Seguidores

domingo, 30 de novembro de 2014

Pitangui e o Plano Decenal Municipal de Educação (2015-2024)


Na manhã do último sábado, 29 de novembro, o corpo docente e direção da Escola Estadual Gustavo Capanema se reuniram-se com o Secretário Municipal de Educação, de Pitangui, o Sr. Edson Miguel de Barcelos, acompanhado de Juliana Severino, que apresentaram o Plano Decenal Municipal de Educação. 


O Plano Decenal Municipal de Educação (PDME) é composto por 20 metas a serem atingidas entre 2015 e 2024, no que se refere à educação do município de Pitangui. O Plano está alinhado às propostas do Plano Nacional de Educação (PNE).
A construção do Plano Decenal Municipal de Educação envolve toda a comunidade, desde gestores das instituições de ensino, professores,secretarias municipais, como também todos os setores da sociedade civil atendidos pelas redes públicas municipal e estadual de ensino.
A Secretaria Municipal de Educação está convocando todos os interessados a participarem das reuniões e/ou encaminharem suas sugestões , pois, é a partir deste Plano que serão traçadas as ações educacionais para os próximos 10 anos. 
Caso você não possa comparecer às reuniões poderá encaminhar suas sugestões pelo e-mail pdmepitangui@gmail.com.

sábado, 29 de novembro de 2014

Os 100 anos do crime da ponte

     O ano de 1914 mal havia começado e Pitangui se viu abalada por uma tragédia que marcaria para sempre a história da cidade, no dia 28 de janeiro um incêndio destrói a igreja matriz. Parte da tristeza dos pitanguienses é amenizada a 30 de agosto quando a comunidade passa a ser servida de energia elétrica. Mas o ano não terminaria sem que uma nova tragédia abalasse a sociedade da Velha Serrana.

     A população se via entusiasmada com o início de reconstrução da nova matriz e postes começavam a iluminar, ainda que muito mal, a vida da cidade, mas do outro lado da serra da Cruz do Monte uma ponte ameaçava a paz entre os moradores.

     O local é cortado por uma grota profunda, a grota do Pau d’Óleo, no sentido norte/sul, trata-se de um acidente geográfico que na época atravessava as diversas propriedades que existiam ali. Parte destas propriedades resultantes do que foi a parte sul dos 1.558 hectares da fazenda do Mandassaia que pertencia aos sócios José Quintiliano Rodrigues Pereira (dono de 80%), João Luis de Vasconcelos (10%) e João Batista de Campos (10%). Com a morte de João Batista de Campos em 1877 a sociedade se desfaz e Quintiliano fica com a parte norte que dividia com sua outra propriedade (Ponte Alta) e os 20% situados na parte sul da fazenda são divididos entre a viúva, Maria Joaquina de Jesus, e João Luís de Vasconcelos.

     Com a proximidade dos terrenos foi natural que casamentos unissem os Vasconcelos aos Campos e o primeiro enlace se dá com a casamento de Generosa Emília de Campos, filha de João Alves de Campos (Neném Baptista, filho de João Batista) com Felizardo José Luís de Vasconcelos, filho de João Luís de Vasconcelos. Felizardo era viúvo de Luísa Antônia de Lacerda falecida em 1895 após o parto de seu quarto filho, José, que também veio a falecer nove meses após o nascimento. Luísa e Felizardo tiveram três filhas antes de José, Maria Luísa de Lacerda (24/06/1886), Cândida (08/10/1887) já falecida e Idalina Luísa de Lacerda (01/04/1889).

     José Alves de Campos – Juca Neném – era o primogênito de Neném Batista e após divergências com o pai foi morar com a irmã Generosa. A proximidade com as enteadas da irmã resultou no casamento de Juca e Idalina no dia 04 de março de 1905, o qual foi precedido em uma semana do casamento da irmã de Idalina,  Maria Luísa de Lacerda, com Sebastião Alves de Campos, irmão de Neném Baptista. Finalmente João Ferreira Ribeiro, sobrinho de Neném Batista se casa com a filha de Olímpio José Luís de Vasconcelos, irmão de Felizardo.

     Juca Neném compartilhava a residência com o sogro e como eram homens de temperamento muito forte, era impossível que não surgissem atritos e quando um boi de Juca Neném invade a cultura de seu sogro, este o interpela de forma rígida e aos gritos. Se sentido ofendido pela atitude do seu sogro, Juca se arma e vai atrás de Felizardo que já se distanciava sabendo da reação que viria, o que não impediu que um tiro lhe atingisse o calcanhar. Este ferimento será descrito posteriormente. Neném Batista então orienta o filho a juntar suas coisas e vir morar com ele, pois aquele episódio poderia ter fins ainda mais trágicos.

