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domingo, 11 de setembro de 2016

Pensando o Turismo

Verificando arquivos para embasar um trabalho sobre o Turismo em Pitangui encontramos este artigo escrito por mim (cursando a faculdade) há exatos 14 anos, em setembro de 2002, e publicado no Jornal O Independente na época. O texto traz uma abordagem geral, mas os conceitos e o conteúdo ainda estão atuais e cabem a reflexão de todos nós que acreditamos que o Turismo possa ser uma opção econômica e culturalmente viável para Pitangui. 

                       
Pitangui por Geovane Alves.


PATRIMÔNIO, TURISMO E COMUNIDADE

            Em 4 de julho de 1776, quando as treze Colônias inglesas declararam sua Independência, constituindo os Estados Unidos da América, a atual metrópole Nova Iorque, tinha 25 mil habitantes. Mas a maior cidade do continente americano estava no Brasil. Construída pela corrida do ouro nas Minas Gerais, a partir de 1691, Vila Rica abrigava 78 mil moradores, era a maior cidade da Colônia portuguesa e do novo continente, sua economia influenciava os grandes centros europeus. Entre 1740 e 1750, saía das minas brasileiras mais da metade do ouro produzido no mundo. Esse ouro criou fortunas na Europa e financiou a Revolução Industrial, que foi um grande marco na história da humanidade.
            Durante mais de cem anos, escoaram riquezas e circularam milhares de pessoas pelo interior do país e pelos caminhos que ligavam o sertão ao litoral. As cidades mineiras, além da forte economia, possuíam vida cultural  sintonizada com o mundo e ao mesmo tempo original. Construíram-se igrejas e casarões, esculpiram-se estátuas e monumentos, pintaram-se paredes e telas, escreveram-se poemas e peças teatrais, compuseram-se músicas como nunca havia sido feito antes nestas terras. Este legado do estilo Barroco (nascido na Itália), deixado às primeiras cidades mineiras, é um grande diferencial que as torna turisticamente atrativas.
O turismo é toda a estrutura que envolve o transporte, hospedagem, alimentação, comércio e serviços, lazer, entretenimento e informações colocadas à disposição do visitante. São várias as motivações que levam o turista a viajar, uma delas é a fuga do cotidiano para se conhecer algo diferente. Portanto, a conservação das caraterísticas originais de uma localidade é fundamental. A paisagem local é um testemunho da memória e dos processos históricos de um povo. Mas antes de despertar o interesse do turista, este cenário deve interessar e ser útil a seus habitantes, numa relação de estima e proteção.
            A administração municipal, sendo gestora das políticas públicas, deve promover e incentivar o turismo como fator de desenvolvimento social e econômico (Art. 180 da CF de 1988). Importantes iniciativas já estão sendo concretizadas em Pitangui, o maior exemplo é o carnaval Temporão. Para que o desenvolvimento turístico aconteça de modo eficaz (maximizando os resultados positivos), é necessário haver a participação e o engajamento de toda a sociedade, em ações do gênero. Nesse contexto é primordial valorizar o patrimônio cultural da cidade, abrangendo a arquitetura, os recursos naturais, o artesanato, a música, os costumes e crenças populares, o esporte, a culinária e a história local.
            Devido aos recursos que utiliza e pelos resultados que produz, o turismo organizado pode ser considerado “a galinha dos ovos de ouro” em um município. Muitas das segmentações deste mercado, são passíveis de exploração em Pitangui, como: Turismo histórico-cultural, ecoturismo, turismo religioso, gastronômico, turismo rural, desportivo, entre outros. Apesar dessas possibilidades, o turismo não deve ser considerado somente como um fenômeno financeiro, de alta rentabilidade em curto prazo. Deve haver um plano de desenvolvimento sustentável (utilizando os recursos e atrativos, sem degradá-los, não comprometendo a utilização pelas gerações futuras), realizando um planejamento que venha a tratar cultura, turismo e meio ambiente no mesmo contexto do desenvolvimento econômico e social.

            Investindo-se em infraestrutura e formação profissional para a atividade turística, o município estará apto a promover a freqüência, permanência e satisfação do turista, gerando emprego, renda e qualidade de vida para a comunidade em geral, desenvolvendo a consciência de se preservar o valioso patrimônio cultural da cidade.

Leonardo Morato.

Fonte de Pesquisa: Revista Cidades Históricas do Sudeste. Pág. 18 – complemento do Jornal do Brasil de 29/10/2000.

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigado pela participação CAROli! Esta presente proposta tem um olhar no futuro sem perder de vista as tradições do passado. Um abraço.

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  2. Se potencial não nos falta
    pra o turismo desenvolver
    que tal formar uma pauta
    e ao Prefeito a submeter?

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  3. Amigo Miranda

    a sua mensagem capitei
    e assim... o farei
    Independentemente do "faz-me rir"
    um livro vem por aí.

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