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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2015 termina e a Biblioteca Pública Municipal continua fechada

O ano de 2015, quando Pitangui completou 300 anos, chega ao fim e a cidade ainda está sem a sua Biblioteca Pública, já que, desde abril do corrente ano, a "Biblioteca Municipal Getúlio Vargas" foi desativada, para que no local onde estava instalada - o prédio da antiga estação ferroviária - fosse reformado, para ali ser instalado o "Museu Sacro", que ainda não foi inaugurado. Desde abril, a população da cidade está impedida de ter acesso ao acervo da biblioteca, que está encaixotado e acomodado precariamente em um imóvel localizado na rua Nestor Aguiar nº 19.



Marci Cançado Silva Flávio, formada em Biblioteconomia pela UFMG e funcionária concursada da Prefeitura de Pitangui desde 2010 nos relata a situação atual da Biblioteca Pública Municipal. Segundo ela, em abril de 2015, ela e outro funcionário da Prefeitura, Alair Kennedy de Paulo acionaram o Prefeito Marcílio Valadares e o atual Secretário de Cultura, Antônio Lemos, no Ministério Público devido às péssimas condições do local, onde, a princípio seriam colocados o acervo da Biblioteca (um imóvel localizado na rua Lima Guimarães esquina com a rua Nestor Aguiar).


Após esta iniciativa dos funcionários públicos municipais, ainda segundo Marci Cançado, o prefeito garantiu que novas instalações para abrigar a Biblioteca Municipal seriam inauguradas em 15 de novembro de 2015, sendo definido que o prédio do antigo Museu abrigaria a Biblioteca, após o término das Reformas, que também não foram concluídas.


Marci Cançado, que é a responsável pela Biblioteca Pública Municipal nos relata que, quando assumiu seu cargo a biblioteca já funcionava no prédio da antiga estação ferroviária, que havia sido reformado na gestão do prefeito Eduardo Lopes Cançado para este fim. Desde abril de 2015 ela deixou de funcionar. A princípio contava com 6 funcionários e hoje apenas 2, afirma Marci.


Ainda, segundo a bibliotecária, eram feitos cerca de 80 empréstimos de livros por mês, além do espaço da biblioteca ser frequentado por estudantes das redes de ensino pública e privada do município, e também de cidadãos que ali buscavam condições para estudos voltados à concursos públicos e o ENEM.
Marci também desenvolvia na Biblioteca Pública Municipal dois projetos: um voltado para a formação de leitores e outro de contação de histórias, voltado para o público infantil. A biblioteca tem, em torno, de 16.000 exemplares de livros, que hoje encontram-se dentro de caixas de papelão sujeitos a ataques de traças e ratos. Há quinze dias, as dependências do local foram invadidas por águas da rede de esgoto colocando em risco parte do acervo, além de por em risco a saúde dos funcionários que ali trabalham.
No dia 22 de dezembro, Marci Cançado e Alair Kennedy reuniram-se com o Secretário de Cultura, que garantiu novas instalações para a Biblioteca Pública Municipal, que será instalada próxima à Matriz de Nossa Senhora do Pilar, com inauguração prevista para o dia 29 de janeiro de 2016. Resta saber se o imóvel que abrigará a Biblioteca Pública Municipal terá as condições necessárias para seu funcionamento e uso da população.
Um ano letivo terminou e outro está prestes a iniciar e nada justifica o fechamento de uma biblioteca pública, absolutamente nada. A formação cultural e educacional passa pelas bibliotecas, não valorizá-las demonstra falta de comprometimento com a cultura e com a educação. Assim completamos 300 anos. 



6 comentários:

  1. É lamentável a Biblioteca permanecer esse tempo todo de portas fechadas, e o acervo bibliográfico, no entanto, estarem inacessíveis ao público, e nem sequer tem previsão de reabertura, isso é muito prejudicial. Faz uma falta imensa, realmente. Falta de interesse político. Torço para que 2016 não seja mais um ano sem a Biblioteca Pública Municipal, pois ela é um equipamento cultural valiosíssimo para cidade, seja para aqueles que estão pesquisando algum tema, seja para aqueles que querem fazer apenas uma boa leitura.

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  2. Como doadora de grande parte desse acervo, como leitora assídua, como defensora da VERDADEIRA cultura para todos e como cidadã, me sinto extremamente afrontada com um CRIME desses. Uma cidade sem biblioteca publica simplesmente NÃO EXISTE, meu Deus! Alguém precisa tomar alguma providencia pra que essa sandice absurda cometida pela administração municipal tenha um fim!

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  3. Uma cidade de 300 anos sem biblioteca ou museu, com imóveis históricos em frangalhos, como já denunciado pelo blog, mostra quão excessivamente digna é a atual administração municipal. Quando se nega educação, mata-se o futuro das pessoas que não terão acesso aos livros ou sequer contato com o acervo sacro, enfurnado há décadas no prédio do Banco do Brasil. Não se pode preservar a memória daquilo que não conhecemos. Mas talvez haja um sério interesse de que as coisas continuem como estão. Alguém certamente ganha com tamanho descaso. Tenho certeza de que não é a maioria da população de Pitangui, por ora condenada ao ostracismo cultural.

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  4. Era bom o tempo antigo
    onde, via-se, tínhamos raízes
    agora, por onde sigo
    sempre há crises, sem Achryses...

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  5. Nem tudo são flores no ano em que Pitangui completou seus 300 anos...
    Até aí normal, afinal a perfeição é uma condição possível, mas difícil de ser alcançada e mantida.

    O que não se justifica é um denunciado sucateamento da cultura da cidade por se fechar a biblioteca pública, com descaso a um reduzido número de abnegados funcionários e ao acervo que pode ser perdido num curto espaço de tempo por falta de zelo. Acervo este conseguido ao longo de décadas de investimento público (por parte de administrações preocupadas com a educação) ou doações de cidadãos focados na manutenção e disseminação da cultura, notadamente para um público com pouco dinheiro e muita vontade de se instruir.

    Aumentem a divulgação e pressão aos responsáveis sobre a atual condição, para que forneçam um local – mesmo que temporário – que possibilite a manutenção de todo o acervo e acesso à população de pelo menos parte dele.
    Mofo, água, traças, ratos e outros agentes destruidores não perdem tempo e se beneficiam diante de desculpas esfarrapadas ou descaso dos agentes públicos.

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