Seguidores

sábado, 30 de janeiro de 2016

Ensaio da Lira Viriato Bahia

Ensaio da banda. Imagens: Léo Morato.

Com o propósito de lançar outros olhares sobre a cidade, registramos um ensaio da Lira Musical José Viriato Bahia Mascarenhas. Sob o comando do Maestro Fred os encontros da banda - que é um patrimônio de Pitangui - acontecem aos domingos de manhã, nas dependências da igreja de São Francisco de Assis. No vídeo abaixo reproduzimos trechos do ensaio e do evento Lavagem do Bandeirante, com a fundamental participação da Lira.



A Lavagem do Bandeirante é uma iniciativa cultural sem fins lucrativos, que desde 2010 se propõe (com muito esforço) a promover o carnaval de rua em Pitangui. Este ano a Lavagem da estátua do Bandeirante tem a sua sétima edição e acontecerá no dia 7 (sete) de fevereiro, à partir das quatro horas da tarde, no bairro da Penha. E a Lira Musical Viriato Bahia já confirmou presença para animar o evento mantendo a tradição.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Nova Paixão de Cristo em Pitangui

Em virtude de problemas de saúde, este ano a Prof. Aparecida Brandão não poderá dirigir a encenação da Paixão de Cristo em Pitangui e para que a tradição não fosse interrompida o Pe. Ulisses contratou o renomado diretor Carl Schumacher para se encarregar da parte teatral do evento, permitindo aos pitanguienses a oportunidade de assistir a um espetáculo com uma estruturação profissional que a cidade ainda não conhece.



Assim como nos anos anteriores será necessário que a população participe voluntariamente ajudando na organização e atuando na encenação onde o diretor irá ministrar gratuitamente a esses voluntários aulas básicas de interpretação teatral (técnica vocal, postura, etc.). Assim, além de ajudarem a paróquia Nossa Senhora do Pilar, e presentear toda a cidade com sua participação, todos estarão aprendendo a atuar com um diretor experiente, com mais de 35 anos de carreira em cinema, teatro, TV, ópera e musicais.



Os interessados deverão comparecer nesse sábado, dia 30, a partir das 15:00 horas, no salão paroquial ou pelo e-mail luminosaescolaeciateatral@gmail.com



Os ensaios começarão dia 01 de fevereiro no salão paroquial e serão sempre às segundas e quartas feiras das 18:00 às 21:45 e aos sábados de 14:00 às 18:00. Outras informações poderão ser obtidas com o próprio Carl Schumacher pelo whatsapp 37 99660 2588.

Quem é Carl Schumacher

Carl Schumacher é um premiado ator, dramaturgo e diretor de teatro. Nascido em Belo Horizonte, filho de imigrantes alemães, iniciou sua carreira nas artes cênicas em 1977 e atualmente já tem mais de 90 espetáculos em seu currículo, incluindo clássicos de Sartre, Kafka, Shakespeare, Moliére e Aristófanes. Já escreveu 40 textos os quais produziu, dirigiu, cenografou e assinou figurinos e luz. Tem 82 peças teatrais escritas, das quais 44 já encenadas. Já foi premiado como autor revelação, melhor dramaturgo, melhor ator, cenógrafo, figurinista, diretor, produtor e empresário cultural.

Carl Schumacher atuando na novela A Favorita - 2009

Vandeir Santos







quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Aprende a votar, babaca!

Se você acha que o legislativo está fraco
E que seu voto merece valor,
Nas próximas eleições
Vote Cabrito pra vereador


Babaca!!!!!

Propaganda eleitoral - Acervo do próprio Cabrito

Vandeir Santos




quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Resolvido o problema da segurança pública em Pitangui

Além do sistema de vigilância por câmeras de monitoramento a cidade contará também com a atuação do mais ativo e competente agente de segurança pública de nossa região. Trata-se de Wellington Oliveira Lima, também conhecido como Cabrito.

