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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Olhar noturno



Minha fotografia é o que eu sinto
É o registro do que vejo
Do que gostaria de ver mas não vejo
Do que eu esperava ver e não vi
Minha fotografia é a minha fala, minha voz
É manifestação de sentimento.


(Leonardo Morato)


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Primeiro passeio nas minas de ouro de Onça

O domingo dia 24 de abril não poderia ter sido melhor para mim e meus 20 companheiros na aventura de desbravar as antigas minas de ouro de Onça de Pitangui. A caminhada teve início na mina da caixa d'água onde os participantes novatos tiveram o primeiro contato com a primitiva técnica extrativista. Posteriormente nos dirigimos para o terreno da família do Rodrigo Vilaça onde mineradores alemães extraíram ouro nas primeiras décadas do século XX e onde ainda existem duas minas abertas e com características bem específicas com galerias amplas e bem confortáveis de serem visitadas. Em uma delas Isaías teve a oportunidade de escalar uma galeria vertical e entrar em uma segunda galeria horizontal superior que o nosso "homem aranha" afirmou ser bastante profunda. 

Vela, nosso "Capitão do Mato" na boca da mina da caixa d'água
Foto: Vandeir Santos

Participantes na boca da mina da caixa d'água
Foto: Nicodemos Rosa

Rodrigo Vilaça  (de amarelo) abre as portas de sua propriedade para os participantes
Foto: Nicodemos Rosa

Galeria principal de uma das minas no terreno da família do José Nilson
Foto: Nicodemos Rosa

William Campos,  Marcos Barrica, Agostinho Luciano, Patrícia Ribeiro, Rayssa, Cláudia Pereira
Agachados Vela e Ângela Luciano - Mina do Zé Nilson - Foto: Nicodemos Rosa

Jonathan, Isaías, Cláudio Faria e Paulo Bastos em uma das minas do Zé Nilson
Foto: Vandeir Santos

Isaías escalando a galeria vertical da mina do Zé Nilson
Foto: Vandeir Santos

Isaías na 1ª galeria superior da mina do Zé Nilson 
Foto: Vandeir Santos

Participantes na boca da mina do José Nilson
Foto: Vandeir Santos

Saindo da área próxima ao centro nos dirigimos para as terras de José de Abreu onde o alto da serra esconde uma das mais bonitas minas de Onça. Com mais de 100 metros de galerias e um profundo poço a mina também apresenta galeria vertical e outra horizontal superior que também foi analisada por Isaías. Saindo da mina do Zé de Abreu nos dirigimos para o rego da água limpa o qual percorremos até a mina situada no barranco desse rego. Devemos registrar aqui que Nicodemos Rosa deixou de ser um grande medroso e passou a ser um grande desbravador de minas.


A sempre alegre Ângela Luciano, Cláudia e Patrícia Ribeiro na mina do Zé de Abreu
Foto: Vandeir Santos

Paulo Bastos no salão do poço da mina do Zé de Abreu
Foto: Vandeir Santos

O agora corajoso Nicodemos Rosa mostrando suas fotos a Agostinho e Rayssa 
no salão do poço da mina do Zé de Abreu - Foto: Vandeir Santos

Participantes na boca da mina do Zé de Abreu
Foto: Vandeir Santos

Participantes caminhando nas margens do rego da água limpa
Foto: Nicodemos Rosa

Agostinho Luciano e Rayssa Sales na boca da mina do rego
Foto: Agostinho Luciano

Para finalizar o passeio nos foi servido um farto almoço na casa de Patrícia Ribeiro que nos foi fornecido pelo restaurante do Geraldinho. 

Comida de primeira e muita descontração. Casa da Patrícia.
Foto: Vandeir Santos

O mais importante nesse passeio foi o clima extremamente positivo, o entusiasmo e a alegria dos participantes que mesmo tendo que se locomoverem por quilômetros a pé, já que não tivemos transporte, se mantiveram com um astral altíssimo tornando o dia muito agradável. 
Havendo boa vontade da administração pública, Onça terá muito a oferecer aos seus visitantes. Outras minas não puderam ser visitadas devido a falta de serviço de desobstrução. Elas são muitas e ajudam a contar a história da cidade e são exemplos vivos do rico passado do município. Esperamos que esse seja o primeiro de vários passeios que terão como objetivo promover Onça e suas riquezas.
Deixamos aqui o nosso especial agradecimento ao geólogo William Campos que muito pacientemente nos deu uma consultoria técnica a respeito do processo extrativista, ao Rodrigo Vilaça pela sua boa vontade em permitir o acesso as minas e aos documentos antigos sobre a exploração de ouro, ao Tobias que viabilizou a entrada nas terras do José de Abreu e a agradabilíssima família da Patrícia que cedeu o espaço para o nosso almoço. 