     Por esta época Olímpio havia resolvido reformar a ponte que passava sobre a grota do Pau d’Óleo, no ponto que correspondia as suas terras, e que se encontrava bastante avariada. Para cobrir as despesas resolve cobrar dos moradores da região que usufruíam da ponte a quantia de cinco mil réis de quem possuía carro de boi e dois dias de serviço para os que não possuíam. Havendo resistência de alguns neste pagamento ele devolve o dinheiro de quem já havia pago e reconstrói a ponte por conta própria. Depois de pronta e já servindo a população, Olímpio vai se aconselhar com seu irmão Felizardo e resolve desmanchar a ponte para refazê-la em outro ponto de sua propriedade de maneira a facilitar o acesso ao seu pasto do outro lado da grota. É esta mudança de lugar o motor de toda desavença e desgraça que viria a ocorrer entre Olímpio, Felizardo e os Campos. A justificativa para essas desavenças era de que com a mudança era necessário fazer uma volta de mais de 500 metros para poder transpor a grota.

     Afim de resolver a questão foi solicitado ao Fiscal da Câmara, João Alves Corgozinho Filho, que intercedesse na questão e já havia um agendamento para o dia 6 de novembro para que o Fiscal comparecesse ao local para resolver o impasse. No dia 3 um cavalo foi despachado a Corgozinho para viabilizar o seu transporte. No dia 4, Custódio de Lacerda Rocha descia a serra da Cruz do Monte quando se encontrou com Neném Baptista e este lhe pediu que fosse à casa de Felizardo e lhe pedisse que repusesse a ponte no antigo lugar, “porquê de Campo Grande e Duna vinha um pessoal com Luiz Barcelos para refazer a ponte desmanchada e abrir o caminho fechado por Olímpio, do que poderia resultar um conflito e que Felizardo não podia morrer porquê tinha nove filhos para dar-lhes o que comer e devia quase dois contos de réis”. Custódio não atende ao pedido de Neném Baptista em virtude de uma chuva que se aproximava.

     Na manhã do dia 5 Neném Baptista parte para Pitangui para acertar a visita do Fiscal. Por volta das duas horas da tarde Pedro Alves de Campos, o Pedro Neném filho de Neném Baptista, voltava para sua casa quando é provocado por Olímpio que lhe ameaça com uma foice e Pedro resiste a provocação de Olímpio sacando uma garrucha. O que será relatado a frente trata-se de uma memória oral contada pelos descendentes de Neném Baptista, não sendo encontrada nenhuma confirmação destes fatos no processo que se instaurou após o crime. É possível deduzir que após as ameaças de Olímpio, Pedro Neném vai até a casa de seu pai e conta o ocorrido a sua mãe. Com a chegada de Neném Baptista, Emília se mostra revoltada com a passividade do marido diante do risco que seu filho correra no encontro com Olímpio. Ainda de acordo com a narrativa familiar, Emília diz a Neném que se ele não era homem bastante para resolver a questão que ele lhe passasse as suas calças e vestisse sua saia. Neste momento Neném pega uma espingarda e vai de encontro aos irmãos Vasconcelos.

     Na construção da ponte trabalhavam além de Felizardo e Olímpio, Francisco, Felinto e João Ribeiro, filhos e genro de Olímpio respectivamente. Francisco escavava a terra para aterrar a cabeceira da ponte, Felinto vinha trazendo uns bois a pedido de seu pai enquanto João cortava um pau com um machado um pouco mais distante. Felizardo e Olímpio se encontravam de pé, fumando, quando foram surpreendidos por Neném Baptista que, com a prática adquirida nas caçadas de que tanto gostava, acertou tiros certeiros nos irmãos. Francisco não chegou a ver quem foi atingido primeiro, mas afirma que Felizardo foi o primeiro a falecer com um tiro preciso que segundo os legistas lhe atingiu acima do mamilo esquerdo que lhe atravessou o pulmão e provavelmente o coração, sendo ainda atingido na região clavicular, estes dois determinantes da morte imediata. Foi observado ainda um orifício no braço que levou os legistas a deduzir que Felizardo tentou se defender do tiro com o braço. Ao ser atingido ainda teria gritado – Que isso? Nesta autópsia foi detectado uma escoriação no calcanhar direito proveniente do tiro desfechado por Juca Neném em divergência anterior já relatada.

