Seguidores

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A galinhada

Imagem ilustrativa, essa não é a galinha surrupiada.
Foto: Léo Morato.

Para a nossa grata surpresa, o conterrâneo Juarez Machado iniciou se no ofício de contação de causos e de vez em quando tira um coelho (ou galinha) da cartola, compartilhando lembranças de fatos vividos na infância, adolescência e juventude em Pitangui. Para abrir a seção segue abaixo o primeiro causo do Juá, que deve ter acontecido lá nos anos de 1970...
 
 
A galinhada
 
Bons tempos de Pitangui.  Era um final de ano, sexta-feira. Após fazer a última prova final, feliz da vida por ter me dado bem, chamei os amigos Cacá do Miguel Sabino, Zé Antônio Prisco, Marcos Boy, e fomos providenciar uma penosa e fazer uma galinhada. O Prisco já foi dizendo que seus pais  Zé Pinto e D. Lourdes tinham ido pra fazenda e a barra tava limpa para pegarmos a penosa.

 Saímos do Colégio de noite, às dez e meia, após terminar a prova. Descemos a rua Francisco García, e o Boy já tinha pulado o muro da vítima pra buscar a galinha, enquanto nós aguardávamos encostados no muro da residência do Prisco. Nesse momento,  o Pedrinho do Pingo, meu pai, aponta lá em cima. Vem descendo o morro para se recolher e me chama para dormir mais cedo, porque eu teria que trabalhar na loja no sábado e também seria eu o responsável por abrir as portas antes das oito. Disse a ele que iríamos fazer uma galinhada e que não se preocupasse, e que poderia contar comigo no abrir a loja cedo. Conversa vai, conversa vem, o Pedrinho do Pingo insistindo e eu resistindo. 

Nesse instante, o Boy despenca do muro com a galinha debaixo do braço e caiu justamente em cima do Pedrinho do Pingo.  Aí lascou.  Morro abaixo saiu rolando o Boy, galinha cacarejando e também o Pedrinho do Pingo que foi logo xingando:

- Cambada de desocupados. Agora sei por onde andam as minhas galinhas também.

Mas por fim todos caímos na gargalhada, até o Pedrinho do Pingo, que acabou convidando pra fazer a galinha lá em casa. Todos agradeceram e ficou para uma outra oportunidade. Afinal de contas, já não tinha graça, porque galinhada tem que ser escondido, não é mesmo?
 

(Juarez Machado)

4 comentários:

  1. Vamos agora brindar/
    nosso "causuísta" da vez/
    que já foi de galinhar/
    e é hoje pura sensatez...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Brindaremos sim caro Embaixador, e agradeço a Você e também ao Embaixador Willian Santiago, pois foram vocês os meus maiores incentivadores. Um abraço. Juarez Machado

      Excluir
  2. Causo interessante e engraçado. Antigamente, era comum o roubo de galinhas nos quintais, pois toda casa tinha um quintal e todo quintal tinha um imprescindível galinheiro. Os jovens daquela época não tinham muitas opções de diversões e acabavam inventando aventuras para poder se divertir! Após o roubo das galinhas, a turma reunia-se, contavam a aventura que foi o roubo e saboreavam a deliciosa galinhada. Agora a prática mudou. Os larápios estão invadindo os quintais das casas que têm coqueiros e sem permissão dos seus donos, levam dezenas de cocos, fazendo a farra com a roupa alheia.

    ResponderExcluir
  3. Realmente Girlene, observe que fomos adquirir a penosa na casa de um de nós, que também ofereceu pra ser na sua residencia, uma vez que seus pais não se encontravam, mas foi com autorização dele.

    ResponderExcluir

Obrigado por comentar nossa postagem. Ah... não se esqueça de se identificar.