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sábado, 20 de junho de 2015

A maltratada história pitanguiense

   Nestes 300 anos muito se falou na rica história de Pitangui, de suas revoltas, de seus filhos ilustres e também muita incoerência foi dita em virtude do desconhecimento e do pouco valor que se dá a sua história. O mais grave, na minha opinião, foi uma repórter da Globo Minas narrando a abertura do programa Terra de Minas falando que a elevação à Vila se deu no ano de 1975! Errou a data em 260 anos! Se fosse a história de Ouro Preto será que teria errado? Acredito que não, mas ela se referia a uma cidade perdida no centro-oeste mineiro, longe do elitizado circuito turístico da Estrada Real, cuja importância de seu passado revoltoso nunca foi devidamente reconhecida. Não é a primeira vez que a Globo Minas prejudica Pitangui, no especial sobre os 300 anos do ciclo do ouro exibido na RMBH não citou Pitangui em nenhum momento, nem mesmo quando se referiu as revoltas do período. Mas não vamos resumir as nossas críticas a emissora, afinal a parte que coube a sua afiliada, TV Integração, foi muito bem feita.

   Vamos enumerar aqui alguns erros “nativos”, oriundos de quem teria a obrigação de saber a história de suas próprias raízes:

    1º - Padre Belchior nunca foi pitanguiense, era diamantinense de nascimento.
   2º - A igreja de São Francisco não existia em 1850, sua construção se iniciou em data posterior e só foi concluída em 1873.
   3º - A revolta da cachaça não foi em 1712, foi no segundo semestre de 1719 quando João Lobo de Macedo resolve tributar o produto para a construção da casa de câmara e cadeia, casa do governador e a igreja.
    4º - De acordo com carta enviada ao rei, o motim de 1720 teve lugar a duas léguas da vila o que coincide com as lavras de propriedade dos amotinados, inclusive Domingos do Prado. Outro fator que corrobora esta afirmação é a geografia do lugar que favorece a defesa da posição. Alexandre Afonso não era amotinado, tendo registrado suas lavras por volta de 1750, portanto não houve batalha "em terras de Alexandre Afonso", trata-se de uma agripada.
   5º - Pitangui na língua tupi significa rio das crianças, não pode ser rio vermelho porquê quando se trata de dois substantivos o I (ou Y) vai para o fim da palavra e a grafia de vermelho mudaria para piranga. Pinta-aqui não vou nem discutir.
   6º - É Velho DA Taipa, pois é o velho da casa de taipa. Ainda com relação a casa que teria sido do bandeirante, a casa dita como sendo a primeira de Pitangui, deve ser encarada como referência histórica, é óbvio que aquela casa não é a primeira. Nem a capela da Penha é original, foi destruída e reconstruída mais atrás e mais no centro da praça.
   7º - Não é possível afirmar com certeza qual foi a primeira expedição que chegou a Pitangui e muito menos qual o foi o ano exato. Não existe fonte documental confiável a respeito.

    A própria prefeitura de Pitangui escorregou quando teve a feliz ideia de colocar placas convidativas ao longo da BR 352 a partir da subida do Alexandre Afonso. Mesmo não sendo ela quem confeccionou as placas, certamente orientou, e mal, quem fez o serviço, afinal o chafariz não existia em 1715 e nem a São Francisco existia em 1850. Felizmente uma alma bondosa corrigiu a placa do chafariz, trocando o 1715 pelo correto 1835 que consta no monumento. O que um turista pensaria ao chegar no chafariz e se deparar com outra data? Que a própria cidade não conhece a sua história?

Foto: Vandeir Santos

Foto: Vandeir Santos

Vandeir Santos


4 comentários:

  1. Vandeir, suas observações são pertinentes.
    Além do equívoco da data do Chafariz, a placa contém também um erro ortográfico, já que "bem-vindo" escreve-se com hífen, conforme estabelecido pela nova ortografia da Língua Portuguesa (o uso do hífen, neste caso, é uma exceção á nova regra).
    Abraço.

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  2. De meus tempos de petiz
    muito embora brumadense
    lembro de mais chafariz
    no passado pitanguiense...

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  3. Postagem bastante apropriada caro Vandeir! Parabéns pela atitude que lembra os primeiros habitantes deste Pitangui, que defendiam os interesses da terra. Ah, e Pitangui também NÃO "fica no alto da serra da Cruz do Monte" como já foi veiculado por aí. Um abraço.

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  4. A diferença entre um contador de história e um historiador está na confiabilidade dos detalhes! Gostei!

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