Processo de condenação de Neném Baptista que se encontra no 
Arquivo Judiciário do Instituto Histórico de Pitangui

     Olímpio foi atingido do lado direito do corpo na região do fígado e ainda apresentava ferimentos por bagos de chumbo nos braços e no peito além de um ferimento na nuca. Não morreu imediatamente, teve tempo ainda de pedir água ao genro e dizer que tinha sido Neném Baptista o autor dos disparos. Ainda tentaram socorrê-lo mas Olímpio pediu que desistissem pois não resistiria, como realmente não resistiu vindo a morrer cerca de cinco minutos após receber o tiro.

     Neném Baptista foge e na noite do crime aparece em Pitangui, desesperado, chorando e se dizendo arrependido do crime que cometera. Desorientado, vagueia pela região e se refugia no mato, onde passa a pernoitar. São muitos os relatos deste arrependimento, Neném sabia que matara o pai de seus netos, sogro do seu filho e de seu irmão, além de Olimpio que era sogro do seu sobrinho. Estava consciente de que criara um drama familiar e que as cicatrizes deste crime seriam eternas enquanto vivesse.

     Ainda segundo a tradição oral, Neném só se aproximava de sua casa mediante um sinal de sua esposa que batia no pilão quando chegava a hora do café ou do almoço, teria sido traído e antes do nascer do sol do dia 24 de maio de 1915 é preso ao atender a batida do pilão.

     Preso, é condenado a 28 anos de reclusão em regime fechado. Dois recursos, que contaram inclusive com a atuação de Francisco Campos (futuro ministro do governo Vargas) na defesa, não surtiram efeito em reduzir sua condenação. Embora tivesse regalias na prisão, como saídas esporádicas para serviços de capina em terrenos de terceiros dentro da área urbana, Neném Batista passou a ser um homem amargurado, tinha sido criado para o trabalho na terra e além da privação de sua liberdade convivia também com o remorso de ter causado sofrimentos e privações aos próprios netos. Constantemente chorava ao relembrar o episódio que mudara a vida de tantas famílias.

Assinatura de Francisco Campos no processo de condenação de Neném Baptista
Embora se pareça 1912 o ano é 1917

     Transtornado, resolve fugir da cidade seguindo a pé pela linha de trem, mas é recapturado próximo à estação de Engenheiro Bordeaux. Depois de 10 anos recluso, e com idade já avançada, sua saúde fica seriamente comprometida. Em abril de 1925 o médico Agenor Lopes Cançado Filho diagnostica arteriosclerose e uma hipossistolia cardíaca em Neném e emite um atestado médico onde aponta sérios riscos à saúde de seu paciente caso ele permanecesse na insalubre cadeia de Pitangui (onde hoje é o fórum) e sugere transferência para a cadeia de Abaeté. Esta transferência ocorre neste mesmo ano.
     Mesmo em uma carceragem mais condizente com a sua situação, João Alves de Campos falece na cadeia pública de Abaeté no dia 22 de abril de 1926 aos 75 anos. O atestado de óbito indicava gripe como motivo da morte.

Jornal Município de Pitangui de 13 de dezembro de 1964
Dr. Nonô comete alguns erros no relato em virtude da 
complexidade  dos entrelaçamentos familiares

     Agenor Lopes Cançado Filho, o Dr. Nonô, farmacêutico e médico de Pitangui em uma matéria publicada no jornal Município de Pitangui de 13 de dezembro de 1964, faz o relato do caso e descreve Neném Baptista  - Neném Detrás da Serra - do seguinte modo:

        “Neném tinha crédito no comércio e os negociantes disputavam sua freguesia.
       Amigo de meu pai, vinha sempre à farmácia, pois gostava da palestra e do café do Major.
      Bem me recordo dos seus modos agitados, seu temperamento violento, às vezes atrabiliário. Um dia ouvi o Lacerdino dizer que Neném era homem “desensofrido”.

       Claro, alourado, cabeleira rara, trazia na face e nas mãos, marcas pigmentadas de manchas senis.”

Vandeir Santos - Bisneto de João Alves de Campos - Neném Batista


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Escola Municipal Jorge Morato

Foto: Licínio Filho
Na postagem de hoje apresentamos a "Escola Municipal Jorge Morato", localizada no Rio do Peixe, na qual leciono às segundas-feiras, no turno da noite. Ainda estou conhecendo a história da escola, mas já sei que foi fundada em 1963. Em futuras postagens contaremos mais um pouco de sua história.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Salve a Capoeira!!!

