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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Crônicas do Embaixador

A Venda do Tisnado. Foto: autor desconhecido.
 
É bom ouvir os causos da Venda do Tisnado e rever as raras fotos daquele estabelecimento comercial de Pitangui, que tinha características peculiares. Mas ouvir os detalhes da lida no armazém, fica melhor ainda quando narrado por quem vivenciou aquele cotidiano de Pitangui de outros tempos.

 
Tisnado e Dodô
 
Por Paulo Miranda.
 
Tisnado e Dodô podiam bem compor uma dupla de atacantes de time de várzea, ou uma de sertanejos, reminiscente dos tempos de Perácio e Patesko, ou de Jararaca e Ratinho. Mas, na Velha Serrana ancestral, preferiram investir no comércio, e dele sempre foi que viveram.
 
Negócio modesto, uma vendarmazém de utilidades domésticas e, invariavelmente, uma carga de rapadura sobre o balcão. A localização, numa esquina que confrontava a rua São José com a rua do Olaria, não chegava a ser central, mas satisfazia. Era passagem de muita gente pros afazeres da cidade, que iam das obrigações religiosas na matriz, abastecimento, atos públicos, ao entretenimento, tudo pro povo chamariz.
 

Tisnado atendendo a um cliente. Foto: autor desconhecido.
 
O que chamava mais a atenção do freguês habitual, ou do passante eventual é que ambos os irmãos passavam a maior parte do tempo sentados à porta de seu estabelecimento, do lado de fora. É que o
espaço interno, bastante exíguo em função do amontoado de mercadorias por toda parte, no teto inclusive, tornara-se mais opressivo do que convidativo.
 
O forte, antes do aparecimento do plástico, eram as quinquilharias de latão, ferro ou alumínio, que se misturavam às vassouras, enxadas, foices, regadores, cordoalha, e Deus me valha, a memória até falha. Comprar um bem em meio àquele labirinto, era um teste de sorte do encontro, ou da disposição dos vendeiros de mais procurar. Não raro, admitiam ter o produto mas pediam algum prazo para o localizar. Amanhã, era a expressão mais salutar a se encontrar.
 
Cliente procurando a mercadoria. Foto: William Santiago.
 

As rapaduras do balcão não pareciam coadunar com o propósito mais utilitário do espaço. Por essa razão talvez, após anos seguidos de exposição, viviam coladas uma na outra e formavam um bloco de respeitável solidez. Formão e martelo precisam ser acionados para as desgarrar. E nem formigas pareciam para eles ligar. Abrir ou fechar aquelas portas de madeira antiga, não pintada, era
também exercício de força e de imaginação, nada impedia que se engastaiassem com alguma pilha de bens que se aluísse por algum esbarrão, ou espontaneamente.
 
A vida familiar dos irmãos era um outro mistério, dada a sua reserva de tocar ou obrar em assuntos pessoais. Deixa pra amanhã, rapaz.
 
Tisnado. Foto: autor desconhecido.

2 comentários:

  1. "Tê tem, só não sei onde tá" Era que sempre ouvia,qdo eu ia em sua venda comprar.E de lá não levaria nada, se não fosse eu mesma procurar!.Tempo bom,daqui de Pitangui! Luciana Caldad

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  2. "Tê tem, só não sei onde tá" Era que sempre ouvia,qdo eu ia em sua venda comprar.E de lá não levaria nada, se não fosse eu mesma procurar!.Tempo bom,daqui de Pitangui! Luciana Caldad

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