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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Pitangui é a terra do quê?

Quem passeia por Minas Gerais se depara com várias cidades que agregaram à sua imagem um aspecto de sua gastronomia. Itabirito é a terra do pastel de angu, iguaria que foi declarada patrimônio cultural da cidade, Lagoa Dourada é a terra do rocambole, Salinas é a terra da cachaça, Montes Claros é a terra da carne de sol, nossa vizinha Pompéu elegeu o doce de leite como sua grande representação cultural com direito a registro junto ao IEPHA, e Pitangui, é a terra do quê?

Quando ainda vivo, o então presidente do conselho do patrimônio histórico Ronan Ivaldo defendia a canja de galinha gorda (canja da mulher parida) como nossa legítima representante gastronômica, particularmente eu sempre acreditei mais no biscoito de queijo, não somente pela tradição familiar como pelo fato de trazer no nome a representação máxima da culinária mineira: o queijo. Além do mais, até onde sei, trata-se de um ítem “órfão”, cuja “paternidade” ainda não foi reclamada.

Foto: Vandeir Santos

O jornal Estado de Minas em seu quadro Sabores de Minas já divulgou a iguaria como nossa representante com direito a uma variante da receita (http://sites2.uai.com.br/guiagastronomia/pitangui_biscoito.htm), por outro lado, eu também sempre procurei promover essa quitanda, uma das matérias mais acessadas desse blog é a receita de biscoito de queijo de minha mãe (http://daquidepitangui.blogspot.com.br/2011/11/receita-de-biscoito-de-queijo.html) e durante o levantamento de matérias para o programa Terra de Minas sugeri à jornalista Aline Fonseca que apresentasse o biscoito no quadro de receitas do programa conforme realmente ocorreu com a participação do meu primo Rogério. O fato de haver divergência de receitas demonstra uma diversidade que poderia ser muito bem aproveitada, ampliando a gama de opções do produto, criando uma série de variedades atendendo aos mais variados gostos.



Caberia a secretaria de cultura de Pitangui investir na ideia solicitando o registro como patrimônio imaterial, o comércio entraria com a oferta, variedades e com a publicidade. Como pontapé inicial do projeto, ainda dentro das comemorações dos 300 anos, poderia ser realizado um “Festival do biscoito de queijo” com um campeonato onde seria eleito o melhor biscoito da cidade.

Se nos atentarmos para o fato desse biscoito existir na região fronteira com o Paraguai com o nome de "chipa", é provável que a receita tenha sido trazida para Pitangui por um dos 52 voluntários da pátria que combateram naquelas terras. Ou teria a receita sido levada para lá? Teria de ser pesquisado. É mais um detalhe que colabora para a importância dessa receita para a história de Pitangui.

A sugestão está dada, a tradição está do nosso lado, falta, portanto, iniciativa tanto por parte da prefeitura quanto por parte do comércio.


Vandeir Santos


14 comentários:

  1. Sem querer ser muito afoito
    antes que se molhe o biscoito
    e de oitenta se chegue a oito
    não é nossa, a terra do coito?

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  2. Agora em mais sóbria nota,
    com o biscoito na parada:
    seria prenunciar derrota
    a gente sugerir empada?

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  3. Sua ideia é ótima ! Um festival do biscoito de queijo é a melhor forma para divulgar o que existe de mais saboroso na culinária pitanguiense.
    Maria Edite

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    1. Prima, obrigado por suas palavras de incentivo. A ideia foi muito bem aceita, esperemos por alguma atitude prática.

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  4. Mais uma excelente ideia, amigo Vandeir! Tomara que órgãos públicos e comércio abracem a proposta e deem início à iniciativa. Estarei lá para experimentar!

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  5. Obrigado Ricardo, dando certo contaremos com a TV integração cobrindo os acontecimentos.