Roda de Capoeira em Pitangui-MG.
Foto: Léo Morato/Arquivo do Blog.

Das senzalas, terreiros e guetos para o mundo.

Em uma cerimônia realizada hoje em Paris a UNESCO reconheceu a capoeira brasileira como Patrimônio Cultural da Humanidade. Pitangui faz parte desta conquista, devido a grande representatividade histórica e cultural da capoeira praticada em nossa cidade. Parabéns aos capoeiristas que, pela prática desta arte-luta-dança (símbolo de resistência), contribuem significativamente para a manutenção de nossas tradições, favorecendo também a educação  cultural e a inclusão social!


Foto: Iphan.

"Roda de Capoeira é o mais novo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda acaba de aprovar a inscrição da Roda de Capoeira, um dos símbolos do Brasil mais reconhecido internacionalmente, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A aprovação ocorreu na manhã desta quarta-feria, dia 26 de novembro, na reunião do Comitê, que acontece, em Paris. Agora a Roda de Capoeira se junta ao Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), à Arte Kusiwa- Pintura Corporal (AP), ao Frevo (PE), e ao Círio de Nazaré (PA), já reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade".

Fonte: www.iphan,gov.br. Pesquisado em 26/11/2014.

domingo, 23 de novembro de 2014

Posse das Comissões dos 300 anos

     Neste sábado, 22 de novembro, teve lugar na Câmara Municipal da cidade a cerimônia de posse dos presidentes das comissões encarregadas de organizar os eventos dos 300 anos de Pitangui.

Foto: Vandeir Santos

     Além dos presidentes de comissão, estiveram presentes ao evento o prefeito Marcílio Valadares, secretários da administração pública, políticos, amigos e parentes dos sete empossados que são os seguintes:

Hugo de Castro – Presidente da comissão de História
Judith Viegas – Presidente da comissão das Tradições
Prof. Adelan Brandão – Presidente da comissão de Religiosidade
José Raimundo Machado – presidente da comissão das Riquezas
José Norberto Lobato – Presidente da comissão das Comunidades Rurais
Yole Malaquias – Presidente da comissão das Belas Artes
Maria da Conceição David – Presidente da comissão de Folclore


Presidentes das comissões com seus respectivos diplomas
Foto: vandeir Santos

     Em discurso o prefeito Marcílio Valadares afirmou que estão sendo providenciados os recursos necessários a estruturação e desenvolvimento das atividades destas comissões. Tais provimentos são essenciais para a concretização das ações a serem desenvolvidas futuramente, tendo em vista que esta é uma questão crítica para a evolução de qualquer atividade. Esperamos que esta provisão de recursos esteja compatível com a importância do momento.

Membros da comissão de História Foto: Vandeir Santos

     O secretário de cultura, Antônio Lemos, disse que o próximo passo é a execução de um workshop com uma empresa especializada neste tipo de evento, onde serão explanados quais as atribuições de cada comissão. Afim de diminuir os impactos do curto prazo disponível, a equipe responsável pela História, presidida pelo também Presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, Artístico e Histórico de Pompéu – Hugo de Castro, se antecipou ao workshop e realizou uma reunião prévia na Pousada Monsenhor Vicente, onde foram traçadas algumas linhas de ação coerentes com o tema histórico. Esta reunião contou com a participação especial do jornalista Paulo Henrique Lobato.

Membros da comissão de História em reunião prévia na Pousada Monsenhor Vicente
Foto: Vandeir Santos

     A comissão de História é composta pelos seguintes membros:

Hugo de Castro – Presidente
Francisco Régis Lobato
Iácones Batista Vargas
Felipe Vasconcelos
Licínio de Sousa
Charles Aquino
Vandeir Santos
Marcos Faria – Barrica – como consultor de história (já membro da comissão de Religiosidade)


Comissão de História em análise de documentos
Foto: Vandeir Santos


     O blog daquidepitangui, presente na comissão de História, está aberto a sugestões dos seus leitores e demais interessados em contribuir para o sucesso das comemorações dos 300 anos de Pitangui.

     Especial agradecimento ao empresário Haroldo Vasconcelos por ceder o espaço da pousada para a reunião da comissão.

