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sábado, 2 de abril de 2016

Pelas palavras de Carolli

Roberto Carolli. Foto: Acervo pessoal.

Na postagem de hoje divulgamos mais um capítulo da história cultural pitanguiense, escrita em meados da década de 1980. Pelas palavras do professor Roberto Carolli - poeta, escritor e produtor cultural independente - voltamos no tempo para saber de suas experiências, feitos e dificuldades vividos há 30 anos no Movimento Pitaculta. Como premissa deste Blog, destacamos as importantes contribuições daqueles que vieram antes de nós, norteando as ações do presente, para que a nossa identidade histórica cultural permaneça autêntica para as futuras gerações!

 
 
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Naqueles idos de 1985

Por Roberto Carolli.

Naqueles idos de 1985, era eu um jovem que sonhava em transformar a sociedade com a poesia. Nesses devaneios, juntei-me a uns amigos que compartilhavam da mesma utopia e fundamos a ASPOM – Associação Poeta Menor. Com a ASPOM, criamos um periódico denominado MANIFESTO. O jornal Manifesto cumpriu com o seu objetivo que era divulgar a poesia dos *poetas menores de todo o Brasil. Nesse interim, outro grupo de pessoas criou o PITACULTA – Movimento Pitanguiense de Ação Cultural. O Pitaculta chegou como uma avalanche cultural. Promoveu exposições de artes pela cidade e o I POECONTOS – Concurso Brasileiro de Contos e Poesia. O concurso foi um grande sucesso, sendo finalizado com um coquetel de premiação e a publicação de uma antologia contendo os melhores textos do certame. A Aspom e o Pitaculta tornaram-se parceiros, como pode ser comprovado em edições do Jornal Correio de Pitanguy, que também estava em voga naquele período.

No ano seguinte, fui indicado para a presidência do Pitaculta. Confesso que fiquei assustado com tamanha responsabilidade, pois tinha apenas 20 anos de idade e nenhuma experiência, e a bola estava sendo passada por nada menos do que pelo saudoso Jomba e William Santiago, principalmente.

Em 1987, fizemos o 2º Poecontos, cuja cerimônia de premiação foi espetacular! Teve até a apresentação de grupo de balé, mas não conseguimos publicar a antologia. Nesse mesmo ano, promovemos, além de outros eventos, uma apresentação teatral que foi um fracasso de público, comparecendo apenas 70 pessoas, o que resultou em prejuízo financeiro para a entidade, prejuízo este, acumulado à dívida contraída junto ao grupo de balé que, logicamente, não apresentou de graça. No final das contas, acabei tendo que usar do meu próprio dinheiro para cobrir as referidas despesas. A falta de apoio e reconhecimento do poder público da época - que não difere do da atualidade - e mesmo da sociedade civil, agregado à minha inexperiência e também dos outros membros da diretoria, levou o Pitaculta ao caminho da extinção. Após o meu mandato, chegou a ser composta uma nova diretoria, mas o fadado fim foi inevitável.

Apesar de sua extinção, o Pitaculta protagonizou um belo capítulo da história de Pitangui, quando muitos talentos foram descobertos na cidade, e o nome da Sétima Vila foi levado aos longínquos rincões do país através das edições do Poecontos.

*a nomenclatura Poetas Menores denota não menores de idade, como alguns pensavam, mas, menores no sentido de desconhecidos, não consagrados.

 
Poeta de Roberto Carolli publicado em 1986 no livro Poecontos.
 

Um comentário:

  1. Carollice, uma virtude
    de nossa cultura, expoente
    Pitangui não desilude
    gente que gosta da gente...

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