente dando prosseguimento aos seus estudos no Athlone Institute Of Technology, em Athlone, Irlanda. 



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Daqui de Pitanguy:
Quais os motivos que levaram você a se inscrever no Programa Ciências Sem Fronteiras?

Ana Laura Maciel:
Eu tive algumas influências de alguns amigos que participaram do programa e indicaram. Primeiramente me inscrevi no processo seletivo para Portugal, buscando conhecer uma nova cultura, ter uma nova visão de Engenharia Civil e também sanar algumas deficiências que eu encontrava no meu curso no Brasil. Com o cancelamento da chamada para Portugal, foram abertas novas chamadas para diferentes países de língua estrangeira e todos os inscritos puderam escolher o país de preferência. Percebi então queesta seria uma oportunidade única de aprender e ser fluente em uma nova língua.

Daqui de Pitanguy:
Você está fora do Brasil há quanto tempo? Como foi ou está sendo, o processo de adaptação?

Ana Laura Maciel:
Estou fora do Brasil desde setembro de 2013. No início foi um pouco difícil me adaptar ao clima, a língua e principalmente aos novos costumes. A Irlanda é um país onde chove quase todo dia e que tem as estações do ano bem definidas. Cheguei no início do outono e estou no inverno e a média de temperatura está entre 8ºC e 0ºC, bem diferente do que eu estava acostumada no meu país. Em relação aos costumes irlandeses algumas coisas ainda me soam bem estranhas. Por exemplo, aqui a água da torneira é potável e pode ser bebida sem antes ser filtrada ou fervida, o papel higiênico deve ser descartado diretamente nos vasos sanitários, não é comum ter uma área de serviços para lavar roupas e secadoras de roupa são sempre usadas. As comidas também são bem distintas. O café da manhã típico da Irlanda é uma refeição com feijão, linguiça, ovos, bacon, chouriço e pão, não é comum comer arroz e feijão em refeições principais como almoço e jantar e a bebida que acompanha estas refeições normalmente é leite ou chá. Em contrapartida, as pessoas aqui são bastante amigáveis e atenciosas, o que me ajudou muito na adaptação. Particularmente, não tive muitos problemas em me adaptar aqui.

Daqui de Pitanguy:
Como é a sua rotina acadêmica hoje?

Ana Laura Maciel:
O meu programa consiste em 9 meses de curso de língua, projeto de pesquisa ou estágio durante 3 meses e mais 4 meses cursando um período de graduação. Por enquanto eu ainda estou com o curso de inglês em andamento e este curso é dado em 20 aulas semanais, com aulas diariamente. Além de aprender sobre gramática e vocabulário o curso também é voltado para a preparação dos estudantes para ingressar na graduação.

Daqui de Pitanguy:
Você poderia descrever as diferenças e semelhanças do ensino oferecido a você aí e em sua Universidade de origem?

Ana Laura Maciel:
A maioria das matérias são divididas em aulas práticas e teóricas, assim como eu já tinha no Brasil. Em geral, o ensino aqui é semelhante ao ensino oferecido pela minha universidade de origem. As principais diferenças para mim estão na forma de avaliação e na carga horária. Os alunos são avaliados em sua maior parte por meio de trabalhos e existe apenas uma prova no final do semestre. Quanto a carga horária, o tempo em sala de aula aqui é menor. Outra diferença é a exigência e cobrança quanto a prazos de entrega de trabalho e presença em sala.

Daqui de Pitanguy:
Fale um pouco sobre a diversidade cultural que você está vivenciando dentro da Universidade,

Ana Laura Maciel:
Dentro da minha atual instituição de ensino são oferecidos vários programas para estudantes internacionais e isso faz com que muitos alunos de diferentes partes do mundo estudem aqui. Através disso posso conviver não só apenas com irlandeses, mas também com italianos, espanhóis, turcos, árabes, franceses, entre outros.

Daqui de Pitanguy:
Como você preenche seu tempo fora do ambiente acadêmico? A Universidade lhes oferece opções de lazer?