Vandeir Santos


sábado, 22 de novembro de 2014

COPASA convoca a população para o uso consciente da água

Estamos vivendo a pior estiagem da história recente do Brasil. A falta de chuvas compromete o abastecimento de água em várias cidades e, também, a vida das populações rurais afetadas pela seca comprometendo a produção e, consequentemente, a economia do país.
A cidade de Pitangui também pode sofrer os efeitos da falta de chuvas, como vem ocorrendo na vizinha cidade de Pará de Minas, por exemplo.
Para evitar que o abastecimento de água fique comprometido na cidade, a COPASA está distribuindo um panfleto, de caráter educativo, orientando a população no sentido de adotar medidas para combater o desperdício de água.


 O blog "Daqui de Pitanguy" ciente da gravidade deste problema une esforços no sentido de divulgar esta campanha. Se cada um fizer a sua parte poderemos evitar o racionamento ou até mesmo a suspensão do abastecimento de água. Siga as dicas abaixo e colabore, exerça a cidadania.



quinta-feira, 20 de novembro de 2014

20 de novembro - Dia da Consciência Negra



dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.


Apresentamos um discurso do nosso grande amigo Walmir Alcântara, o Bodô, que tem uma bela trajetória de vida e tão bem representa a raça negra. 
                       

                              20 de novembro feriado nacional

Seria esta a última necessidade da comunidade negra no Brasil? Com certeza não! Mais nos últimos anos estamos vivendo em nosso país, o racismo escancarado e talvez para muitos destes que são contras as políticas em reparação aos danos morais e matérias que o estado brasileiro aplicou na população negra, pensam que só falta os “pretos ter feriado” e por aí vai.

Mais os fatos estão aí, as conquistas estão sendo legitimadas e ao longo dos meus 38 anos, vejo uma revolução de conquistas para o povo negro brasileiro, e sabe qual? A da autonomia do sujeito, que se conquista com o conhecimento, como já dizia o mestre Paulo Freire, uma vez autônomo no pensamento você se torna uma pessoa livre. Assim também pensava o nosso libertador da América, Zumbi dos Palmares, é sabido por nós que as taxas de homicídios, doenças, desemprego ainda estamos liderando, daí a necessidade de avançar, terras quilombolas emperradas na burocracia brasileira, mais devido tanta dor que já passamos e ainda carregamos, prefiro olhar bem em frente, no avante negrada,sabedoria sempre foi a nossa arma.

Não sou muito ligado a datas, acho que foi devido à falta de heróis negros nestas comemorações, mais temos que juntos fortificar celebrações como o dia da consciência negra, pois foram árduas estas conquistas. Mais o interessante disso tudo é pensar que a exatamente há 10 anos, estava eu concluindo a minha graduação na história e relutando o que fazer, pois as políticas para estudante negro ainda eram precárias, continuei a buscar, demorou mais chegou, hoje já não carrego o banzo da áfrica, que parece que junto com nossa cultura ela nos enriquece, mais ao mesmo tempo nos dá um lugar do saudosismo, hoje é sabido por todos nos Negros em Movimento, que a África é do outro lado da rua, basta atravessá-la e verás(Cunha Jr.) 

O sentimento que fica é de entender que cada segundo das suas vidas deve ser guardado como experiência e resguardado na sua memória como já dizia Pierre Nora, isto para frente lhe dará segurança em que você se prestará a fazer. Este sentimento de sabedoria e a necessidade de troca, acaba gerando as nossas relações raciais, costumes, alegrias e dores, nesta pegada acabamos promovendo a nossa cultura afro-brasileira. Ora se o berço da humanidade é a África, logo o mundo é afrodescendente, pena que nós brasileiros muitas vezes nos negamos, mais a arte volta para afirmar, a música musa bate em nosso peito como um tambor de candomblé e o batuque que era da cozinha passou pela sala e voltou para o terreiro, uni-vos todos nós em prol da equidade racial.
Zumbi Vive! Salve o dia da nossa Consciência!

Valmir Alcântara –BodÔ
Músico percussionista/Arte Educador
História Uni BH/Mestrado Educação UFPB -Doutorando Educação –FAE/UFMG




A seguir, postamos um vídeo do grupo belorizontino, Berimbrown, que apresenta uma música mostrando a luta diária do negro no Brasil e a importância da valorização do dia 20 de novembro.






quarta-feira, 19 de novembro de 2014

"Festa do Pilar": 1964


Este registro fotográfico foi feito durante a festa de Nossa Senhora do Pilar, em 12 de agosto de 1964. Não sabemos se as pessoas que aparecem na fotografia faziam parte a encenação "Pitangui no Banco dos Réus" (nem seus nomes), que aconteceu durante a festa daquele ano ou, se tratava de uma locução local. As informações a este respeito serão bem vindas e creditadas.
Ainda em tempo...A foto desta postagem foi disponibilizada por Vandeir Santos..
Vandeir Santos nos esclarece que o Dr. Waldemar Campos é o que está no centro, na fotografia acima.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

