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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Vela por nós...

A barbearia do Vela. Foto: Vandeir Santos.

Por Paulo Miranda.

O espaço é exíguo, que dê talvez uns dois por seis. Ou será que exagero? Mas lá, à luz de Vela, as cabeças se iluminam. E o nosso barbeiro, sem barbeiragens é mais que mais um, da improvável dúzia de Fígaros ativos na Velha Serrana. 

Dos tempos do Waldemar Mamede, do Zé do Vô, do Zico e, se puxar pela memória mais remota, até do Geraldo Lemos, estou hoje um tanto desatualizado quanto ao número de barbeiros na nossa cidade. A rigor, na infância era papai, com a sua Haarschneidemaschine manual, que fazia as tonsuras mensais minhas e dos manos menores. Hora temida aquela, não pelo escalpelo que quase se materializava sob a mão firme do Velho, que tudo desbastava e um só topetinho deixava. Não, não. Era mesmo pela impaciência de ficar quieto por uma quinzena interminável de minutos. As meninas é que tinham sorte, ninguém mexia nos cabelos delas...

Mas voltemos ao Vela, cujo nome, se me não falha a memória, é Édson. Édson assim, como aquele divino futebolista que ilustra a parede - de todo quase desnuda - de sua barbearia, na mais famosa companhia: Gilmar, Lima, Mauro, Zito, Dalmo e Calvet, Mengálvio, Dorval, Coutinho e Pepe...Declinei na ordem certa, saudosista leitor? Pode fazer variações aí nessa escalação, que é dos anos dourados do Peixe da Baixada Santista, que fazê-las não há que não resista... E só a figura do Rei é que não sai da pista. 

E, peça a peça,  o Vela segue fazendo cabeças a beça. Mais central dos barbeiros da cidade, sua barbearia é visitada bem mais do que pela clientela usual da tosquia: até por musas que vêm tentar a sorte - pena que não o corte - com sua loteria. Uma folia. Mas a fila segue ordeira, até o momento de se sentar na régia cadeira. E, oposto ao quadro do espetacular Santos de Pelé, está-la bem claro que não se reservam lugares. Democracia nos ares. Minha vez.

3 comentários:

  1. A prosa na barbearia do vela é tão boa que inspirou esta bela crônica.
    Parabéns Paulo.
    Abraço.

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  2. Paulo,
    Muitos me consideram o Indiana Jones de Pitangui, mas quem vive desbravando os matos de Pitangui toda semana é o Vela. Procurador incansável dos tesouros escondidos. Ele é um barbeiro-detectorista-arqueólogo, sempre tem uma peça antiga em seu depósito. Um dia, quem sabe, fica rico.

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  3. Esse barbeiro de truz
    conhece os caminhos do mato
    contudo, o que me produz
    são só caminhos de rato...

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