Ana Laura Maciel:
Gosto de viajar, ir ao cinema e sair com os amigos que fiz aqui. A universidade possui excelente infraestrutura para prática de variados esportes, desde futebol e vôlei até equitação e arco e flecha. Eu, particularmente, participo de aulas semanais de vôlei e spinning. Além disso existem algumas sociedades formadas dentro da faculdade que organizam viagens e passeios muito divertidos, interessantes e por preços mais acessíveis para os estudantes. 

Daqui de Pitanguy:
Até o momento, qual a experiência que mais te marcou?

Ana Laura Maciel:
Fico admirada com a honestidade das pessoas aqui. Uma vez uma brasileira perdeu uma bolsa, juntamente com uma quantia significativa de dinheiro, vários cartões e documentos. No outro dia, quando ela foi procurar no local estava tudo lá, sem nenhum centavo a menos. Outro fato marcante é que o troco sempre é devolvido corretamente. No Brasil por exemplo, se a compra fica em R$ 4,49 é comum pagar R$ 4,50, aqui as pessoas fazem questão de devolver cada centavo que você estiver pagando a mais.

Daqui de Pitanguy:
Como vocês avaliam a iniciativa do governo brasileiro, em promover o programa Ciências Sem Fronteiras?

Ana Laura Maciel:
No meu ponto de vista esta é uma excelente iniciativa que, com certeza, colherá seus frutos futuramente. Quanto mais estudantes puderem participar, maior será o número de profissionais bem capacitados e com experiências internacionais prontos para ajudar no desenvolvimento do país.

Daqui de Pitanguy:
Qual a avaliação que você faz desta experiência para seu futuro profissional?

Ana Laura Maciel:
Já fiz estágio em uma empresa multinacional e via a importância de uma experiência como essa para o currículo de uma pessoa. Acredito que este intercâmbio será muito relevante para meu futuro profissional, sendo um diferencial importante ao ingressar no mercado de trabalho.





Daqui de Pitanguy:
O governo está fazendo um investimento em vocês. Em contrapartida espera que vocês dêem retorno à sociedade, afinal, o propósito é formar uma elite intelectual. Como você pretende usar os conhecimentos adquiridos com esta experiência, em benefício da sociedade brasileira?

Ana Laura Maciel:
Espero poder aplicar todos os conhecimentos adquiridos, visando sempre inovar, otimizar processos e buscar melhorias. É muito interessante ver como algumas coisas funcionam tão bem em países de primeiro mundo (o transporte público, por exemplo) e perceber que o Brasil tem muito potencial pra fazer tudo isto e muito mais.Voltarei com o objetivo de colocar em prática tudo que estou aprendendo para fazer do Brasil um país exemplar assim como vejo alguns países europeus.

Daqui de Pitanguy:
Para finalizar, qual o recado que você mandaria para aqueles que querem ingressar em uma Universidade Federal?

Ana Laura Maciel:
Quando comecei meus estudos em uma Universidade Federal não fazia ideia da importância que esse detalhe teria na minha vida.Meu conselho é: se esforcem ao máximo e mantenham o foco. Antes eu imaginava que todo esforço e dedicação durante o ensino fundamental e médio poderiam me trazer benefícios, hoje eu não tenho a menor dúvida disso e posso ver claramente que nada foi em vão. Cursar uma universidade federal, além de ser um diferencial para o currículo, também proporciona um leque de oportunidades para os estudantes, deixando-os aptos e preparados para enfrentar o mercado de trabalho.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Dica de leitura: O Menino de óculos


Na postagem deste sábado apresentamos mais uma obra do escritor pitanguiense Betto Santiago.
Nesta obra, o autor explora o universo dos portadores de Síndrome de Down.
O livro foi publicado com o patrocínio de comerciantes e profissionais liberais de Pitangui.
Este exemplar, faz parte de minha coleção de obras de escritores pitanguienses,
 que denominei de "Pitanguiana".

