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terça-feira, 10 de maio de 2016

Querem destruir o secular arrimo da Matriz?

Esse é o tipo de notícia que torço para que seja um delírio, um mero boato, simples lenda do imaginário popular pitanguiense. Com tantas outras prioridades não é possível que queiram destruir um arrimo centenário em nome de uma descabida remodelação arquitetônica que ao meu ver não encontra respaldo em nenhuma justificativa lógica. Seria para ajudar a compor um triste cenário com as outras duas aberrações arquitetônicas do conjunto? o prédio do Saul e do Bejjani? Ambos foram erguidos no lugar de casarões centenários e são o supra sumo do mal gosto e da incoerência com o patrimônio histórico pitanguiense.

Foto da antiga Matriz com o seu secular arrimo

Outro detalhe que acredito que levariam em consideração é o fato da probabilidade de existir na parte alta do adro algum túmulo uma vez que era prática comum utilizar essas áreas para o sepultamento da população quando ainda não eram utilizados os cemitérios. Ainda podem ser vistos nos adros de igrejas de outras cidades históricas. Na própria matriz quando da construção da casa paroquial foram encontrados diversos túmulos. Mas o quê que tem né? Se existir é só tirar os ossos e jogar na caçamba, simples assim! 

Foto da Matriz recém-reconstruída preservando o arrimo.

Se toda essa história procedesse com certeza haveria um acompanhamento arqueológico (mas que não fosse feito pela empresa de dedetização multitarefa que faz a sinalização  do trânsito da cidade). Outro detalhe, se fosse verdade certamente a população seria consultada e também o IEPHA para que o órgão fizesse a devida análise do projeto. Ah! me esqueci, o IEPHA aprova até escada de granito polido em igreja do século XIX, não tem porquê criar caso com um muro do século XVIII. Por outro lado me estresso de graça, afinal essa história toda é só um boato.

Vandeir Santos


7 comentários:

  1. Vandeir aqui divergimos
    e bom é pra democracia
    tirados esses arrimos
    vê a foto, ela ainda extasia...

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  2. Espero mesmo que seja só um boato. Se não for, devemos nos mobilizar e não deixar que aconteça.

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  3. Mirando esta foto, mais que centenária agora, dou-me conta de quanta harmonia então existia com o adro nu, nutriz da beleza espargida da velha matriz. A suave rampa, que a vista encampa,
    dava perfeita noção da comunhão entre o plano dos fiéis e do divino inspirando a elevação, o consolo, em harmoniosa união...

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  4. É um absurdo querer destruir esse rico patrimônio histórico edificado, já não basta os casarões centenários citados acima que foram desaparecidos da paisagem, fazendo com que o espaço urbano perdesse também sua memória e identidade!

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  5. Excelente artigo, Vandeir. Confesso que vim a este espaço de comentários com a esperança de ver aqui algum comentário por parte de alguma autoridade municipal (seja prefeito, vereador, secretário de Cultura etc.). Mas, olha só que coisa... Nenhum deles comentou. E não é questão de dizer que não viram. Eles viram, sim. Estão de olho tanto quanto nós. Como já não bastasse aqueles quebra-moas de Itu, que são verdadeiras aberrações e que descaracterizaram uma parte importante do Centro Histórico (eu queria saber de qual cérebro saiu aquela ideia, porque olha...), agora vêm com essa iniciativa bizarra de provocar mais uma sangria no patrimônio histórico pitanguiense.

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  6. Para a rampa nua, olhem bem
    vejam que linda paisagem:
    sacro e profano interagem
    e os anjos dizem ah, bem...

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  7. Talvez a intenção seja revirar os túmulos e saquear todas as jóias que foram sepultadas com os que lá descansam...

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