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quinta-feira, 9 de abril de 2015

O ouro de Pitangui

     Ainda durante a sua primeira década de exploração, o ouro pitanguiense começou a demonstrar sinais de escassez. Não que o metal tivesse acabado, o que aconteceu foi que os bandeirantes retiraram o ouro de aluvião, o ouro que durante milhares de anos desceram das encostas e se depositaram nas várzeas e leitos de córregos. Minas como a do Batatal exigiam um processo muito complexo que demandava explosivos (na época utilizaram pólvora) e pilões movidos a água para moagem do minério.

Pepita de 2 gramas encontrada na área urbana de Onça - Foto: Vandeir Santos

     Com o fim do ouro fácil a mineração entrou em decadência o que não quer dizer que a atividade paralisou totalmente, sempre existiram pessoas que de forma informal ou não buscaram o ouro ainda escondido nas serras pitanguienses. Meu irmão se lembra do Zé da Rita que após as chuvas juntava o cascalho que havia escorrido da Penha pela atual rua Rodolfo Cecílio  e o bateava no córrego da Lavagem, conseguindo assim retirar o pó de ouro e algumas diminutas pepitas do minério.

Pequenas pepitas encontradas na estrada da caixa dágua da Copasa em Onça
Foto: Vandeir Santos

     A tradição oral e alguns relatos literários ainda mencionam a ansiedade de garotos que após as chuvas se lançavam nas enxurradas em busca de pequenas pepitas que logo se transformavam em guloseimas após a venda para o Juca Ourives. Existe o relato de que um morador da rua Martinho Campos abriu sob sua casa um espaço para a estocagem de lenha (meados do século passado) e que amontou a terra no passeio. Assim que choveu a terra foi lavada e apareceram minúsculas faíscas de ouro que fizeram a alegria da meninada.

Pepitas encontradas na área urbana de Onça. A maior pesa 4 gramas - Foto: Vandeir Santos

  A pavimentação das ruas eliminou essa possibilidade de se encontrar o ouro pitanguiense, mas em Onça e no Brumado, onde ainda existem trechos de ruas sem pavimentação, ainda é possível, com sorte, encontrar pequenas pepitas. Carlinhos, morador de Onça, é um desses “garimpeiros urbanos” que aproveita o período das chuvas para correr as enxurradas. A chuva é necessária para que a pepita seja lavada e seu amarelo se torne visível, em seu estado bruto passa despercebida com a cor da terra na qual se encontra. Em uma outra situação um morador de Onça encontrou uma pepita de 4 gramas ao capinar um terreno dentro da área urbana da cidade, situação muito rara tanto pelo tamanho da pepita quanto pelo fato de ter sido descoberta sem a pré-lavagem da terra.
     Ao andarem pelos caminhos de Pitangui fiquem atentos, de repente vocês podem pisar na sorte e nem se dar conta disso.


Vandeir Santos


5 comentários:

  1. De tio Antônio herdei bateia
    ainda virgem no garimpar
    co´ela inda hei de achar sereia
    em Pitangui de tanto a...mar

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  2. Verdadeiro ouro de Pitangui é o que mais abunda aí e aqui: a apresentação do Zé Carlos ontem à noite, no teatro Bradesco - que bem rima com Patesko - foi um show irrepreensível. Dos três Carlos que conheço, além do Roberto e do Erasmo, é o Zé, por certo, o que gera maior entusiasmo. Imaginem que, feito e afoito, como um Astaire com voz, ele fez a platéia dançar...A Lapa ficaria orgulhosa desse galante malandro, cuja minha última lembrança era vê-lo, ginasiano, de uniforme de brim cáqui,
    ainda aspirante a craque - inda simplório, sem suspensório...

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  3. Talvez pelo fim dos anos 50 e princípio dos 60, depois da chuva, meu tio José Maria Rodrigues (Zé Maria Vovô) subia a rua atrás da capela do Bom Jesus até lá no Alto, procurando pepitas. Tinha vidrinhos cheios de pedrinhas em casa, que comercializava por ali mesmo. Nós, os sobrinhos, todos menores dos 10 anos, nos encantávamos com o brilho das pepitas. Apesar de ter-lhe tentado seguir os passos, literalmente, subindo e descendo a Rua Visconde do Rio Branco, vasculhando a enxurrada até a casa do Antônio dos Santos, na beira do corgo, nada encontrei. Meninos, eu vi!

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    1. William, não adianta. Já percorri as regueiras das ruas de Onça onde o Carlinhos encontra as pepitas e não consegui nada. O ouro parece ter vontade própria e aparece apenas para quem ele quer. Acredito que tudo depende da experiência, seus olhos têm de estar treinados para conseguir ver os pequenos pontos amarelos em meio ao cascalho. Não perdi as esperanças, ainda acho alguma pedrinha.

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  4. Visconde, Mestre? Tu que és do Beco dos Canudos, tem sapiência, e Paciência...

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