Vandeir Santos




sexta-feira, 22 de abril de 2016

A Prefeitura de Pitangui convoca a população para combater o Aedes Aegypti

Se cada um fizer sua parte poderemos diminuir consideravelmente os casos de doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti em nosso município, fiquem atentos nas datas em que o mutirão será realizado em seu bairro, limpe seu quintal, elimine os focos de doenças em sua casa.

Comunicado


A Prefeitura Municipal de Pitangui em parceria com diversos segmentos da sociedade comunica a toda população pitanguiense que serão realizados mutirões de limpeza no combate à Dengue, Chikungunya e a Zica Vírus.

“Todos pela Saúde”

Cronograma dos Mutirões:

Ø 26 e 27 de Abril (terça e quarta - feira), 07h as 09h.
Bairros: Jatobá, Padre Libério, Santa Luzia, Santo Antônio, JK e Gameleira.  
Ø 28 e 29 de Abril (quinta e sexta - feira), 07h as 09h.
Bairros: Santa Rita, Chapadão, São Judas Tadeu e Novo Horizonte.

Ø 02 e 03 de Maio (Segunda e Terça - feira), 07h as 09h.
Bairros: Lavrado, Novo Lavrado, Morado do Sol, Penha e Judite de Abreu.

Ø 05 de Maio (quinta - feira), 07h as 09h.
Bairro: Nossa Senhora de Fátima, Cachoeira, São Francisco.

Obs.: Pedimos a colaboração da população que coloque, na porta de suas residências, todo o lixo que possa servir como possível criadouro do Mosquito da Dengue, para ser recolhido.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Três décadas do evento do século

Há 30 anos, no dia 20 de abril de 1986, Pitangui sofria uma invasão de turistas, eram milhares de pessoas que vieram a cidade participar de um campeonato de Asa Delta no alto da Cruz do Monte, uma festa que além dos esportistas contou com shows de bandas pop de renome nacional. O evento foi obra do empresário Edivan Reis, um visionário que queria revolucionar a cultura em Pitangui e que foi covardemente boicotado pela medíocre, eterna, retrocedente, extremamente danosa e maleficamente enraizada politicagem pitanguiense. A mesma politicagem que permitiu que o tempo transformasse Pitangui em satélite de seus antigos distritos, afinal o progresso só é bem vindo quando permite o favorecimento próprio ou do partido. 
Edivan vendo que não lhe permitiriam contribuir para o progresso cultural de Pitangui se despede da cidade mas antes de partir deixa para a história um acontecimento até então nunca visto na Sétima Vila das Gerais.
Abaixo trecho de uma matéria de autoria de William Jaques Pereira Santiago publicada em seu jornal  Correio de Pitanguy de 31 de janeiro de 1987:

"O VOO LIVRE: APOTEOSE AMARGA
Diz Edivan que desde aqueles dias, embora a contragosto, numa decisão que ao se concretizar lhe custaria lágrimas e amargura, começou a preparar a sua retirada da região, não sem antes promover um espetáculo que mostrasse a todos, principalmente aos políticos, que não estava interessado em candidatar-se e que a Destaque Comunicação e Marketing tinha interesse apenas na promoção de eventos esportivos e de lazer.

No dia 20 de abril, Pitangui e a região assistiram a algo inédito. Nos céus grandes ases de voo livre, e na serra da Cruz do Monte, madrugada a dentro, rolou um show com artistas profissionais (Absyntho, Joel Teixeira, Coronel Cajá e Eletrodoméstico), vindos do Rio diretamente para Pitangui. E Edivan faz questão de ressaltar que foi tudo pago pela Destaque Comunicação e Marketing. A única coisa que pediu à Prefeitura de Pitangui foi uma patrol para limpar a área do show na Cruz do Monte. E que mesmo assim teve de brigar muito para conseguir. E o nome de Pitangui, pela primeira vez, aparecia na Rede Globo.