Mestre Cabrito - Fonte: Acervo particular do mesmo

Poliglota com fluência na forma arcaica do inglês e do francês, exímio atirador de bodoque (nunca errou um pardal), PhD em diversas artes marciais sendo faixa dourada (não é amarela, é dourada - último grau) em "kukidô", Mestre Cabrito se dedicou durante anos ao estudo dos mais diferentes estilos de defesa pessoal, se destacando nas técnicas de dedada no olho, cocão na testa e bicudo no saco, mas ressalta que seu melhor golpe ainda é a cabeçada sendo a perfeição desse golpe a origem do seu apelido.

O agente garante que com a sua presença a segurança pública da cidade será "outro departamento" e que não dará folga a nenhum "babaca" que resolver atrapalhar o sossego da sociedade pitanguiense. Esperemos pelo início de sua atuação.

Vandeir Santos


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Dica de leitura:"Vasco Filho: o mago das estradas"

Na postagem de hoje apresentamos como dica de leitura, o livro "Vasco Filho: o mago das estradas". de autoria Lorisa Azevedo. A obra retrata a trajetória de Vasco Azevedo Filho (1892-1982), primogênito de Vasco Azevedo, figura ilustre da história pitanguiense e relembrado até os dias de hoje tanto por sua participação política, como também por sua atuação no jornalismo e nas artes cênicas da "Velha Serrana". O livro chegou às nossas mão através de outro pitanguiense, José Antônio Saldanha, cidadão interessado em conhecer, preservar e divulgar a história de nossa cidade. A autora, a geógrafa Lorisa Azevedo, neta de Azevedo Junior, nos apresenta aspectos da vida familiar, profissional e política de seu avô, que formou-se em Engenharia, em 1911, quando, passou a exercer a profissão deixando seu nome marcado em diversas obras viárias - tanto na construção de rodovias (rodovia Rio-Bahia), como também, ferrovias (Guaxupé/M.G.) - de nosso país.
Na década de 1950 iniciou uma vitoriosa carreira política elegendo-se deputado federal pelo estado da Bahia, pela UDN (União Democrática Nacional), um dos principais partidos políticos brasileiro na primeira metade do século XX, por quatro legislaturas. Com a dissolução dos tradicionais partidos políticos após a implantação do regime militar, em 1964, ingressa na ARENA (Aliança Renovadora Nacional), onde se elege novamente deputado federal (167-1971).
A leitura do livro nos permite conhecer a trajetória de um homem atuante que deixou um legado que pouco conhecíamos. 



Segundo José Antônio Saldanha, em fevereiro deste ano Lorisa Azevedo visitará Pitangui para conhecer a terra natal de seus antepassados, Que seja bem-vinda à cidade.


Lavagem do Bandeirante 2016

Amigos, mantendo a tradição do carnaval cultural promovido por este blog anunciamos que já foram iniciados os preparativos para a realização da 7ª Lavagem do Bandeirante.



Como sempre o evento será realizado na tarde do domingo de carnaval, dia 07/02/2016, e terá início às 15:00. A animação ficará por conta da Lira Musical Viriato Bahia que às 16:00 começará a tocar as marchinhas que animarão o público presente. Às 17:00 faremos a lavagem da estátua do bandeirante com direito ao tradicional banho coletivo dos fuliões.

A arte desse ano foi atualizada pelo artista Renato Faria e a finalização ficou por conta do Rodrigo da Quatri Comunicação e Sinalização. Informamos aos interessados que as camisas estarão a venda pelo valor de R$20,00, bastando entrar em contato através do e-mail vandeir.santos@yahoo.com.br  

Vandeir Santos


sábado, 23 de janeiro de 2016

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O Carnaval de 2008



Revirando nossos arquivos encontramos imagens de um bonito e divertido carnaval de Pitangui, no ano de 2008. O evento foi idealizado pela Secretaria de Cultura da época e contou com a participação de diversos segmentos culturais da cidade.


Em um passeio noturno, a pé pela cidade naquele carnaval, a primeira percepção foi sonora, ao escutar de longe a bateria que vinha ao descendo a ladeira. E aos poucos o som ficava mais nítido e outros sons se misturavam aos tambores da charanga. Eram berimbaus, agogôs e pandeiros que marcavam o ritmo da capoeira.