ESTIADA



Estiada é o nome da música recém lançada no Canal do Rohr, na voz harmoniosa da pitanguiense Mara Nazar. A Música é de autoria do prof. Reinaldo Pereira (Rohr), João Batista de Freitas e William Santiago. E o vídeo foi produzido pelo Léo Morato, parceiro aqui no blog. Confira!

domingo, 16 de novembro de 2014

A contribuição de Saul Alves Martins para a história de Pitangui

A postagem de hoje homenageia o antropólogo e folclorista mineiro Saul Alves Martins (1917-2009). Formado em Ciências Sociais doutorou-se em Antropologia com tese sobre o artesanato brasileiro. Em 1948, junto como professor Aires da Mata Machado Filho, ajudou a criar a Comissão Mineira de Folclore.

Foto disponível em:http://pt.wikipedia.org/wiki/Saul_Alves_Martins,
acessado em 15/11/2014

Além de professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi Coronel da Polícia Militar, sendo o autor do hino oficial daquela corporação.
Na década de 1960 percorreu o interior do estado de Minas Gerais desenvolvendo diversas pesquisas de campo sobre a produção artesanal regional. Estas pesquisas resultaram em diversas publicações, dentre elas, "A INDÚSTRIA CASEIRA EM PITANGUI", lançado em 1966, onde descreve as várias vertentes da produção artesanal no município, depois de percorrer todas as localidades a ele pertencentes em uma viatura da Polícia Militar. Em um trecho dessa obra Saul Martins descreve aspectos da culinária pitanguiense:

"Bolos, confeitos e doces - Por nos parecer a expressão mais tradicional em Pitangui, nesse adorável campo do populário, registramos, em primeiro lugar, a atividade de Fia ou Maria Marcelina, viúva de Antônio Barbosa. Ela é quem fornece às vendas da Cidade chupetas açucaradas, zoomorfas e antropomorfas, de grande aceitação entre as crianças. Fia mora na Cavalhada, Avenida Dr. Antônio Fiúza, 303, e exerce o ofício há 15 anos.
Com certeza lá não havia de faltar os confeitos e esculturas comestíveis, lá cujo povo se mostra sensível aos valores artísticos e onde são frequentes as reuniões sociais. Elogiadas na Cidade pela variedade e beleza de suas concepções sitoplásticas, Cléa Nunes e sua mãe Geralda Solar Nunes, efetivamente são dignas da fama que têm, no lugar, como decoradoras de bolos-de-noivas ou bolos para festas de aniversário e batizado." (MARTINS: 1966, p. 31)



Este livro é muito interessante, pois, apresenta um meticuloso mapeamento de toda produção artesanal do município de Pitangui, tanto na sede, quanto nos diversos distritos e localidades. Além de sua vasta produção acadêmica, esse reconhecido antropólogo e folclorista mineiro 

"empresta seu nome ao Museu do Artesanato Saul Alves Martins, localizado na cidade de Vespasiano/MG, categorizado como um dos cinco melhores museus de cultura popular do Brasil. Cabe salientar que o museu possui em seu acervo uma grande quantidade de obras doadas pelo antropólogo, fruto de suas pesquisas. [...]"

O Museu foi inaugurado em 1992 e possui, além do rico acervo, biblioteca "e peças históricas originais de artistas populares que retratam tradições e identidades regionais, máscaras de folias, carrancas e peças de cerâmica."


FONTE:

MARTINS, Saul Alves. A Indústria Caseira em Pitangui. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1966.
http://www.oparavideos.com.br/produto/16,,Mestre-Saul-Martins--Sua-Vida-e-sua-Obra.aspx, acessado em 15/nov./2014.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Saul_Alves_Martins, acessado em 15/nov./2014.
http://www.iof.mg.gov.br/index.php?/acao-do-governo/acao-do-governo-arquivo/Museu-do-Folclore-recebe-pesquisadores-e-artistas.html, acessado em 15/nov./2014.

sábado, 15 de novembro de 2014

IBGE nos 250 anos de Pitangui

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas - IBGE, em comemoração aos 250 anos de Pitangui, lançou um informativo a respeito da cidade.

Clique nas imagens para ampliá-las






quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Depois da chuva matinal


Nas imagens de hoje mostramos parte da mata do Céu e da serra da Cruz do Monte cobertas pela neblina após uma esperada chuva de outubro.




