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sábado, 13 de junho de 2015

Um conto do poeta - Fernando Brant

Hoje, o parceiro Dênio Caldas me reenviou um e-mail de 2012, com um conto de Fernando Brant, falando de uma de suas passagens pela encantadora cidade de Lisboa. Então, em homenagem ao poeta que tem raízes pitanguienses e que hoje faz a sua "Travessia", divulgamos o conto publicadao no jornal Estado de Minas em 27/6/2012. Eu aqui com os meus botões, lembrando daquela conversa com o Dênio, sobre os cantos e encantos de Lisboa e ainda extasiado com a virada dos 300 anos de Pitangui do dia 8 para o 9 de junho (cuja resenha preparo com carinho), fico a me perguntar: será que hoje, 13 de junho dia de Santo Antônio, o Fernando Brant deu uma passadinha lá no Bar Ramiro? Obrigado Brant, vá em paz!
 
Fernando Brant.
Foto: Estado de Minas
 
Ramiro (O Zé tinha me apresentado ao melhor bar do mundo )

Em Portugal, sinto-me em casa. Não é só a língua comum, mas o ambiente, as pessoas. Até comemoro com eles os gols de sua seleção: “Purtugal”. Do mesmo jeito que já fui consolado nas ruas depois da derrotas de 1982 e abraçado após nossas vitórias. O fato que vou contar envolve o querido e saudoso José Aparecido, o Zé inesquecível amigo de todos.
Em uma das vezes em que estive em Lisboa, o Zé, nosso embaixador em terras lusitanas, me levou a um bar excepcional. Fim de tarde, mesas lotadas de gente alegre, fui apresentado a uma infinidade de portugueses simpáticos. A cerveja era ótima e havia um tira-gosto, um prato com camarões médios fritos, que aguçava o paladar de todos e ficou na lembrança de meu paladar. Consumimos muitos pratos daquela delícia. Êta noite boa, êta clima de festa da vida.
Quando voltei ao Brasil, disse ao meu amigo Hildebrando Pontes que o Zé tinha me apresentado ao melhor bar do mundo. As circunstâncias desse primeiro encontro com aquela maravilha lisboeta – não anotei o nome do lugar e fomos de carro em plena escuridão da noite iniciada – fizeram com que eu não tivesse referência alguma sobre o local do estabelecimento.
Algumas vezes voltei à cidade, mas nunca pude, por falta de detalhes além de minha admiração por aquele bar, localizá-lo. E o Zé já nos deixara. Conheci a Cervejaria Trindade, beleza de casa de comida e, principalmente, cerveja. Não era a mesma coisa. Amigos me indicaram restaurantes em vários bairros. Frequento, quando ando por lá, o Solar do Presunto e o Gambrinos, os dois na mesma rua do Teatro Coliseu.
Tudo muito bom, mas nada do meu bar inesquecível. Pensei que ele talvez fechara, o que não combinava com um lugar tão tradicional. Ele permaneceu num fundo de gaveta da memória.
Estive recentemente do lado de lá do Atlântico. Por coincidência, me encontrei com o Hildebrando, que, com Lucas Mendes e Ricardo Gontijo, comemoravam a amizade antiga. No feriado de Santo Antônio, 13 de junho, vários restaurante estavam com as portas cerradas. Jussara Silveira, cantora e amiga, que está passando uma temporada em Portugal, resolveu nos conduzir a local que alguém lhe indicara. Fomos andando pela cidade, buscando informações e chegamos em frente ao Bairro da Mouraria.
Andamos um bom pedaço de chão antes de chegar ao local, o Ramiro. Fila na porta, pais com os filhos. Afinal, era feriado. Jussara conseguiu um lugar no segundo andar. Quando subi a escada, não reparei, devido à ansiedade de chegar à mesa, no “meio ambiente” (não é assim que se fala?) do primeiro. Escolhi um vinho de Évora e um pratinho de camarões. Tudo muito bom, garçons finos e comunicativos. Fomos embora de táxi, satisfeitos.
Acordei no meio da noite, vi e senti o que me acontecera. Depois de anos, sem perceber encontrara o meu bar, o Ramiro, na Avenida Almirante Reis, nº 1. Felicidade: viajei no dia seguinte pela manhã com a certeza de que quero voltar lá.
 
Fernando Brant.

3 comentários:

  1. Bonito texto... infelizmente o Brasil fica mais pobre com a saída de cena do grandioso artista Fernando Brant, que tanto nos compartilhou com suas obras. Grande perda... fez a travessia...

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  2. Bonito texto... infelizmente o Brasil fica mais pobre com a saída de cena do grandioso artista Fernando Brant, que tanto nos compartilhou com suas obras. Grande perda... fez a travessia...

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  3. Co´essa crônica deliciosa
    nos deixa, agora, o Fernando
    um ás da poesia e da prosa
    por alguma nuvem, voando

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