A segunda percepção foi visual, ao encontrarmos com o cortejo carnavalesco nas proximidades da praça da Câmara em um animado desfile.


Era uma junção de cores, sons, ritmos, tradições e culturas. Tudo junto e misturado em um espaço democrático: as ruas de Pitangui.


E o bloco ia  descendo a ladeira...


Entre pausas e evoluções mais gente se aproximava e seguia junto, descendo o morro dessa cidade, desse Pitangui.



Naquela noite do carnaval de 2008 relembramos de um passado recente, quando muitos blocos desfilavam pelas ruas de Pitangui, fazendo a alegria das pessoas de todas as idades.

Na praça da estação, antiga rodoviária, lugar de partidas e chegadas o povo (pitanguienses e visitantes) se aglomerou e ao som da Lira Viriato Bahia (que se juntou ao cortejo), dançou, sambou, cantou e celebrou uma tradição - era carnaval.

 ... e pelo que se sabe por essas bandas, foi a última vez que a Unidos de São Francisco saiu pelas ruas no carnaval de Pitangui.


O que ouve-se na cidade é que este ano vai ter carnaval de rua. Tomara que seja ao melhor estilo, do jeito que manda o figurino - com confete, serpentina, fantasias de palhaço, pierrô, colombina, pirata, super herói, saci perêrê, índio e curupira, com marchinha, música ao vivo e muita criatividade - como uma cidade tricentenária merece.


Daqui de Pitangui, vamos fazendo a nossa parte e, acrescentando um pouco de história, irreverência e tradição, faremos a 7ª Lavagem do Bandeirante, no domingo de carnaval, à tarde lá na Penha. Todos, sem exceção estão convidados.

Ah, patrocínio, apoio cultural e ajuda também são muito bem vindos! O evento é coletivo e o espaço está aberto para uma festa familiar de paz e alegria nestes 300 + 1.

 Carnaval de 2008. Fotos: Léo Morato.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O artista está triste

Hoje o artista está triste, os olhos acostumados a retratar o que a natureza pitanguiense tem de mais belo se perdem nesse instante nas lembranças de uma vida repleta do mais puro sentimento. Quem conhece Nicodemos Rosa há mais tempo sabe que a fotografia não era sua paixão principal, o seu tempo, a sua disponibilidade, a sua atenção era, acima de tudo, para sua esposa.
A fé fez desse homem um exemplo de perseverança e os desafios que o destino lhe impôs ele encarou com uma disposição e com uma serenidade que se vê em poucas pessoas. O cuidado com que ele cuidava de sua esposa era uma coisa bonita de se ver, percebia-se que não havia se perdido a ternura, o carinho e a cumplicidade sobrevivera aos tormentos. Amor verdadeiro.
Nicodemos, agora mais que nunca a fotografia deverá fazer parte de seu cotidiano, uma vez que tudo que parte para Deus volta a compor a sua obra e Mirinha agora está em cada folha, em cada flor, em cada pássaro, se integrou a natureza da qual você tanto gosta.
Que sua fé lhe dê a força necessária para superar esse momento.

Míriam de Souza Lopes Rosa
03/09/1953
18/01/2016



Equipe do blog Daquidepitangui

domingo, 17 de janeiro de 2016

Carnaval 2016 - Pitangui encontrou a fórmula do sucesso?

Se não me engano o ano era 2008 e em uma das tardes do carnaval eu fiz uma visita rápida ao carnaval de Abaeté com alguns amigos. Ao verificar a movimentação da cidade, ainda durante o dia com sol alto, eu pressenti que o carnaval pitanguiense não conseguiria resistir a uma concorrência tão forte e assim como eu havia previsto o carnaval da Sétima Vila definhou.


Carnaval diurno em Abaeté - Fonte: Internet

Assim como Abaeté, Pompéu também promove o carnaval em tempo semi-integral com pausa somente na parte da manhã quando os foliões “apagam” para recarregar suas baterias. Mas no início da tarde o entusiasmo já começa a contagiar e após o almoço as ruas já começam a ficar movimentadas.