Verde perto.
Fotos: Léo Morato.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Tô Piano Um Canto

Neste projeto do Canal do Rohr, o que me chama a atenção é qualidade das composições destes nossos conterrâneos e a poesia contida nestas obras. A música divulgada hoje é a Tô Piano Um Canto - interpretada pela Desirée Santiago, com participação do Zezinho Rachid - cuja letra traz também uma mensagem de conscientização ambiental. Da nossa parte, é satisfatório trazer o passado para o presente, criar, misturar, dar cor e movimento à música, através das imagens de Nicodemos Rosa e Léo Morato. Confira!

Acesse o Canal do Rohr e conheça outras obras musicais  Daqui de Pitangui:  https://www.youtube.com/user/reinaldorohr

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Pitangui e o Estado Novo de Getúlio Vargas

No dia 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas implantou no Brasil uma ditadura,que durou oito anos, este período ficou conhecido como "Estado Novo" (1937-1945). O jornal "Município de Pitangui", na edição de 23 de janeiro de 1943, trazia matéria que ocupava a primeira página exaltando o 6º aniversário da implantação do regime ditatorial varguista.
A leitura da matéria nos permite perceber como representantes do poder político e econômico local estavam alinhados ao regime, então, vigente. Nos revela também que a Escola Normal do município mantinha um coral de Canto Orfeônico idealizado por Heitor Villa-Lobos
Observa-se também o rígido controle dos meios de comunicação em todo país, pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), criado durante o Estado Novo. No cabeçalho do jornal pode-se ler: "registrado no Departamento de Imprensa e Propaganda".


Acervo Instituto Histórico de Pitangui


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Caminhar pelas ruas devagar

Casarões de Pitangui.
Fotos: Léo Morato.
 
Caminhar pelas ruas do centro histórico devagar...
faz bem aos olhos, à mente e ao coração!

Arquitetura e história.

Becos e esquinas.

A praça e o casarão.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

GENEP - Ginásio Escola Normal Estadual de Pitangui - 1962/1963

Formandos do Ginásio Escola Normal Estadual de Pitangui 1962 / 1963

Jairo Dias, Herivelton Máximo, Antônio César Chaves, Adalberto, Antônio Carlos Chaves, Fabiano Rachid Cançado, Maria Elisa Chaves

Foto arquivo pessoal de Fabiano Cançado

terça-feira, 4 de novembro de 2014

O Meteorito de Ibitira



Disponível em:http://www.meteoritosbrasileiros.webs.com/ibitira.html, acessado em 04/nov/2014.


Na segunda metade da década de 1950, um meteorito caiu na localidade de Ibitira, na região Centro-Oeste do estado de Minas Gerais. Márcio Teixeira (2009, p. 130-131), em seu livro "Arraial de Nossa Senhora da Abadia dos Monjolos", nos apresenta este acontecimento. Leia abaixo:


"No dia 30 de junho de 1957, aproximadamente às 15 h. 30 min., ouviu-se um barulho como um trovão e avistou-se uma enorme esteira luminosa no céu descendo em direção ao Oeste de Minas. Assim que soube do evento, o Centro de Estudos Astronômicos César Lates (sic) solicitou aos jornais regionais informações a todos que presenciaram o fenômeno, enviando circulares a todas prefeituras municipais em um raio de 100 km de Belo Horizonte, mas o objeto caiu um pouco mais longe. Era um objeto avermelhado com o rastro prateado, que caiu em uma fazenda, em Ibitira, e espalhou fragmentos pelos arredores. Dias depois um lavrador, ao apanhar lenha na capoeira, encontrou uma pedra estranha e a levou ao farmacêutico da localidade. Era um meteorito de cerca de 2,5 kg, até então desconhecido, com uma camada exterior de preto brilhante típica de alguns tipos acondritos.
A análise feita pelo Instituto Tecnológoco de BH não o classificou como meteorito. A publicação e o reconhecimento se deu em dezembro de 1957, no Meteoritical Bulletim nº 06.
O Ibitira é um único meteorito de extrema raridade. Por diversas particularidades, este meteorito é muito cogitado para os estudos científicos bem como para colecionadores. Quarenta anos após sua queda, o Ibitira foi vendido por uma grande quantia que foi investida em melhoramentos do Centro de Estudos Astronômicos César Lates (hoje CEAMIG), propiciando o reconhecimento e premiação do Centro na descoberta de novos asteróides. Alguns deles possivelmente iguais ao Ibitira. 
Quem sabe não sobrou algum fragmento do Ibitira em algum local próximo da queda?
Para maiores informações deste curioso assunto, damos o site de onde tiramos este capítulo:
www.meteoritos_brasileiros.kit.net/Ibitira.htm"

TEIXEIRA, Márcio Rodrigues. Arraial de Nossa Senhora da Abadia dos Monjolos. Belo Horizonte: Armazém de Ideias, 2009.