O certo é que a cidade de Pitangui ficou totalmente superlotada, com jovens e coroas de todos os lugares, todos atraídos pelo movimento que Edivan Reis estava aprontando com seus eventos. A comida e a bebida se acabaram (“o comércio não levou a sério o meu aviso de se prepararem”) e a cidade não tinha como acomodar tantos visitantes. Apesar de poucas pessoas, em termos relativos, terem se aventurado a subir a serra à noite, com poeira e muito vento frio, o dia 20 de abril ficou marcado na história recente de Pitangui como o dia em que a cidade recebeu mais visitantes. No entanto, poucos sabiam que era o “gran finale”, a despedida de um homem desmotivado em permanecer por aqui."

Foto da pracinha do colégio no dia do evento - Autor desconhecido

Solicitamos aos leitores do blog que se por ventura tenham fotos do evento que nos enviem para ilustrar essa matéria.

Vandeir Santos


sábado, 16 de abril de 2016

Da janela lateral...


...do quatro de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um voo pássaro 
Vejo uma grade um velho sinal
(Fernando Brant/Lô Borges)

Fotos: Léo Morato.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Dica de Leitura: Mariana - Assim Nasceram as Minas Gerais: uma visão panorâmica da história

O dia 8 de abril último foi de muita festa na cidade de Mariana, a primeira vila do ouro das Minas Gerais e capital da província. Em meio a ricas manifestações culturais a cidade comemorou os seus 305 anos e recebeu de presente a obra  Mariana - Assim Nasceram as Minas Gerais: uma visão panorâmica da história de autoria de Roque Camêllo.


A obra faz uma abordagem do início da vila e sua importância para a criação da identidade mineira com ênfase nos aspectos que impactaram a vida política e social de vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo (Mariana) e do restante da Capitania de São Paulo e Minas do Ouro desde o fim do século XVII quando chegaram os primeiros bandeirantes em busca do metal precioso.
O livro tem como editor o jornalista marianense Gustavo Nolasco. A fotografia ficou por conta do olhar apurado de Léo Drumond e de outros fotógrafos da cidade.

Fotógrafos Léo Drumond e César do Carmo - Foto Vandeir Santos

O Autor

o professor Roque José de Oliveira Camêllo nasceu em Mariana e desde de jovem é envolvido com a questão cultural da cidade. Como pesquisador propôs a criação do Dia do Estado de Minas Gerais (comemorado dia 16 de julho em todo o estado). Encaminhou para a UNESCO o projeto de certificação e inscrição do acervo do Museu da Música de Mariana no programa "Registro Memória del Mundo" deferido em 2011. Atualmente é diretor-executivo da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana, presidente da Comissão de Defesa do Patrimônio Histórico da OAB e também Conselheiro da Associação Universitária Internacional. É membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais onde ocupa a cadeira de número 66.

Vandeir Santos e Roque Camêllo - Foto Merania Oliveira

Os interessados em adquirir a obra em Belo Horizonte deverão procurar as livrarias Scriptum (3223 1789) e Quixote (3227 3077), ambas rua Fernandes Tourinho na Savassi ou entrar em contato com a Nitro Imagens, telefone 31 3297 7848.
Dia 07 de maio, a partir das 10:00 haverá um segundo lançamento em BH na livraria Scriptum, Fernandes Tourinho, 99 - Savassi, que contará com a presença do Coral Tom Maior e Congado Nossa Senhora do Rosário, ambos representantes da cultura marianense. 

Coral Tom Maior - Foto: Vandeir Santos

Grupo de Congado Nossa Senhora do Rosário - Foto: Vandeir Santos

Em Mariana a obra está a venda na Pousada Contos de Minas, rua Zizinha Camelo, 15 - Telefone 31 3558 5400.


Vandeir Santos


sábado, 9 de abril de 2016

O Minério de ouro em Pitangui

Durante pesquisas sobre a exploração de galena na região próxima a Patos de Minas me deparei com um interessante relatório do Engenheiro de Minas Francisco de Paula Oliveira (1857 - 1935). Ele foi aluno da primeira turma de Engenheiros de Minas formada pela escola de Ouro Preto em 1878 e o primeiro engenheiro brasileiro a ser admito pela Morro Velho, empresa que até então só se utilizava de técnicos britânicos. Começou a atuar profissionalmente como preparador de mineralogia e repetidor de química e física. Dois anos depois tentou montar uma forja catalã em Abaeté, posteriormente dirigiu algumas minerações particulares até ser aproveitado pela Comissão Geográfica de São Paulo. De lá passou pelo Museu Nacional, pela Comissão de Construção de Belo Horizonte, pelo serviço público do estado do Rio, pela Comissão White, pela Comissão do Planalto Central e terminou sua carreira como geólogo do Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil.

