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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Sarau na Varanda


 
Na noite de sábado, a varanda da Pousada Monsenhor Vicente foi palco de um grande Sarau, promovido de maneira espontânea, reunindo amigos amantes da literatura. O texto que nos conta sobre o evento é do conterrâneo Paulo Miranda e a ilustração fica por conta das imagens da professora Albertina Nazaré. Parabéns aos participantes e aos organizadores, Pitangui precisa disso: espaços e atitudes culturais!
 
Osvaldo André, Poeta

 Com mais de uma centena de atentos olhares à sua volta, na varanda da
aprazível e bem mais que centenária Pousada Monsenhor Vicente, em
Pitangui, o Poeta-Escritor Osvaldo André, baluarte da literacultura
divinopolitana, viu, ouviu e sentiu, na noite do dia 30 de abril,
quanta orgia provoca a  poemia de sua autoria.

 

 Suas obras Lua nova e As mesmas palavras, as mais recentes de sua
lavra, foram o objeto central do primeiro - que estimamos, de uma
série - sarau promovido em sua homenagem. Números musicais, danças e
muita alacridade entre os presentes permearam as leituras e releituras
de seu emblemático esculpir de palavras, conceitos e significados.
 
 

 Embora reduzida, a troupe candidés que acompanhou Osvaldo - Lúcia,
Jussara e Laércio - pode testemunhar e compartilhar do frisson que
causou essa sua passagem meteórica e metafórica passagem do vate entre
nós, assemelhando-se ao Halley a riscar e alumiar nosso firmamento.

 
Osvaldo, que conheço há meio século, e uns poucos meses, frequentou
comigo os bancos dos colégios São Geraldo e Estadual em sua cidade
natal, sempre se destacando na expressão de seu sacerdócio poético. E
me lembro até, como se fosse hoje, a sua primeira manifestação que
conheci, e com a qual me embevesci: Minha rua. Uma perfeita ode à rua
Oeste de Minas, bem próxima das margens do rio Itapecerica. Pensei em
rasgar o meu panegírico ao Beco sem saída, em minha Pitangui, mais
tarde convertido em rua Doutor Nonô Cançado. Mas me contentei em
afanar umas marcas de cigarro de sua preciosa coleção. A subtração,
logo percebida, valeu-me o mais sonoro palavrão, logo seguido de cem
anos de perdão.


 E como foi bom reunir amigos, novos e antigos, nessa breve mas tão
marcante sessão. Quisera nomeá-los todos e, quem sabe, dependurar a
relação-delação no vetusto e venerável corredor do São Geraldo, ao
lado dos solenes quadros de formatura inscritos na madeira que ainda
haverão de estar lá.
 

 E como tanta coisa em pizza neste país se eterniza, em ato contínuo ao
sarau fomos ao vizinho restaurante Casarão, que, arquitetônicamente é
um prolongamento da Pousada. A doutra forma penosa espera para sermos
servidos - aparentemente o estabelecimento não estava preparado para
receber uma famélica horda àquela hora - valeu-nos, contudo momentos
de relaxamento, rememórias e até algumas piadas que nos rejuvenesceram
os corações.
 



 Quero externar meu agradecimento a todos os participantes do evento,
cuja presença, muito além de minha crença, só abrilhantou esse
fulgurante cometa que nos visitou.E estimo, o agradecimento de todos
nós, aos proprietários do estabelecimento, Haroldo e Cynthia, que tão
graciosamente nos cederam o espaço para tanto exercício de cultura e
alegria.
 
(Por Paulo Miranda)
 
Fotos: D. Albertina Nazaré - via facebook.
 

Um comentário:

  1. Que ótima iniciativa manter viva a tradição e os prazeres de um sarau!
    Comunhão de espíritos que semeiam e colhem cultura, de forma compartilhada.

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