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

300 anos da Vila Nova da Rainha - Caeté

A cidade de Caeté completa hoje seu tricentenário


A vila teve sua origem ligada ao início do ciclo do ouro, em meados do século XVII, quando os primeiros grupos de aventureiros vieram do litoral em busca de ouro, prata e pedras preciosas em Minas Gerais. O nome Caeté, em Tupi-Guarani, significa "mata densa" ou "mata virgem".


Até meados do século XIX a atividade mineradora representou a principal atividade econômica da região. Remonta a esse período a ocupação e formação do atual centro histórico. Com o esgotamento de seus aluviões auríferos, o arraial entrou em decadência, renascendo economicamente em 1894, com as atividades da Cerâmica Nacional, fundada pelo Governador João Pinheiro.


Um dos belos exemplares do barroco, a Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, datada de 1757 é considerada a primeira igreja construída em alvenaria em Minas Gerais, tendo planta de autoria de Manuel Francisco Lisboa, pai do Aleijadinho. O templo religioso marca o início da 3º fase do barroco, que predomina nas esculturas, imagens e peças de ouro e prata.


Um dos principais pontos turístico de Caeté é o Santuário de Nossa Senhora da Piedade.

 
A historia da construção da Ermida de Nossa Senhora da Piedade está diretamente ligada à pessoa de Antônio da Silva Bracarena, que após ouvir boatos de que duas moças haviam visto Nossa Senhora da Piedade ao passarem pela Serra, resolveu construir no topo uma Capela que serviria de referência para andarilhos. No interior simples da capela destaca-se o retábulo do altar-mor em estilo rococó e a imagem de Nossa Senhora da Piedade recebendo nos braços o seu filho morto. A obra é atribuída ao Mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. 




Em 1956, o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Santuário Nossa Senhora da Piedade foi tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Em 1958, o Papa João XXIII proclamou Nossa Senhora da Piedade como a padroeira do Estado de Minas Gerais.



Outro atrativo turístico de Caeté, é o Observatório Astronômico Frei Rosário, administrado pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, está localizado no Alto da Serra da Piedade, onde é perfeitamente integrado à paisagem, tanto no que se refere à sua arquitetura, quanto a sua função científica e cultural. 


O espaço é utilizado para pesquisas astronômicas, sendo considerado um dos maiores observatórios da América Latina. Sua estrutura é composta por dois telescópios profissionais, além de telescópios amadores. A visitação ao observatório é feita sempre no primeiro de cada do mês, das 17h às 23h.




Fonte:


santuarionsdapiedade.org.br

caete.mg.gov.br

turismo.com.br

observatorio.ufmg.br


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ao redor do templo nasceu a cidade (2ª parte)

Capela da Penha.
Foto: do livro Memória do Sobrado.

Na postagem de hoje apresentamos  a continuação da pesquisa histórica que aborda sobre a relação direta entre a construção de capelas e igrejas no Ciclo do Ouro e o desenvolvimento urbano, a partir dos primeiros arraiais e vilas de Minas, no período do Brasil Colônia.

O garimpo - imagem ilustrativa. Quadro em Paracatu - MG.
Foto: Léo Morato.