Francisco de Paula Oliveira 
Fonte: http://turmalina.igc.usp.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1980-44072014000100006&lng=en&nrm=iso

Em 1880 ele apresentou o relatório Exploração das Minas de Galena do Ribeirão do Chumbo Afluente do Abaeté e Estudo da zona Percorrida de Ouro Preto Até Esse Lugar. No meio desse caminho estava Pitangui, cidade que ele descreveu de forma bem ampla conforme veremos a seguir.

A cidade de Pitangui foi começada com a mineração de ouro, que era tão rendosa nos seus arredores, que ainda existe hoje o nome de Batatal, dado ao lugar onde mais ouro se encontrou, e com abundância tal que assemelhava-se a sua colheita à das batatas. Atualmente a mineração acha-se de todo abandonada nesta cidade, que, pela sua importância comercial e agrícola e pelo pessoal ilustrado que aí se encontra, é considerada uma das mais importantes do oeste da província.
A cidade foi construída na encosta de uma montanha de pequeno declive. É grande, mas sem arruamento e ordem. As casas são bem edificadas, e algumas há que assemelham-se a palacetes, hoje bastante arruinadas pela falta de conservação. A matriz é grande e bem ornada. A cadeia e a casa de câmara estão situadas em um largo à entrada da cidade em um prédio bem construído e sólido.
Suas principais lavras foram nos córregos e rios, incluindo o Pará que é o mais importante de sua circunvizinhança. Das dos morros a mais notável foi a do Batatal, fronteira e próxima a cidade que dizem ser a primeira que li houve e deu lugar a sua fundação. Os veieiros foram também explorados e alguns deles, de que extraí amostras com grande vantagem. Posto que me fosse impossível, na maior parte deles, chegar ao corpo principal, contudo, o pouco que me foi permitido observar, fez-me crer que a extração do ouro apenas teve começo aí onde os veieiros são tão abundantes e de tão grande potência, que faz-me supor comparáveis aos da Califórnia.
Formado de quartzo escuro com poucas piritas ordinárias, apenas pequenas manchas, grande quantidade de óxido de manganês, de limonito e de litomargia, tem estes veieiros uma potência variável de 1 a 3 metros.
Perto da cidade, no lugar denominado Batatal, os veieiros são em tal número que parecem formar um só. Daí extraímos amostras do denominado Lapa-Grande, por me parecer o melhor e mais abordável. Este veieiro tem uma potência de 2 metros.
O quartzo sem piritas acha-se no meio de talcitos argilosos, onde penetram pequenas veias do mesmo quartzito, formando uma espécie de rede. O ouro não é visível nessas formações.
A sudeste da cidade visitei uma outra mina abandonada no Morro do Fraga de quartzo negro também, acompanhado de pirolusito, limonito e litomargia e sem piritas. É ainda um veieiro camada, situado entre talcitos argilosos inclinados de 60º com o horizonte, levantados para o oeste e dirigidos aproximadamente no eixo norte-sul. O veieiro-camada tem a mesma direção e inclinação que os talcitos e uma potência variável entre dois e três metros.
A leste da cidade, no lugar denominado Caxingó, dela distante légua e meia, existem dois veieiros exploráveis de quartzo negro com pequenas quantidades de piritas. O primeiro tem uma potência de 60cm, perto do córrego, que passa pelo mesmo lugar, é dirigido 10º a noroeste, levantado para o oeste e inclinado de 50º com o horizonte. Os encostos do veieiro são formados de argilas, provindo da decomposição dos talcitos corados pelo óxido de ferro em vermelho que vai se tornando carregado a medida que se afasta do mesmo veieiro.
A meia légua deste está situado o segundo que, conforme uma antiga tradição, é de uma grande riqueza, no lugar denominado Capão do Ouro. Composto, da mesma sorte, de quartzo negro com poucas piritas, grande quantidade de limonito nos interstícios de quartzo, pirolusito e litomargia, é ainda um veieiro-camada inclinado de 85º com o horizonte, dirigido a 20º a noroeste e levantado para o oeste e que tem uma potência igual a um metro.
Existem, mesmo nesse lugar e nos arredores da cidade uma superabundância de veieiros da mesma natureza que, pela escassez de tempo me foi impossível explorar um por um.
Além disso a dificuldade que se encontra sempre em estudar minas abandonadas há muitos anos, os trabalhos preparativos para este estudo, absorver-me-ia muito tempo.
Os veieiros foram explorados a marreta e a alavanca. O quartzo, sendo muito quebradiço, não oferecia muita resistência notável a estes instrumentos e assim podiam facilmente abrir galerias. Em nenhuma delas encontram-se vestígios do emprego da pólvora e de estivamento. Os trabalhos eram prosseguidos até que as dificuldades, que sobreviessem, os fizessem cessar, quer por algum desabamento, como é tradição que aconteceu em uma mina perto da cidade, onde ficaram enterrados um padre e quarenta escravos, que ali trabalhavam, quer pela invasão das águas.
Em resumo, a mineração do ouro em Pitangui nos veieiros é trabalho a começar de grande vantagem para qualquer empresa que aí se estabelecer, pois, não só as veias parecem ricas como também não faltará força motriz, sendo possível, com algum trabalho, conduzir às jazidas as águas do rio do Peixe que passa a quatro léguas a leste da cidade.
Ainda hoje, depois das grandes chuvas encontram-se folhetas de ouro no cascalho corrido pelas águas. O Dr, Martinho Contagem ofereceu para a coleção da Escola de Minas de Ouro Preto, uma que foi encontrada depois das últimas chuvas de março, por um caminhante na rua da Paciência daquela cidade. A folheta pesa 5,68gr.
A exploração de cascalho aurífero não está ainda esgotada. E assim que, em certos pontos, onde a dificuldade de fazer chegar a água não permitiu que ela fosse encetada, como por exemplo, na região denominada Carurú e outras, seria talvez vantajosa a sua exploração.
O terreno em torno da cidade não é tão montanhoso e de serras tão íngremes como nas minas de Ouro Preto. Os seus montes são achatados, aproximando-se já de planícies e isolados.
De Pitangui em diante começa a zona dos xistos argilosos e não se encontram para o oeste mais minerações de ouro, que terminam nesse lugar.
A leste de Pitangui está a serra de Onça. Disseram-me ser muito aurífera esta serra e ser minerada em certos lugares com grande vantagem.
Não tendo eu recebido ainda as amostras dos minérios de ouro de Pitangui para, pela análise, ter um resultado exato da sua riqueza, serão mais tarde feitas essas análises e publicadas como complemente a esse trabalho.
Francisco de Paula Oliveira - Engenheiro de Minas - Abril de 1880
Anais da Escola de Minas de Ouro Preto 1881 a 1885
http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=717703&pagfis=61&pesq=&url=http://memoria.bn.br/docreader#