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  6. Meu caro Vandeir, e não podemos nos esquecer que "quem vai a Pitangui, não bebe água da Mina, não come os pés-de-moleque da Tifina nem os biscoitos da Sabina, não foi a Pitanguy"!
    Luiz Vasconcelos

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    1. As receitas podem se perpetuar Luiz mas infelizmente a água já não jorra há muito tempo. Sua lembrança é oportuna, seriam de queijo os biscoitos da Sabina?

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  7. Mais uma ideia oportuna e legítima do blog Daqui de Pitangui.
    Não deixem que sabotem e apropriem esse projeto de vocês.
    Em Pitangui não existe um prato ou uma referência culinária que
    possam falar "Pitangui é a terra do prato tal..." "Festival do prato tal ... de Pitangui", assim como Salinas é terra da pinga, O Serro é terra do queijo, Sábara terra da jaboticaba e do ora pro nobis. Até Onça de Pitangui tem uma churrascaria que referência culinária. Conceição do Pará, em função do Rio, com o peixe frito e ensopado. E Pitangui? Não tem nada. Idéias como essa tem valor em qualquer lugar do mundo. Em Pitangui, não. Ao contrário. Na Velha Serrana você tem que ser amigo dos poderosos, para que suas ideias se firme. A puliticagem e o coronelismo ainda reinam no burgo.

    Parabéns ao blog

    Ps.: A propósito, vocês conhecem o secretário da cultura daqui de Divinópolis

    Roberto Venâncio

    Roberto Venâncio

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    1. Roberto,
      Em virtude das circunstâncias atuais não acredito em nenhuma ação a curto prazo. Minha intenção foi plantar uma semente, despertar Pitangui para uma oportunidade de melhorar sua imagem e sua economia. Concordo contigo na questão das dificuldades, isso é uma característica antiga, o próprio Vicente Soares quando ainda era padre já reclamava desse vício pitanguiense. Vamos esperar pelos acontecimentos.

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  8. Gostei do post, Vandeir Santos. Sou fã da culinária mineira, e o biscoito de queijo me acompanha desde muito cedo, foi uma das primeiras delícias que comi quando criança, lembro da minha tia e primas fazendo a massa e eu ao lado, degustando aquela delícia antes mesmo de ir ao forno. São coisas simples e que fazem toda a diferença, pois nada melhor que um biscoito de queijo acompanhado com um café fresquinho na parte da manhã ou no lanche da tarde. Parabéns pela ideia do festival é uma boa e grande sugestão, já que nenhum evento sobre este assunto já havia sido feito na região. Existem vários festivais de comida mineira, mas nenhum que focasse no biscoito de queijo e o ar bucólico que ele nos remete. E é excelente para divulgar a cidade, através do seu principal produto e culinária, oferecendo aos consumidores um dia de experiências deliciosas, além de contar com música, diversão, lazer e atrações culturais. Que sua ideia seja apoiada e realizada.

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  9. Oi amigo Vandeir. Eu já estou dentro, quero dizer...... para saborear os biscoitos no festival. Uma ideia interessante, brilhante, saudável e GOSTOSA demais. Concordo com o que todos acima disseram sobre o turísmo, os encontros, o personalizar a cidade em algo assim, as dificuldades infindas sempre e tudo o mais. O fato é que esta ideia seja comprada e executada por pessoas que de fato queiram pensar GRANDE, quero dizer com isso, pensar na cidade. Trazê-la a baila com toda a sua beleza. Já pensou os turistas passeando pelas ruas na procura dos pães de queijo? Só o fato de estarem em Pitangui já seria bom demais e comendo esta iguaria, ........ para ser franco....... eu não quero nem que Deus me ajude.......
    Um grande abraço e que este festival possa trazer junto, os músicos da cidade, pois comida e música fazem um par perfeito para qualquer dia ser agradável.

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    1. Com certeza Zé Carlos, o biscoito de queijo e a autêntica MPP - Música Popular Pitanguiense fariam um par perfeito. Uma pena que todo evento que se vê em Pitangui só se escuta lixo. Mas pensemos GRANDE como você disse e torçamos para que um dia ocorra um festival unindo o que existe de melhor na cultura culinária e musical pitanguiense.

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