Nos últimos anos do século XVII iniciava-se o maior movimento migratório ocorrido no mundo, incentivado pela corrida do ouro. Para as Minas Gerais veio gente de toda sorte, entre bandeirantes, índios, escravos, mulheres, andarilhos e religiosos de Ordens diversas. Segundo a Historiadora Cláudia Damasceno da Fonseca no início da ocupação daquelas terras inóspitas, os mineiros só podiam contar com seus próprios recursos para obter a assistência espiritual que precisavam. “Os ofícios católicos realizavam-se em capelas efêmeras ou mesmo diante de altares portáteis instalados ao lado dos ribeiros auríferos. Os celebrantes eram religiosos regulares ou seculares que acompanhavam os paulistas como capelães de expedição ou ainda frades rebeldes que abandonavam seus conventos em Portugal ou nas capitanias do Nordeste (...)” (FONSECA, 2011, pág. 87). Com o surgimento do ouro, em geral o próprio descobridor encarregava-se da construção dessas capelas iniciais. “Era de taipa e sapé, em quadrado, cumieira e duas águas. Não tinha torre nem janelas. Rapidamente cuidavam de construir uma capela melhor. Ampliava-se o quadrado, com o altar-mor ao fundo e uma torre lateral ou central” (SALES, 1982, pág. 49). Em Pitangui, conforme os registros históricos, havia grande quantidade de ouro, como relata o Historiador João Camilo de Oliveira Tôrres (1966, pág. 141): “Haviam descoberto jazigos auríferos, vários dos quais muito ricos, como o do Batatal (...)”. Portanto nota-se que a cidade teve origem na região do bairro da Penha onde foi erguida a capela, conforme informado na placa (museu vivo) fixada ao lado do templo: “Em 1709 o bandeirante paulista capitão José Campos Bicudo ergueu aqui a capela em louvor a Nossa Senhora da Penha em estilo Barroco Romano, com altar-mor e arco cruzeiro em colunas de madeira pintada”.

Museu vivo - Capela da Penha.
Foto: Léo Morato.

Desde o início do povoamento da região mineradora, era por meio da Igreja que a Coroa Portuguesa exercia o controle, instituindo autoridades eclesiásticas para as funções de cunho tanto religioso quanto civil. Esse processo ocorreu porque - devido ao compromisso assumido com Roma, de catequizar os gentios e de expandir a fé católica no novo mundo – o Rei de Portugal como Grão – Mestre da Ordem de Cristo tinha diversas prerrogativas concedidas pelo Papa, tais como: autorizar a construção de igrejas, determinar os limites das Dioceses, receber dízimos. “De fato, o momento da consagração (oficialização) das pequenas capelas construídas pelos habitantes ao lado de suas lavras ou de suas roças coincidia com o início da formação de uma aglomeração humana mais estável. Em seguida, a promoção destas ermidas à condição de capelas filiais e, mais tarde, de igrejas matrizes era frequentemente, uma das conseqüências do crescimento e da prosperidade dos arraiais em que se situavam, mas também dos espaços rurais circundantes” (FONSECA, 2011, pág. 83). A partir deste registro histórico é possível relacionar o crescimento econômico e demográfico no século XVIII com o desenvolvimento da malha eclesiástica. Em Pitangui este processo foi bastante similar no que diz respeito à fundação da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar: “Foram os Bandeirantes componentes da bandeira de Bartolomeu Bueno de Siqueira e depois levas de paulistas os primeiros moradores da futura Pitangui desde 1692. O crescimento do lugar foi tomando que, em 1703, o Cônego Gaspar Ribeiro Pereira foi enviado como visitador das Minas Gerais com a incumbência de providenciar a instituição e administração das novas igrejas. Foi então que, em 1703, criou-se uma paróquia em Pitangui. Os Bandeirantes devotaram-na a Nossa Senhora do Pilar, sua padroeira e protetora. Porém, somente em 16.2.1724, é que o Rei de Portugal, Dom João V, confirmou a canônica da freguesia de N. S. do Pilar de Pitangui” (DIOCESE DE DIVINÓPOLIS, 2009, pág. 140). 
Antiga Igreja Matriz de Pitangui. Data provável 1ª década do séc. XX.
Foto: Autor desconhecido.

Na próxima postagem sobre este tema falaremos da expansão física (fases da construção) das igrejas e da evolução social, administrativa e religiosa, por meio das Irmandades leigas.


Link relacionado: http://daquidepitangui.blogspot.com.br/2013/09/ao-redor-do-templo-nasceu-cidade.html 

 
Bibliografia consultada:


- FONSECA, Damasceno Cláudia. Arraiais e Vilas D’el Rei – Espaço e poder nas Minas setecentistas. Editora UFMG. Belo Horizonte, 2011.

