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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Edson, a guiar? Uma crônica de Paulo Miranda


Em 1962, ano em que o Brasil ganharia sua segunda Copa do Mundo, no Chile, em Pitangui, foi minha vez de, embalado pela aprovação no Exame de Admissão,  começar uma nova fase na vida estudantil, saltando do Primário para o Secundário. O nosso Ginásio Escola Normal Estadual de Pitangui. GENEP, mais fácil assim.

A turma era de 44, entre novatos e uma boa meia dúzia de repetentes. E entre esses últimos é que fui por sentido naquele menino compridão, de cabelos cacheados aloirados e olhos esverdeados, cujas calças de brim
cáqui, de seu já surrado uniforme, denunciavam, pelas barras acima do tornozelo, os sinais de seu súbito espicho. Era o Edson de Freitas Aguiar, por Eds do Nestor, mais popular.

E era assim mesmo, brincalhão, cheio de vida, sabia mexer com todos, dando-lhes apodos e conseguindo preservar seu nome de pia. Sua conviavilidade era espantosa. E bem prosa. A ponto de chamar a Banda de ´Música da Companhia de Tecidos da cidade de A Furiosa.

A um colega negro, também de sua envergadura e diabrura chamava carinhosamente de Nego Cesso. Paixão maior do que pelos áridos compêndios didáticos era a que tinha, nada quietinha, pelo futebol. E justamente em frente à casa de seus pais, bastava-lhe cruzar a rua para se meter nas peladas organizadas no campinho da Companhia de Tecidos, sob o comando do entusiástico e disciplinador Zé Tavares.

Numa parceria que fazia, na defesa, com um colega mais jovem, o Ângelo, auto-nomeou-os Trappatoni e Trebbi, dupla defensiva de um time italiano famoso à época, o Milan, reinante no futebol europeu à época que só não chegou à glória suprema do futebol por ter um Santos de Pelé e companhia  à sua frente.

Terminados nossos estudos ginasiais, Édson manteve-se ligado a Pitangui e à fábrica, e como primogênito, vai ver até que ganhou do pai Nestor, sindicalista expedicionário de nossas forças que lutaram na Itália, o sagrado direito de sucedê-lo a condução da furreca, um jipão aberto, de cor vinho, que zanzava pela cidade e vizinhanças, tanto no apoio a Jango,  como na manutenção do nosso sistema presidencialista.

Com uma moça do Brumado, de similiar biotipo longilíneo, a Sueli, minha ex-colega de Primário naquele povoado, constituiu família e foi dando curso à vida que, apesar de sua esfuziante alegria, foi entretanto abreviada, quiçá pra lá mais acima dar uma esquentada na rapaziada. que andava por demais comportada...

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