Lavagem do Bandeirante - Foto: Ricardo Welbert

Até então Pitangui apostava somente no carnaval noturno, deixando os foliões desprovidos de qualquer opção no período da tarde. Segundo conversa com o secretário de administração Alexandre Barros tudo indica que esse ano a coisa vai mudar. Sem a participação da prefeitura no carnaval noturno que será realizado no Parque de Exposições a municipalidade vai promover eventos diurnos dentro da cidade. Finalmente parece que Pitangui, depois de muito tempo, acordou para o que seria o formato ideal de carnaval.


Carnaval diurno em Pompéu - Fonte: www.divirtase.uai.com.br

Nós do blog daquidepitangui já promovemos há 7 anos a Lavagem do Bandeirante nas tardes de domingo no bairro da Penha, dentro de um padrão próprio onde através do gancho histórico buscamos sempre resgatar o carnaval tradicional com marchinhas, uma forma de valorizar o passado e a boa cultura permitindo a participação da família pitanguiense em um clima de muita alegria e descontração.

Esperemos pela definição da agenda com os locais de animação. O comércio agradece, a rede hoteleira agradece e a economia e o povo de Pitangui merece!

Vandeir Santos



sábado, 16 de janeiro de 2016

Cidade Poema

 Pitangui que eu vejo.
Foto: Léo Morato.


CIDADE POEMA
(Roberto Carolli)
 
Cidade antiga
Cidade pequena
Cidade cantiga
Cidade poema
 
Por muitos, querida,
Por muitos, deixada.
Mas sempre a acolhida
Por ela é dada.
 
Se todos tivessem
A mesma emoção
Que trago comigo,
Dariam razão
A tudo que digo
 
É a Sétima Vila
Das Minas Gerais.
Seus filhos não deixam
De ama-la jamais.


Do livro: O poema que eu perdi.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Um velório ou uma festa?

    Pitangui noturna. Foto: Léo Morato 2014.

Quando ouve-se um causo não se sabe ao certo se quem conta presenciou o fato, se ouviu alguém contar, ou se já está no anedotário popular. Mas quando o causo é "bão" o importante (re)contar.  Então segue abaixo mais um Causo do Juá.
 

Um velório ou uma festa?

Pitangui, que sempre foi a terra mater de muitas pessoas ilustres, cultas e inteligentes, também teve como filhos figuras folclóricas, gente humilde. Até hoje, me lembro bem do Tonho Mimoso,  do João Albino, da Tirri, do Milicão, da Irene, do Maiado e do Maiadinho, do Chico Velho, do Chico Coqueiro, e de muitos outros, que, se aqui relacionasse, certamente não caberiam nesta página. Mas vamos ao causo.

Por ocasião do falecimento do pai de um grande comerciante, havia em Pitangui uma turma que sempre comparecia a todos os velórios. Vou relatar aqui um causo que aconteceu nesse dia.

O velório parecia mais uma festa, tudo de bom, cerveja à vontade, uma boa cachacinha, uísque 12 anos e também muito lanche, com os tradicionais tira-gostos, como coxinha, quibe, biscoito de polvilho frito, biscoito de queijo assado e inúmeras quantidades de comida.

Na varanda do casarão onde se realizava o velório, fora da cozinha, estava reunida a turma dos contadores de causos, que em velório, não pode faltar de jeito nenhum. Na hora que um dos causos era contado, Chico Coqueiro, componente da roda, veio a dormir e, acordando depois, veio a perguntar pelo final do causo.

O causo que era narrado falava de um cidadão que se encontrava em dificuldades financeiras, desempregado, e resolve dar um "golpe" numa cidade vizinha. Naquela época, tinha-se o costume de, quando um desconhecido vinha a falecer, colocar-se o corpo em um banco no corredor da igreja, bem próximo ao altar, onde as pessoas da comunidade tinham a oportunidade de identificar o falecido. Era costume, também, colocar junto ao corpo uma pequena contribuição para despesas com o sepultamento, caso realmente ninguém o conhecesse.