- MENDES, Amália Rocha. Memória do Sobrado. Editora Matiz Bureau de Serviços Gráficos. Divinópolis-MG, 1999.

- Retratos de uma Igreja Jubilar - Pequena Memória . Diocese de Divinópolis, 2009.

- TORRES, João Camilo de Oliveira. História de Minas Gerais. Belo Horizonte. Volume 1. Difusão Pan – Americana do Livro. 2ª ed. 1962. 

- SALES, Fritz Teixeira. Vila Rica do Pilar - Um Roteiro de Ouro Preto. Editora da Universidade de São Paulo / Editora Itatiaia. Belo Horizonte, 1982.
 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Arte, saca?

 Praça do Jardim, na madrugada.
Foto: Léo Morato

O caminhar por Pitangui é uma oportunidade de, nos detalhes, apreciar a arte expressa, manifestada, cravada em pedra, madeira, ferro e cimento pelas ruas, praças e logradouros. Aliás, artes são muitas, diversas, múltiplas, concretas e abstratas, de várias formas, desta e de outras épocas. É só manter o olhar atento, a mente aberta e sem pressa, escolher o trajeto, o percurso, subindo ou descendo, que ela, a arte, aparece. E quando a outra, a dona Inspiração, não nos visita em palavras, as imagens falam por si. Porque existe algo maior, um sentimento, um coletivo, existe Pitangui.

 Carrancas do Chafariz.
Foto: Licínio Filho.


 Pelas ruas que andei.
Foto: Léo Morato.

 Arte no cemitério.
Foto: Léo Morato.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Dica de leitura: "Os Castelo Branco d'aqui"


O médico, genealogista e escritor, Deusdedit Pinto Ribeiro de Campos lança mais um livro, "Os Castelo Branco d'aqui", onde descreve a origem de algumas famílias mineiras.
São também, de autoria de Deusdedit, o já clássico "Dona Joaquina de Pompeu: Sua História e Sua Gente" e  “Testamento e Inventário de Dona Joaquina do Pompéu e outros documentos”.
Os interessados em adquirir as obras do autor podem fazer contato através do telefone e e-mail disponíveis no folder acima.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Ação de Crédito ou Ação de Alma

  Armazém ou venda no período Colonial ¹.

No período colonial devido a inexistência da moeda como meio circulante, surgiram as compras a prazo e os crediários, viabilizando os financiamentos e a aquisição de bens e produtos por meio de títulos, letras ou das famosas cadernetas nos balcões dos armazéns. Muitas vezes os negócios eram feitos sem nenhuma garantia formal, somente na base da confiança. Talvez por isso, nos diálogos com as pessoas de mais idade ainda é comum ouvir a seguinte fala: "No meu tempo o trato era feito no fio do bigode". Tal afirmativa significa que a palavra tinha mais valor do que um documento assinado.  

Mas quando alguém "faiava no trato" os credores recorriam à justiça para cobrar o que era devido, impetrando ações de cobrança chamadas de Ação de Crédito ou Ação de Alma, que segundo a historiadora Marcela Soares Milagre: "podem ser descritas como processos cíveis de cobrança, nos quais o réu era intimado a comparecer em juízo para o reconhecimento da dívida" ². A Ação de Crédito comprovava-se pela existência de um bilhete (caderneta) ou título assinado ou marcado com o um sinal da cruz (uma cruz desenhada) quando o requerido era analfabeto (fato comum no século XVIII). Já na Ação de Alma o réu jurava por sua alma perante o juiz, se era ou não devedor da quantia apresentada pelo autor, no processo. 
Estas informações são abordadas no vídeo abaixo, que  comprova a importância e a riqueza do acervo do Instituto Histórico de Pitangui.