Vandeir Santos


quinta-feira, 7 de abril de 2016

A programação dos cinemas de Pitangui entre as décadas de 1930 e 1950.

Na postagem de hoje apresentamos alguns folhetos com programação dos cinemas em Pitangui, entre as décadas de 1930 e 1950. O material nos foi gentilmente cedido por Luis Cláudio de Freitas Ferreira. Consultá-lo é uma viagem no universo cinematográfico.







quarta-feira, 6 de abril de 2016

Inauguração do Museu Histórico de Pitangui - Parte 2

A noite do último dia 26 de março foi muito marcante para a história e a cultura pitanguiense, foram inaugurados de uma só vez o Museu da História de Pitangui Dr. Laércio Rodrigues e o Centro de Atendimento ao Turista José Raimundo Machado no imóvel que no passado abrigou a estação ferroviária e posteriormente a estação rodoviária da cidade. O evento contou com a participação de representantes do legislativo e do executivo, familiares de figuras homenageadas com denominação das galerias do museu e populares que compareceram para o importante evento.
O museu abriga o acervo histórico que conta boa parte da história pitanguiense e está dividido em seis galerias, sendo elas:

Galera de Belas Artes José Maciel
Galeria das Riquezas Geraldo Alvares Maciel
Galeria do Folclore e Oralidade José Maria de Freitas
Galeria dos Motins José Messias Fernandes
Galeria da Religiosidade Tasso Lacerda Machado
Galeria das Tradições Cândido de Souza Peixoto


Foto: Nicodemos Rosa

Foto Vandeir Santos

Foto: Vandeir Santos

Foto: Nicodemos Rosa

Foto: Nicodemos Rosa

Foto: Nicodemos Rosa

O museu abrirá suas portas ao público no dia 21 de abril e funcionará de 09:00 às 13:00 e de 15:00 às 18:00.

