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sábado, 27 de agosto de 2016

Os Fiúza

Dr. Antônio Fiúza e família. Foto: autor desconhecido.

Recentemente, aos vinte e dois dias deste mês de agosto - mês do nascimento deste Blog - completou-se um ano da passagem do amigo Manoel Fiúza, membro da SAP e um amante das boas coisas de Pitangui. Então para relembrar a data e prestar mais uma homenagem postula ao Frei Manoel, publicamos uma crônica do Paulo Miranda, sobre o avô Sigefredo Malheiros Fiúza.
 

Manoel Fiúza. Foto: autor desconhecido.


Vovô Sigefredo

Por: Paulo Miranda.


Foi o Manuel Ricardo Fiúza, já bem entrado nos seus setenta anos, que suscitou, de fresco, as lembranças avoengas de um Doutor  Sigefredo
Malheiros Fiúza, com quem, em tenros e ternos anos infantis, conviveu na cidade de Pitangui, nos albores da década de quarenta. Tempo esse em que viviam a Europa, os Estados Unidos e o Japão conflagrados no maior conflito armado que o mundo conheceu.

O Brasil, que sofreu duramente efeitos do conflito, foi, no entanto poupado de ser teatro de carnificinas. Mandou seus pracinhas para se imolarem na Itália, menos por convicção do que por imposição da geopolítica internacional, dominada, no Ocidente, pelo nascente imperialismo norte-americano.

E logo, Sigefredo, com esse nome germânico - cujo correspondente é Siegfried, paradoxalmente significando a vitória da paz – médico conceituado, apenas terá lido e ouvido sobre as atrocidades de sua atualidade. No período em questão, provavelmente já sexagenário, atendia seus pacientes com desvelo e diligência, enquanto o filho, Antônio Fiúza, pai do supracitado Manuel, prefeito, possivelmente nomeado em razão do Estado Novo getuliano, regia os destinos da cidade. E de sua família de 15 filhos, entre os quais, Manuel Ricardo, extinto há cerca de  um ano, era o quinto na ordem cronológica.

Não cheguei a conhecer o Dr Sigefredo, que já devia bem ser septuagenário quando vim ao mundo e, você tampouco, querido leitor. A menos que, a menos que, tenha vivido bem mais do que eu, ou que tenha tido o privilégio de conhecer o Manuel Ricardo ou a algum outro de seus descendentes, que são numerosos.

Se não conheci tampouco o Dr Antônio Fiúza, conheço ao menos 3 de seus 15 filhos: o referido Manuel, e dois dos mais jovens, Saulo e Estêvão, mas esses dois últimos parece-me improvável que tenham sentado ao colo do inefável Vovô Sigefredo.

Ao ouvir Manuel Ricardo evocar o nome do avô, tive a sensação de um súbito regresso ao afeto que encerra o peito de um guri temendo a iminência do desamparo, conquanto em doce aconchego.

A paucidade de informação adicional sobre o ilustre Vovô Sigefredo perdou seu ar de marcessibilidade quando, surpreendentemente, há apenas um par de dias, informalmente, minha mãe, hoje quase nonagenária, trouxe a lume um retrato, conquanto resumido, bem claro
do indigitado:

 - Era homem muito bom. Já bem velhinho, foi a ele que levei sua irmã mais velha Vitória para primeira consulta. Uma dedicação exemplar a infante paciente. Diferente dos médicos de hoje em dia. Ele começava o exame pelo toque nos cabelos, onde constatava o estado geral do paciente. E seu pai gostava muito dele, ambos ligados à igreja, praticantes de forma sobeja.

Um comentário:

  1. Fiquei feliz em ler a crônica, e saber que o meu querido avó está aqui lembrado com carinho, bem como de seu filho Antônio, ambos médicos dedicados! Obrigada!

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