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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A gota d'água ardente

A torre no espelho d'água. Arquivo Daqui de Pitangui.
Em se tratando da história da nossa região, a primeira década do século XVIII foi marcada pelo descobrimento do então Arraial do Pitanguy em 1709, por Bandeirantes Paulistas em busca do ouro pelo interior do Brasil Colônia. Mas os principais fatos registrados pela história até então, remetem aos anos anteriores e sucessores à elevação do Arraial à Vila, em 1715. O ano de 1716 por exemplo, foi destacado pela publicação de bandos (decretos) de Domingos Rodrigues do Prado contra o pagamento do quinto do ouro sob o lema "Quem paga morre"! Em 1717 (quando a dívida de Pitangui com a Coroa totalizava sete arrobas de ouro) a intensificação das cobranças daquele impostos também foi motivo de revoltas e conflitos. Em 1718 com a posse do novo Governador da Capitania, mais contendas ocorreram em Pitangui. Até que a "gota d'água ardente" foi em 1719 quanto houve a tentativa de taxação sobre a cachaça - gênero de primeira necessidade para os garimpeiros e escravos na extração do metal precioso - o que culminou no grande Motim de 1720, o maior conflito armado contra as tropas da Coroa Portuguesa.  


A virada dos 300 anos, 9/6/15. Foto: Ricardo Caldas.

Ou seja, neste e nos próximos anos temos a oportunidade de explorar cultural e turisticamente "Os 300 Anos dos Motins de Pitangui". Como? Promovendo peças teatrais (cujos temas são dignos de minisséries globais), festivais de música, dança, e gastronomia em torno da tradicional cachaça de Pitangui; por meio de eventos de arte, fotografia, cinema e artesanato sob o tema dos motins. A cidade e os seus potenciais precisam ser pensados de forma coletiva e promovidos num grande produto turístico. Sob esta ótica pós 300 anos, no domingo do carnaval 2017 será realizada a 8ª edição da Lavagem do Bandeirante, para ser mais uma opção no calendário carnavalesco da cidade. E paradoxalmente, o lema deste motim cultural será "Quero paz na minha Vila"! Bora celebrar os 300 anos dos Motins de Pitangui?!


 Foliões na praça da Penha, carnaval 2016. Arquivo Daqui de Pitangui.

5 comentários:

  1. O estanco

    Bem que o Presidente, licenciado, do Instituto Histórico, de acendrado vigor cívico, se empolgou, quando lhe passaram o microfone para saudar o público que, em sessão solene enchia o salão. E, afiado, eis o valente Machado a narrar os feitos valorosos dos ancestrais seus, e meus, na batalha para se livrarem do jugo luso - que bem rimava e remava com vero e severo abuso.

    E a emoção quase o traiu, mas bem que ele resistiu, quando o nome da Velha Serrana, em novela da Globo emergiu. O que, contudo, não admitiu foi a referência, sem a devida reverência, a lugar pouco significante. Esfogueou, mais que o inferno de Dante. Mas o caso, não ao acaso, foi bem encaminhado, pois a novela estava ainda em confecção e, graças à sua influência de guardião dos valores do burgo, Machado conseguiu que a sua e nossa Serrana fosse reabilitada, perante o público global, que era o que contava afinal.

    E na sequência de sua narrativa, toca o Machado em passagem opressiva, e quase obsessiva: o estanco da cachaça pela Coroa de Lisboa. Seu protesto aí, entranhado na história de pelo menos um par de séculos, foi ainda mais veemente. Afinal, quem ousa expropriar nosso aguardente? Logo o portuga impenitente?

    E o fato é que foi mais uma batalha itararesca, em que os locais, por um Domingos do Prado liderados, resitiram bravamente, mesmo com o estanco estancando tanto coração e mente, de uma boa risada onde a pinga se vinga, indo de barrada a entronizada, rainha do ânimo e gosto de toda a muchachada. Com cidadania, de brios, o povo se inebria. Enquanto o Prado, no mato caía.
    Paulo Miranda

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    1. Excelente crônica, obrigado Miranda! Com vivas aos nossos ancestrais e ao Machado a proposta aqui apresentada pode ser coletivamente realizada!Léo Morato.

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  2. Um detalhe interessante é o fato dos Paulistas terem, de imediato, se recusado a aceitar João Lobo de Macedo na Vila. No entanto ele finalmente é aceito mas comete dois pecados, o primeiro é a anistia aos revoltosos contrariando as ordens do Conde de Assumar e o segundo e a taxação da cachaça. Contrariou os dois lados. Analisando a devassa feita após o motim de 1720 percebemos que ele tinha uma concessão de lavra no Batatal. Será que os Paulistas "compraram" o interventor da coroa com uma parte na mina mais produtiva da Vila? Pelo visto a pilantragem que rola hoje em Brasília vem de longe.

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    1. Hipótese interessante e provável Vandeir. As “vielas” da história certamente guardam muitos episódios ainda desconhecidos. E é também na história que encontramos respostas para muitos fatos e “tretas” que acontecem em todos os cantos do país, inclusive em Brasília (que recebe políticos do Brasil inteiro). Quanto ao tema da matéria, os 300 anos dos Motins de Pitangui, acredito ser uma ótima oportunidade para ser trabalhada na cidade, sob a ótica da cultura e do turismo. Um abraço.

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  3. Nossa história tem a importância que damos a ela!
    Muito bom ver esta empolgação e criatividade na propagação da história de Pitangui!

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