Disponível em:http://www.meteoritosbrasileiros.webs.com/ibitira.html, acessado em 04/nov./2014.

Buscando outras informações sobre este assunto na web encontramos registros que um sócio do Centro de Estudos Astronômicos César Lattes, que estava em viagem para Belo Horizonte presenciou o momento em que o meteorito entrou na atmosfera terrestre:

"O sócio se dirigia a Belo Horizonte quando teve sua atenção voltada para uma enorme esteira luminosa seguindo rumo oeste. Assim que soube do evento o Centro tomou imediatamente uma série de providências, solicitando aos jornais regionais informações a todos que presenciaram o fenômeno enviando circulares a todas as Prefeituras Municipais num raio de 100 km de Belo Horizonte.

Observadores de Belo Horizonte avistaram primeiro o bólido a uma altura de 50o, caindo em direção a Martinho Campos, parecendo ter explodido no ar. Pessoas a cerca de 160 km a sudeste do ponto final da trajetória viram que explodiu a apenas 5o do horizonte. Estima-se então que o bólido tenha explodido a cerca de 10 a 12 km da superfície.

Tendo-se em conta que a propagação sonora atinge apenas um raio de 100 km e visível a distâncias incalculáveis, os observadores do CEA César Lattes montaram uma base de operações em Sete Lagoas. Dali orientaram as pesquisas para a área de Martinho Campos, Papagaio e regiões vizinhas, onde se presumia ter caído o meteorito.[...]"

Disponível em:http://www.meteoritos.com.br/index.phpoption=com_content&view=article&id=50:o-meteorito-de-ibitira-um-exemplo-para-os-astronomos-amadores-do-brasil&catid=35:meteoritos brasileiros&Itemid=54, acessado em 04/nov./2014.



Abaixo, imagem do meteorito Ibitira:

Disponível em:http://www.meteoritosbrasileiros.webs.com/ibitira.html, acessado em 04/nov./2014.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O Relógio da Matriz

     No dia 24 de março de 1940, durante a páscoa, o padre José Joaquim de Menezes inaugurava o novo relógio público instalado na torre da matriz de Nossa Senhora do Pilar. Cortesia da Prefeitura Municipal de Pitangui, na pessoa do prefeito Antônio Malheiros Fiúza, o mecanismo havia sido fabricado em São Paulo pela empresa Vitaliano Michelini.

Etiqueta do fabricante no relógio da matriz
Foto: Vandeir Santos

     Este fabricante iniciou suas atividades em 1909 quando chegam ao Brasil, vindos da Itália, Vitaliano Michelini e seu filho José Michelini que montaram em São Paulo uma oficina para a confecção de relógios para torres de igreja e fachadas comerciais. Dentre os mais de 1.200 relógios produzidos, os mais famosos são o relógio da Estação da Luz e o da fachada da antiga loja Mappin (SP). A firma encerrou suas atividades em 1969.

Vista frontal do mecanismo. Foto: Vandeir Santos

     Para que o relógio funcione é necessário utilizar uma manivela que, ao ser girada, recolhe o cabo de aço que sustenta um peso, o qual funciona como um dispositivo de armazenamento de energia, permitindo ao relógio funcionar por um tempo relativamente longo na medida que o peso transforma sua energia gravitacional em energia mecânica movimentando os ponteiros do relógio.

Vista lateral com o mostrador da frente da torre ao fundo
Foto: Vandeir Santos

Engrenagens responsáveis por distribuir o movimento para os mostradores laterias e o frontal.
Foto: Vandeir Santos

     Uma parte do mecanismo fica responsável por acionar um dos quatro sinos da torre que funciona exclusivamente para o relógio, informando aos pitanguienses as horas diárias.

Sino responsável pelas badaladas diárias com o seu martelo situado a esquerda
Foto: Vandeir Santos

     Especial agradecimento ao Dinho da Bia que me conduziu ao alto da torre para que eu pudesse registrar fotograficamente o dispositivo.

Fontes: 

Pepitas de Pitangui - Raimundo Quildário dos Santos - 2006 - página 69.

Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rel%C3%B3gios_Michelini

Vandeir Santos