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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Atividades produtivas em Pitangui e região, na primeira metade do século XIX

Muitos pesquisadores têm se debruçado sobre a questão da organização das atividades produtivas em Minas Gerais durante o século XIX, no intuito de demonstrar que a economia mineira não entrou em decadência com o declínio da produção aurífera, conforme apontou Celso Furtado em sua obra "Formação Econômica do Brasil" (1969).
Nessa obra Furtado (1969) afirma que "não se havendo criado nas regiões mineiras formas permanentes de atividades econômicas - à exceção de alguma agricultura de subsistência - era natural que, com o declínio da produção do ouro, viesse uma rápida e geral decadência. [...]". Afirma, ainda, que, "houvesse a economia mineira se desdobrado num sistema mais complexo, e as reações seguramente teria, sido diversas." (FURTADO, 1969, p. 91).
Porém, autores como Paiva e Godoy (2010) demonstram, por meio de dados do Recenseamento de 1831/32 e também pelos relatos de viajantes estrangeiros , que percorreram a, então, província de Minas Gerais, nas primeiras décadas do século XIX, que, com a crise na produção aurífera, a economia mineira não entrou em colapso, mas, reorganizou-se a partir de diversas atividades produtivas permitindo o desenvolvimento do comércio interregional e interprovincial. Neste sentido, buscaremos apresentar, conforme a abordagem de Paiva e Godoy (2010), como se desenvolveram a atividades produtivas em território mineiro, na primeira metade do século XIX, em especial no que se refere a, então, vila de Pitangui.
É importante lembrar que Pitangui tem suas origens no processo de ocupação da região das minas pelos bandeirantes paulistas, processo esse, que teve início na última década do século XVII e as primeiras décadas do século XVIII, quando uma expedição encontrou ouro na região, onde muitos se fixaram fundando um arraial. Além da exploração do ouro, outras atividades econômicas passaram a ser desenvolvidas na vila de Pitangui e região centro-oeste, que Paiva e Godoy (2010) identificam como "região intermediária de Pitangui-Tamanduá". Denominava-se Tamanduá o atual município mineiro de Itapecerica.

Disponível em: http://www.cedeplar.ufmg.br/diamantina2002/textos/D17.PDF

O estudo dos pesquisadores citados acima, no que diz respeito às atividades agrícolas, aponta para a existência, na região intermediária de Pitangui-Tamanduá, de atividades voltadas à produção de algodão, tabaco e cana-de-açúcar. A pecuária era praticada a partir da criação de equinos, bovinos e suínos, enquanto as atividades de transformação de gêneros da agropecuária apontam a existência de fiações e tecelagens, além da produção de toucinho e couro. Já as atividades extrativistas estavam concentradas na exploração aurífera. O estudo aponta que a região apresentava alto nível de desenvolvimento nas atividades produtivas descritas acima.

Disponível em: http://www.cedeplar.ufmg.br/diamantina2002/textos/D17.PDF

Com relação ao comércio naquele período, o estudo de Paiva e Godoy (2010) apresenta os seguintes dados: equinos, bovinos, suínos, algodão e couro eram vendidos à Corte (Rio de Janeiro), que, por sua vez, fornecia para a região intermediária de Pitangui-Tamanduá manufaturados importados e sal. Em nível interregional, a região desenvolvia atividades comerciais com o sul da província de Minas Gerais, através da venda de couro.



 BIBLIOGRÁREFERÊNCIASFICAS:

FURTADO, Celso. Histórica Econômica do Brasil.
PAIVA, Clotilde Andrade; GODOY, Marcelo Magalhães. Território de contrastes: economia e sociedade das Minas Gerais do século XIX. Disponível em http://www.cedeplar.ufmg.br/diamantina2002/textos/D17.PDF, acessado em 10/11/2014.

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