(1) Do livro Caminhos da Conquista – A Formação do Espaço Brasileiro.
(2) In CATÃO, Leandro Pena (Org.) Pitangui Colonial – História e Memória. Editora Crisálida. Belo Horizonte, 2011 pág 169.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Jovens pitanguienses participam do programa Ciência sem Fronteiras: Adriano Mourão

Em nossa segunda postagem da série "Jovens pitanguienses participam do programa Ciência sem Fronteiras", Adriano Mourão Oliveira Valério, 21 anos, aluno do 8° período, do curso de Engenharia de Produção, da UFMG, nos relata sua experiência no "Ciência sem Fronteiras". Adriano está na University of Derby ( curso: Manufactoring and Production Engineering), na cidade de Derby, Derbyshire, Inglaterra.




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Daqui de Pitanguy:
Quais os motivos que levaram você a se inscrever no Programa Ciências Sem Fronteiras?

Adriano Mourão:
O principal motivo é a experiência profissional, acadêmica e pessoal. Já possuía o desejo de realizar um intercâmbio por conta própria, e a criação de um programa bem estruturado e com uma proposta acadêmica sólida foi uma grande oportunidade para muitos estudantes do Brasil, nos quais eu me incluo.

Daqui de Pitanguy:
Você está fora do Brasil há quanto tempo? Como foi ou está sendo, o processo de adaptação?

Adriano Mourão:
Estou aqui desde setembro de 2013. O processo de adaptação foi rápido, apesar de estar morando num país com cultura, clima e costumes bem diferentes. A Universidade provê um suporte bem legal aos seus estudantes internacionais, o que ajudou muito quando cheguei.

Daqui de Pitanguy:
Como é a sua rotina acadêmica hoje?

Adriano Mourão:
A carga horária de aulas na universidade é menor se comparada com a quantidade de aulas que possuía no Brasil. Porém a quantidade de tarefas a serem feitas fora da sala de aula é bem grande, e a exigência para seu cumprimento, também. Essas atividades são avaliadas, fazendo com que o aluno seja pontuado ao longo de todo o período letivo, não apenas no final. Isso faz com que, no geral, cada disciplina possua apenas uma prova, ao final do período.

Daqui de Pitanguy:
Você poderia descrever as diferenças e semelhanças do ensino oferecido a você aí e em sua Universidade de origem?

Adriano Mourão:
As principais diferenças que eu tenho notado se dão com relação ao cuidado com o estudante. É feito um grande esforço para que você realize todas as atividades e os professores têm um tempo maior para se dedicar ao aluno (por terem menos turmas e tarefas extraclasse). Percebo que a preocupação com o aprendizado máximo de todos os alunos é grande. Em contrapartida, alguns pontos como pontualidade, assiduidade e a qualidade de trabalhos entregues são avaliados com grande rigor. O plágio também é algo levado bem a sério. Se você apresentar um trabalho com trechos de outra bibliografia sem apresentar referência, poderá ter sérios problemas.

Mas no geral, a forma de transmissão de conhecimento ao aluno é bem semelhante ao que conhecemos. Na minha universidade, as aulas de cada disciplina são divididas entre Lecture e Tutorial, que seria uma espécie de divisão entre teoria e prática. Mas a forma como cada uma dessas aulas é lecionada não apresenta grandes novidades.

Daqui de Pitanguy:
Fale um pouco sobre a diversidade cultural que você está vivenciando dentro da Universidade,

Adriano Mourão:
Minha universidade é reconhecida por receber muitos estudantes internacionais. E por toda Europa você encontra pessoas de todos os cantos do mundo. Já fiz amizades com pessoas dos mais diversos países: EUA, Canadá, Alemanha, Polônia, Lituânia, República Checa, Paquistão, Malásia, China, Austrália, etc. Com certeza é uma experiência pessoal muito enriquecedora, além de muito divertida.

Daqui de Pitanguy:
Como você preenche seu tempo fora do ambiente acadêmico? A Universidade lhes oferece opções de lazer?

