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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Pelourinho de Pitangui

A postagem de hoje atende a sugestão encaminhada por Maria Cecília Santos Carvalho, interessada em saber sobre a existência de um pelourinho em Pitangui. O texto a seguir discorre sobre este tema.

Escravo no pelourinho sendo açoitado. Gravura de Debret, 1835.
Disponível em:http://www.portugues.seed.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=748&evento=10,
acessado em 19/jan./2015.


O pelourinho tem sua origem no Império Romano. O historiador Sílvio Gabriel Diniz, reproduzindo um verbete da Enciclopédia Portuguesa Ilustrada nos informa:

 "consta que os pelourinhos tiveram a seguinte origem: na Praça do Fórum, em Roma, havia uma casa de que era proprietário um tal Moenius. Este, para poder assistir, com os seus, aos julgamentos dados pelos triúnviros, às suntuosas festas públicas e aos castigos que ali eram aplicados, mandou construir junto da habitação uma grossa coluna de Pedra duns dois metros de altura e sobre ela uma espécie de pavilhão ou mirante. Ficaram a chamar-lhe coluna moneia, e com o andar dos tempos outras colunas semelhantes foram levantadas no fórum de qualquer cidade do império.[...]". (DINIZ, 1966, p. 9) 

Em Portugal, desde o século XII, os pelourinhos eram erguidos sempre em frente aos edifícios que abrigavam a Câmara Municipal. Os pelourinhos estão presentes no Brasil desde o período colonial. Geralmente, eram erguidos quando uma localidade era elevada à condição de vila. Muitos pensam que o pelourinho era utilizado apenas como local de aplicação de castigos. Diniz (1966, p. 8)), nos esclarece que "na verdade não era como local de castigo a sua serventia exclusiva. Usavam-no, também, para afixar editais, bandos, etc., conforme o caso [...]".

Pelourinho de Alcântra/Maranhão/Brasil.
Disponível em: http://www.panoramio.com/photo/30776054
Acessado em 15/jan./2015
Devido à presença de escravos em vendas - nome dado aos estabelecimentos comerciais - a Câmara de Pitangui, em nove de fevereiro de 1743, por meio de edital impôs a seguinte pena: [...]todo cativo que for achado em venda de noite, depois do sinal corrido, será preso e trazido à Cadeia desta Vila e levado ao pelourinho e lhe serão dados cinquenta açoites e o dono da venda onde for achado pagará dez oitavas de ouro pagas à Cadeia [...] (DINIZ, p. 7). O instrumento de açoite era um chicote chamado "bacalhau", feito com cabo de madeira e de cinco tiras de couro retorcidas ou com nós.
Mas, onde se localizava o pelourinho em Pitangui? Ainda recorrendo à Diniz (1966) encontramos as seguintes informações:

"O Pelourinho, à frente da Praça da Câmara, estava erguido bem no meio da rua, que se chamava da Cadeia até a Praça e continuava com o nome de Rua de Cima ou Rua Direita. Próximo ao Pelourinho, na parte de cima, edificaram a Capela de Santa Rita, numa demonstração de que ele não era um monumento infame ou ignominioso." (DINIZ, 1966, p. 8)

Vandeir Santos, pesquisador e colaborador do blog "Daqui de Pitangui" aponta uma hipótese sobre o local onde teria sido erguido o pelourinho em Pitangui:

"Considerando que o pelourinho ficava abaixo da capela que era onde hoje é a atual Câmara e que a Casa de Câmara e Cadeia era onde se situa hoje o prédio da loja do Oscar Morato, podemos deduzir que o monumento se situava ou no meio da atual rua Martinho Campos (antiga rua de Cima ou rua Direita) ou, acho pouco provável, no meio da rua entre o edifício Liliza e o prédio do Oscar. Acredito que as três palmeiras plantadas abaixo da capela tenham sido vizinhas do pelourinho."

A Praça da Cadeia, citada por Diniz, é o que hoje conhecemos por Rua do Pilar. No século XIX, o prédio que abrigava a Câmara Municipal localizava-se na Rua Martinho Campos. Posteriormente a Câmara se transferiria para o Casarão de Maria Tangará.

No Brasil, muitos pelourinhos foram destruídos pelos liberais a partir de 1834, por os considerarem símbolos da tirania portuguesa. Não por acaso, o Chafariz da Praça Getúlio Vargas, popularmente conhecida como Praça da Matriz, foi construído pelos liberais em 1835. Será que as pedras utilizadas para sua construção foram retiradas do pelourinho, após sua demolição? Infelizmente, ainda não temos subsídios para responder a esta pergunta. Que os historiadores se debrucem sobre os documentos e nos tragam novas revelações sobre o assunto.




REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

DINIZ, Sílvio Gabriel. Capítulos da História de Pitangui. Belo Horizonte: Edição do autor, 1966.



CONSULTAS NA WEB:

http://www.portugues.seed.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=748&evento=10, acessado em 19/jan./2015.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pelourinho, acessado em 19/jan./2015.
http://www.panoramio.com/photo/30776054, acessado em 19/jan./2015

8 comentários:

  1. Muito legal o esclarecimento sobre a origem dos pelourinhos e, particularmente, a breve história do pelourinho de Pitangui.
    Quem sabe a proximidade dos 300 anos da cidade não sirva como motivador para um trabalho que mostre o local exato onde ficava o pelourinho destruído.
    A cidade mineira de Itapecerica oferece um interessante exemplo de reconstrução de referências históricas. Lá foram refeitos o pelourinho e chafarizes, reforçando o perfil histórico da cidade.

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    1. Olá Sylvio.
      Sua sugestão é muito interessante. Quando uma cidade tem gestores com conhecimento da história local, como parece ser o caso de Itapecerica, as ações são mais eficientes.
      Abraço.

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  2. Que magia, ver a cidade emergindo de sua letargia...~

    Paulo Miranda

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  3. Considerando que o pelourinho ficava abaixo da capela que era onde hoje é a atual Câmara e que a Casa de Câmara e Cadeia era onde se situa hoje o prédio da loja do Oscar Morato, podemos deduzir que o monumento se situava ou no meio da atual rua Martinho Campos (antiga rua de Cima ou rua Direita) ou, acho pouco provável, no meio da rua entre o edifício Liliza e o prédio do Oscar. Acredito que as três palmeiras plantadas abaixo da capela tenham sido vizinhas do pelourinho.

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    1. Vandeir, suas observações são pertinentes. Vou incluí-las na postagem.
      Abraço.

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  4. Parabéns pela excelente postagem...realmente Pitangui foi palco de grandes acontecimentos que marcaram a história brasileira, que poderia ser ainda mais explorada e divulgada.

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    1. Olá Girlene.
      A história de Pitangui é muito rica e estamos fazendo a nossa parte resgatando e divulgando para o mundo esta história.

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