Era domingo. Nosso personagem se dirigiu à cidade mais próxima e chegou ao destino bem cedinho, mesmo antes da missa das seis horas. Logo que a porta da matriz foi aberta, o cidadão juntou dois bancos bem na frente e já foi  se acomodando, fingindo de morto, com a intenção de, após a missa, juntar o dinheiro ofertado pelas pessoas e vazar dali o mais rápido possível.

Tudo estava bem planejado, mas o que o cidadão não contava é que dois indivíduos que eram moradores da cidade, sabendo do que se passava, também pensaram dar um "golpe" e roubar o dinheiro que a comunidade ofertava para o sepultamento do desconhecido. Para isso, trataram de ficar bem próximo do corpo.

Diante disso, veio o sacristão e, dirigindo-se aos dois pilantras que ali estavam, foi logo dizendo: Vichi, é mais um que abotoou o paletó. Vocês o conhecem? E um deles respondeu que nunca o vira mais gordo.

A missa começou, e uma enorme quantidade de gente veio olhar e tentar reconhecer o cidadão que ora estava como morto e cada um contribuía com o que podia. Um deles colocou como oferta um bonito punhal com cabo de madrepérola, que  chamou a atenção do suposto falecido e também dos que o pretendiam roubar.

A missa terminou, e a intenção dos ladrões era de quando todos se retirassem da igreja, juntar o dinheiro que estava ao redor do defunto e se mandar dali, mas um fato atrapalhou o plano dos dois.

Junto ao altar, como sempre foi o costume naquela comunidade, um grupo de beatas resolveu rezar o terço em intenção da alma do falecido, e isso não estava no plano dos amigos. Enquanto os fiéis rezavam, os dois combinavam, em voz bem baixinha, como iriam sair dali com a grana e também discutiam com quem ficaria o belo punhal.

Um dos ladrões foi logo dizendo ao pé do ouvido do outro: vamos dividir a grana e o punhal é meu. O outro retrucou:

- É ruim hem. O punhal é meu e não se discute.

Neste é meu, é seu, as beatas até se espantaram, pois a conversa se alterara e elas quase poderiam entender o que era falado. E percebendo que tudo poderia se por a perder, e logo pelo punhal que seria o motivo de uma discórdia, os dois trataram de  definir  a partilha, dizendo em voz baixa um para o outro, sem saber que o dito morto também os ouvia.

- Não vamos brigar, dividimos o dinheiro em partes iguais e enfiamos o punhal no c.. do defunto.

Foi justamente nesse momento que o Chico Coqueiro dormiu e não ouviu o restante do causo.

O defunto, que já estava perdendo a paciência, já não suportava de tanto esperar e com aquela ameaça iminente, resolveu levantar -se do banco e foi  dizendo em alto e bom tom:  NO MEU NÃO!

Nesse momento, os ladrões tomaram um grande susto e, juntamente com as beatas apavoradas, puseram-se a correr em desespero. Aproveitando-se da confusão,  o "morto" juntou toda a grana, o belo punhal e se mandou daquele lugar.

Voltando ao velório, já pelas entradas do amanhecer,  a irmã do tal comerciante vem com uma bandeja cheia de biscoitos fritos quentinhos, feitos naquele momento, e foi acordando o Chico Coqueiro, oferecendo-lhe café  e o biscoito, pois o dia estava rompendo.

O Chico já foi  espreguiçando, se lembrou do causo que não teve a oportunidade de ouvir o final e, virando-se para os companheiros, perguntou em voz alta, fazendo com que a filha do morto jogasse a bandeja pro alto e quase sofresse um infarto:

- COMO É GENTE, JÁ COLOCARAM OU NÃO COLOCARAM O PUNHAL NO C.. DO DEFUNTO?

(Juarez Machado)

 

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A galinhada

Imagem ilustrativa, essa não é a galinha surrupiada.
Foto: Léo Morato.

Para a nossa grata surpresa, o conterrâneo Juarez Machado iniciou se no ofício de contação de causos e de vez em quando tira um coelho (ou galinha) da cartola, compartilhando lembranças de fatos vividos na infância, adolescência e juventude em Pitangui. Para abrir a seção segue abaixo o primeiro causo do Juá, que deve ter acontecido lá nos anos de 1970...
 
