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terça-feira, 29 de setembro de 2015

O que jorra na fonte da Gameleira

Ficou muito bonita a obra que a prefeitura de Pitangui fez na fonte da Gameleira, há quem a julgue desproporcional até. O que muitos desconhecem, perigosamente, é a desproporcionalidade entre a qualidade do acabamento dos muros e a qualidade da água que jorra em sua fonte. Em uma análise feita no final do mês de agosto o valor da análise bacteriológica chegou a > 2.419 coliformes totais! Qual o valor máximo admitido? Zero!





O que são coliformes

Segundo consta na Wikipédia, “Coliformes são grupos de bactérias indicadoras de contaminação e são formados pelos gêneros Escherichia, Citrobacter, Enterobacter e Klebsiella.
As bactérias do grupo coliforme habitam o intestino de animais mamíferos, como o homem, e são largamente utilizadas na avaliação da qualidade das águas, servindo de parâmetro microbiológico básico as leis de consumo criadas pelos governos e empresas fornecedoras que se utilizam desse número para garantir a qualidade da água para o consumo humano.
Há os coliformes totais, que são grupos de bactérias gram-negativas, que podem ou não necessitar de Oxigênio - Aeróbicas ou Anaeróbicas, que não formam esporos, e são associadas à decomposição de matéria orgânica em geral. Há também os Coliformes Fecais, também chamados de Coliformes Termotolerantes pois toleram temperaturas acima de 40ºC e reproduzem-se em menos de 24 horas. Este grupo é associado às fezes de animais de sangue quente.
Pelo estudo da concentração dos Coliformes nas águas pode-se estabelecer um parâmetro indicador da existência de possíveis microorganismos patogênicos que são responsáveis pela transmissão de doenças pelo uso ou ingestão da água, tais como a febre tifoide, febre paratifoide, disenteria bacilar e cólera.

 Foto: Vandeir Santos

População coletando água para consumo 
Foto: Vandeir Santos


A administração atual (e mesmo a antecedente) não é culpada pela contaminação da fonte, mas é omissa na medida que não monitora e não comunica à população a qualidade da água que jorra em suas bicas. Se monitora, por que não comunica? Nessa última segunda-feira fui ao local e além de constatar que não há nenhum comunicado flagrei pessoas enchendo garrafas pet para consumo humano! Uma senhora disse consumir a água há décadas e que aquilo é uma graça divina e afirmou ainda que as bicas da lateral não estão contaminadas. Como não estariam se a fonte é única? Estaria a mina dessas bicas laterais situada a quilômetros dali?

Garrafas pet que a população utiliza para coleta da água contaminada 
 Foto: Vandeir Santos

Há quem diga que a contaminação se deve a uma antiga rede de esgoto que corta a mata e que deve ter sido rompida pelas raízes das árvores. Como é uma obra da época em que o serviço era municipalizado, não há planta dessa rede e seria necessário escavar todo o perímetro da fonte para localizar e desviar essa tubulação para que a longo prazo o problema se resolva e a população pare de beber suco de bactérias.

Vandeir Santos


2 comentários:

  1. Vive essa fonte jorrando
    como bênção verdadeira
    cabe pois não ir secando
    sua sedução verdadeira...

    Matando a sede, e a lavadeira

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  2. Publicação útil e pertinente! Tomara que as autoridades locais coloquem o compromisso com a população acima de interesses e vaidades e tomem as providências de monitorar e divulgar à população a qualidade da água.
    Tomara também que a prefeitura consiga pessoal qualificado e verba para as obras necessárias de modo a garantir que a fonte forneça água limpa para a população e os visitantes, afinal os tempos atuais mostram o quanto uma fonte de água é um patrimônio que valoriza o local que o possui.
    Nem imagino o quão trabalhoso deva ser uma empreitada dessa, mas cidades como o Rio de Janeiro e outras aceitaram o desafio de sair da zona de conforto das justificativas para procrastinação e encaram obras difíceis, porém necessárias.

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