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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Uma sonegação cravada na história do Brasil

Conforme já comentado aqui no blog anteriormente, um dos meus hobbies é o detectorismo, atividade na qual eu faço uso de detectores de metal para encontrar objetos antigos onde existiram antigas fazendas na região de Pitangui. Boa parte desses achados são acessórios ligados a montaria e ao transporte animal principalmente ferraduras e cravos. Dois tipos de cravos são encontrados, o comum para cavalos chamado de cravo francês e um de perfil chato que é facilmente encontrado em caminhos de animais de transporte de carga o que nos leva a deduzir que se tratava de um cravo destinado ao travamento de ferradura nos cascos de mulas. Mas até então era só uma dedução.



Em uma discussão no facebook um dos membros do grupo de detectoristas disse ter encontrado uma matéria na internet que abordava o desenvolvimento dos sistemas de travamento de cravos e pregos. Ao analisar a fonte, observa-se um box onde é abordado uma peça bem atípica, o cravo de mula brasileira.

Cravos de mula encontrados na região de Pitangui 

O mais interessante não é ver confirmada o uso do cravo por mulas e sim o que originou o desenho: sonegação tributária. Segundo a matéria, cidadãos brasileiros eram forçados a pagar pesados impostos de importação sobre mercadorias acabadas, incluindo cravos. Mas eles pagavam impostos muito mais baixos em sucata de metal e outras matérias primas. Como forma de fugir da tributação os fornecedores ingleses começaram a enviar barris de cravos dobrados intencionalmente para o Brasil como "sucata" que os ferreiros brasileiros endireitavam evitando assim o pagamento de impostos mais elevados. Embora a matéria não afirme, certamente o desenho específico que fugia do modelo francês fazia parte da camuflagem para que a verdadeira destinação não fosse descoberta, pois o modelo não é citado como sendo de uso corrente por outro país naquela época.

Fonte: http://blacksmithsofarkansas.org/wp-content/uploads/2014/12/BOA-Voice-2014-12-High-Res.pdf#page=17

Vandeir Santos






3 comentários:

  1. Bacana demais, Vandeir! Parabéns por descobrir mais essa curiosidade e trazê-la ao conhecimento dos conterrâneos. Aproveito para convidar a todos a lerem as duas reportagens que fiz sobre as caças a tesouros que você e seus amigos fazem na região. Seguem-se os links:

    Caçadores de tesouros investem em busca de objetos no Centro-Oeste - http://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2014/09/cacadores-de-tesouros-investem-em-busca-de-objetos-no-centro-oeste.html

    Caçadores de tesouros procuram tacho de ouro lendário em Pitangui - http://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2015/09/cacadores-de-tesouros-procuram-tacho-de-ouro-lendario-em-pitangui.html

    Abraço!

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  2. A matéria do Vandeir
    gema do detectorismo
    para além do nos instruir
    mostra um Brasil do jeitismo...

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  3. Muito interessante a matéria Vandeir. Parabéns pela pesquisa! Segue um link para que os leitores do blog saibam mais sobre o uso do transporte animal em Pitangui: http://daquidepitangui.blogspot.com.br/2013/04/o-uso-do-transporte-animal-na.html

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