 
A galinhada
 
Bons tempos de Pitangui.  Era um final de ano, sexta-feira. Após fazer a última prova final, feliz da vida por ter me dado bem, chamei os amigos Cacá do Miguel Sabino, Zé Antônio Prisco, Marcos Boy, e fomos providenciar uma penosa e fazer uma galinhada. O Prisco já foi dizendo que seus pais  Zé Pinto e D. Lourdes tinham ido pra fazenda e a barra tava limpa para pegarmos a penosa.

 Saímos do Colégio de noite, às dez e meia, após terminar a prova. Descemos a rua Francisco García, e o Boy já tinha pulado o muro da vítima pra buscar a galinha, enquanto nós aguardávamos encostados no muro da residência do Prisco. Nesse momento,  o Pedrinho do Pingo, meu pai, aponta lá em cima. Vem descendo o morro para se recolher e me chama para dormir mais cedo, porque eu teria que trabalhar na loja no sábado e também seria eu o responsável por abrir as portas antes das oito. Disse a ele que iríamos fazer uma galinhada e que não se preocupasse, e que poderia contar comigo no abrir a loja cedo. Conversa vai, conversa vem, o Pedrinho do Pingo insistindo e eu resistindo. 

Nesse instante, o Boy despenca do muro com a galinha debaixo do braço e caiu justamente em cima do Pedrinho do Pingo.  Aí lascou.  Morro abaixo saiu rolando o Boy, galinha cacarejando e também o Pedrinho do Pingo que foi logo xingando:

- Cambada de desocupados. Agora sei por onde andam as minhas galinhas também.

Mas por fim todos caímos na gargalhada, até o Pedrinho do Pingo, que acabou convidando pra fazer a galinha lá em casa. Todos agradeceram e ficou para uma outra oportunidade. Afinal de contas, já não tinha graça, porque galinhada tem que ser escondido, não é mesmo?
 

(Juarez Machado)

domingo, 10 de janeiro de 2016

Teve CARTEIRADA e até REVISTA

Marcelo Vasconcelos e Silvério Rodrigues. Fotos: Léo Morato
Um motivo a mais para frequentar ou visitar os antigos e tradicionais estabelecimentos de Pitangui é o que se presencia nestes lugares, sem falar dos laços de amizade e da peculiaridade dos serviços prestados.  No boteco do Verinho, por exemplo, além dos causos e "capações" do dono e dos clientes, muitas informações são compartilhadas.


O local parece até uma rodoviária ou estação de trem: com gente de muitos lugares, com bagagens e histórias diversas, uns chegando, outros partindo, uns só passando, outros retornando e indo de novo. Sem falar no comércio paralelo de doces, pequis, queijos, espigas de milho e etc.



Como já citamos por aqui, o arquivo do Verinho é famoso, guarda fotografias, jornais antigos, anotações, cartões postais e muitas relíquias. Um dia desses chegou no bar um senhor alto, de prosa fácil e colocou em cima do balcão mais uma raridade. Foi logo perguntando: "essa ocê tem Verinho"? E pela alegria estampada, o material aguçou boas lembranças em ambos.




A propósito, o visitante era o senhor Marcelo Vasconcelos e a tal revista era a Mundo Juvenil do ano de 1958, que juntamente com a Mundo Infantil e Mundo Moderno (se não me engano) narravam a vida naquela época e eram famosas entre os jovens da primeira metade do século XX.



Entre um gole e outro, o tempo passava desapercebido e nos causos daquela tarde, inevitavelmente, falou-se de futebol, de Cruzeiro e Atlético e do glorioso América Mineiro que voltou à primeira divisão. Foi quando o Sr. Marcelo exibiu orgulhoso a sua carteirinha de sócio do clube desde 1954. Prosa vai, prosa vem, me lembrei do saudoso Tião da Praça de Esportes com o seu jargão anunciando o fim da farra da meninada "horário é horário"! E em tempos de  horário de verão, assim foi mais um dia no Verinho.

 E sobre o título desta postagem? Ah, capa não sô!