Vandeir Santos





segunda-feira, 4 de abril de 2016

Uma imagem que fala


Um encarte, uma capa de livro, ou um folder com a programação de algum aniversário da cidade? A resposta não sabemos ao certo, mas a certeza é que esta imagem é bastante representativa, por reunir importantes exemplares do nosso patrimônio histórico e cultural. Salvo engano, esta produção foi confeccionada pelo arquiteto Luis Carlos Frank, que realizou trabalhos em Pitangui na década de 1990.  A imagem é também um convite ao passado, trazendo para o presente os nossos valores culturais. E neste espaço verde, vazio, caberia uma poesia? 

sábado, 2 de abril de 2016

Pelas palavras de Carolli

Roberto Carolli. Foto: Acervo pessoal.

Na postagem de hoje divulgamos mais um capítulo da história cultural pitanguiense, escrita em meados da década de 1980. Pelas palavras do professor Roberto Carolli - poeta, escritor e produtor cultural independente - voltamos no tempo para saber de suas experiências, feitos e dificuldades vividos há 30 anos no Movimento Pitaculta. Como premissa deste Blog, destacamos as importantes contribuições daqueles que vieram antes de nós, norteando as ações do presente, para que a nossa identidade histórica cultural permaneça autêntica para as futuras gerações!

 
 
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Naqueles idos de 1985

Por Roberto Carolli.

Naqueles idos de 1985, era eu um jovem que sonhava em transformar a sociedade com a poesia. Nesses devaneios, juntei-me a uns amigos que compartilhavam da mesma utopia e fundamos a ASPOM – Associação Poeta Menor. Com a ASPOM, criamos um periódico denominado MANIFESTO. O jornal Manifesto cumpriu com o seu objetivo que era divulgar a poesia dos *poetas menores de todo o Brasil. Nesse interim, outro grupo de pessoas criou o PITACULTA – Movimento Pitanguiense de Ação Cultural. O Pitaculta chegou como uma avalanche cultural. Promoveu exposições de artes pela cidade e o I POECONTOS – Concurso Brasileiro de Contos e Poesia. O concurso foi um grande sucesso, sendo finalizado com um coquetel de premiação e a publicação de uma antologia contendo os melhores textos do certame. A Aspom e o Pitaculta tornaram-se parceiros, como pode ser comprovado em edições do Jornal Correio de Pitanguy, que também estava em voga naquele período.

No ano seguinte, fui indicado para a presidência do Pitaculta. Confesso que fiquei assustado com tamanha responsabilidade, pois tinha apenas 20 anos de idade e nenhuma experiência, e a bola estava sendo passada por nada menos do que pelo saudoso Jomba e William Santiago, principalmente.

Em 1987, fizemos o 2º Poecontos, cuja cerimônia de premiação foi espetacular! Teve até a apresentação de grupo de balé, mas não conseguimos publicar a antologia. Nesse mesmo ano, promovemos, além de outros eventos, uma apresentação teatral que foi um fracasso de público, comparecendo apenas 70 pessoas, o que resultou em prejuízo financeiro para a entidade, prejuízo este, acumulado à dívida contraída junto ao grupo de balé que, logicamente, não apresentou de graça. No final das contas, acabei tendo que usar do meu próprio dinheiro para cobrir as referidas despesas. A falta de apoio e reconhecimento do poder público da época - que não difere do da atualidade - e mesmo da sociedade civil, agregado à minha inexperiência e também dos outros membros da diretoria, levou o Pitaculta ao caminho da extinção. Após o meu mandato, chegou a ser composta uma nova diretoria, mas o fadado fim foi inevitável.

Apesar de sua extinção, o Pitaculta protagonizou um belo capítulo da história de Pitangui, quando muitos talentos foram descobertos na cidade, e o nome da Sétima Vila foi levado aos longínquos rincões do país através das edições do Poecontos.

*a nomenclatura Poetas Menores denota não menores de idade, como alguns pensavam, mas, menores no sentido de desconhecidos, não consagrados.

 
Poeta de Roberto Carolli publicado em 1986 no livro Poecontos.