Adriano Mourão:
A Universidade oferece várias opções de equipes esportivas e sociedades dos mais diversos temas. A cidade também possui muitas opções de lazer como academia, quadras, estádio de futebol, shoppings, cinema. Além disso, é muito fácil se locomover dentro da Inglaterra e até mesmo da Europa. Frequento academia e jogo futebol, além de viajar para alguma cidade ou país próximo sempre que tenho um tempo disponível.

Daqui de Pitanguy:
Até o momento, qual a experiência que mais te marcou?

Adriano Mourão:
No geral, a honestidade e a segurança daqui me marcaram muito. Pra citar um momento, quando cheguei aqui me juntei a um grupo de brasileiros e formamos um time de futsal. Por sermos brasileiros (e pelo fato de os ingleses não serem lá uma maravilha no esporte), rapidamente ficamos conhecidos na cidade e começamos a disputar um campeonato. Num desses jogos, os adversários se irritaram e o jogo foi bem ríspido e nervoso. Deixando a quadra, um brasileiro percebeu que havia esquecido seu celular (um iPhone novo) no local de jogo. Para nossa surpresa, um dos adversários havia encontrado e se mostrou bastante preocupado em devolver o objeto ao seu dono, que ele imaginava ser um dos brasileiros.

Daqui de Pitanguy:
Como vocês avaliam a iniciativa do governo brasileiro, em promover o programa Ciências Sem Fronteiras?

Adriano Mourão:
Avalio da melhor maneira possível. Penso que em alguns anos, teremos muitos profissionais com uma bagagem internacional muito importante graças ao Ciência sem Fronteiras. E isso com certeza será um diferencial para o crescimento do país. Historicamente, o Brasil nunca fez um investimento em tecnologia e conhecimento desse porte (algo mais restrito aos chamados países de "primeiro mundo"), e vejo a criação desse programa como um primeiro importante passo.

Daqui de Pitanguy:
Qual a avaliação que você faz desta experiência para seu futuro profissional?

Adriano Mourão:
Muito positiva. Uma experiência completamente diferente em minha vida, que oferece novos horizontes, novas ideias e abre um leque de oportunidades muito grande. Realmente considero uma grande mudança para mim.

Daqui de Pitanguy:
O governo está fazendo um investimento em vocês. Em contrapartida espera que vocês dêem retorno à sociedade, afinal, o propósito é formar uma elite intelectual. Como você pretende usar os conhecimentos adquiridos com esta experiência, em benefício da sociedade brasileira?

Adriano Mourão:
O primeiro passo é aproveitar ao máximo cada oportunidade proporcionada pelo programa. Desde as aulas na universidade, passando pela experiência com o inglês e conhecendo outras culturas na Europa, que acredito serem fatores importantes na minha formação. A partir disso, é tentar aplicar todo aprendizado para trazer resultados na sociedade brasileira, seja trabalhando em uma empresa ou no serviço público. Acredito que o mais importante seja absorver o que de melhor o intercâmbio nos propicia, trazendo ideias inovadoras que ajudem na resolução de problemas da sociedade brasileira.

(Um exemplo claro disso é a mobilidade urbana: todos os países que visitei por aqui apresentaram uma grande variedade de transportes públicos, com rapidez e eficiência que impressionam. Analisando cada um deles, sempre nos deparamos com ideias simples e eficazes que poderiam ser aplicadas no Brasil).

Daqui de Pitanguy:
Para finalizar, qual o recados que você mandaria para aqueles que querem ingressar em uma Universidade Federal?

Adriano Mourão::
Manterem sempre o foco e a determinação. Nos últimos anos, a oferta de vagas nas Universidades Federais tem crescido muito, assim como as oportunidades de trabalho, pesquisa, iniciação, intercâmbio, etc dentro delas. Assim, o ingresso em uma Universidade Federal é muito vantajoso. E se há algum tempo poucos alunos de Pitangui conseguiam esse feito, hoje vemos muitos colegas entrando em grandes universidades do país e se tornando grandes profissionais. O ensino em nossa cidade cresceu muito, o acesso à informação também, então acredito que todos têm capacidade de se formar numa Universidade Federal.