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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Cores de Pitangui


Os tons de céu e de mata predominaram numa paisagem matinal. Inspiração para o que vem depois num domingo em Pitangui.

Mata do céu e bairro da Penha. Fotos: Léo Morato.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Reinaldo "Rohr" Pereira, usina musical

William e Rohr - década de 1980.

Por William Santiago. 
      Conheço Reinaldo “Rohr” desde pirralho, circulando pela Rua Nova ou nos arredores do açougue do Iraci Severino, na rua Velho da Taipa, onde eu tinha que ir para comprar carne. Nós, morro abaixo, morríamos de medo da turma do Alto, capitaneada pelo Zaía, o Isaías Profeta, que também se ligava ao Ipiranga Esporte Clube, time do mesmo bairro. Nunca apanhei deles, mas também não provocava.
      A amizade com o “Rohr” começou mesmo quando, um dia, assistindo nossa pelada no Beco sem Saída, estava um rapaz cabeludo, de shorte e sem camisa. Ainda não era o “Rohr”, ainda era o “Reinaldo do Tõe Carapina”, um dos protegidos do Zaía. Pensei logo em arranjá-lo como meu protetor no Alto, porque tinha certeza que meus pais ainda iam continuar me mandando buscar carne no açougue do Iraci e uma amizade lá ia facilitar minha vida. Pois bem, naquele dia faltava  juiz, e o Reinaldo foi nomeado “ad-hoc” e imediatamente começou a exercer as funções. De juiz para jogador foi um pulo. Tínhamos ali, na nossa ótica, um futebol semi-profissional, com três times, ou clubes, como os chamávamos. O meu sobrevivia da venda de pimenta, colhida no quintal do meu avô.
     
     A nossa Champions League era formada do Canopus, “clube” dos Miranda, Clube de Regatas Brazil (com Z, mesmo), que representava o Beco dos Canudos, e o outro, cujo nome não me lembro, representando a Rua da Cruz (Praça São José), dirigido pelo Márcio Alberto Morais, o Salzinho, neto do Calixto Morais, primo do Nadinho, o Ronaldo Morais Valério.
     
     Reinaldo começou a se enturmar conosco na pelada do “Beco Sem Saída”, hoje Rua Nonô Cançado. Era ao mesmo tempo nosso violeiro e jogador do Galícia, outro time que criamos posteriormente, numa fértil união com o imenso clã “Bilico”, Marcondinho Machado, Marco Antônio do Dr. Rui, os Valério Jorge, Nenete e Nadinho, entre outros. No entanto, na única foto do Galícia, o “Rohr” não está. A foto foi tirada num jogo contra o Manchester, não o da cidade inglesa nem o homônimo de Juiz de Fora, mas um junta-junta que o Marquinho do Bilico trouxe de Belo Horizonte. “Rohr” arranjou um encontro amoroso justamente na hora do jogo, domingo à tarde, e foi tomar sorvete no Bar Elite. Preferiu Cupido aos deuses do futebol e não saiu na foto, que mostrava, além dos jogadores, a flâmula feita pelo meu tio João Jacques e a caixinha de massagista carregada pelo Edílson “O Independente” Lopes. Não fossem musas e música, “Rohr” podia ter avançado mais no futebol, porque, como todos os “Curé”,  tinha arranque, driblava em sequência, sabia proteger a bola e cabeceava muito bem. Em vez de um craque na bola, no entanto, ganhamos um compositor.

     Ele gostava muito de idiomas, como o Paulo Miranda e eu, sendo o inglês e o alemão seus favoritos. Quando esteve passeando na Dinamarca em 1979, aprendeu um pouco de dinamarquês. Gostou tanto do país, que chegou a pensar ficar por lá,  fazendo parte duma banda dinamarquesa que tocava “Brazilian Jazz”, nome local para a bossa nova, e que tinha dois brasileiros: Mozar Terra, pianista, e Luiz Carlos “Chuim”, bateirista. Eles fizeram propostas concretas, mas ele só pensava nas “Pitangas”, como sempre se referia a Pitangui, e acabou voltando ao Brasil.

      Porém, apesar do gosto pelos idiomas, sem dúvida, o que nos uniu para sempre foi a música. As preferências iam das baladas francesas e italianas à nascente bossa-nova, passando também pela Tropicália e MPB em geral.  Eu comprava a revista “Vamos Cantar” para aprender letras e ele as que traziam as cifras. Com certeza, os Beatles eram a paixão da época, e nós não escapamos desse feitiço. Cada um dos amigos mais chegados encarnava um dos Quatro de Liverpool: José Luiz Moreira era o Ringo Starr, César Miranda, o John Lennon, eu, Paul McCartney e ele, “Rohr”, era o George Harrison.

    

      Aprendendo a tocar músicas de outros, seguindo a trilha do Júlio Timote, foi o caminho para ele tornar-se compositor. A nossa primeira composição foi feita numa jardineira, a caminho de Divinópolis, na antiga estrada poeirenta que passava pela Usina, no Cardosos, juntamente com César Miranda. Era uma obra-prima. Ou quase. Ou menos. Chamava-se Guarapari. E era de uma sutileza sublime do duplo sentido: “eu fui para o Canadá, que encrenca eu me meti, agora a solução é ir pra Guarapari.” Ainda bem que essa não foi a guia de toda nossa obra posterior, porque não daria muito para nos orgulhar, rsss.

     Quando me mudei para Belo Horizonte para fazer faculdade, nos idos de 1969, continuamos o papo nos finais de semana, agora todo regado a música. Eu não perdia sábados e domingos em Pitangui e, se o “footing” no Jardim não trouxesse réditos femininos até o final da segunda sessão do Cine Pitangui, a música, com certeza, traria satisfação artística. Cada vez havia uma melodia nova para ser letrada. Eu, às vezes, dava pitaco nas melodias, ele nas letras e passamos a compor, sem saber até aonde ia a letra de um e a melodia do outro em algumas composições. De tanto ouvi-lo, passei também a arriscar melodias, que ele, se gostasse, fazia os ajustes necessários. Muitas das composições nasceram assim.


     Com o passar do tempo, continuamos compondo e muitas dessas músicas nos acompanharam a vida toda, como a recém-gravada “Back to Norway”, beneficiária da tecnologia moderna, masterizada em Berlim neste ano, que começou a ser composta em 1972. Algumas já estão no Youtube, em vídeo-clipes. Muitas outras ainda dependem do vídeo-clipe correspondente para serem divulgadas mais amplamente. Mas serão. Tem muita coisa bonita ainda a ser conhecida, incluindo composições com Jonba Freitas e Ricardo Nazar.

     Com a sua partida apressada, vou sentir muita falta dessa convivência de cinco décadas. A verdade é que a ficha ainda não caiu, muita lágrima ainda vai rolar. Há uma série de histórias, muitas delas engraçadíssimas, que retratam a personalidade complexa que era o “Rohr”. Às vezes, para justificar algumas de suas atitudes que envolviam amigos comuns, o Jonba e eu dizíamos aos afetados, usando a frase cunhada na época do governo militar: o “Rohr” é assim e não vai mudar; ou ame-o ou deixe-o.” Jonba e eu preferíamos amá-lo e levar na brincadeira algumas de suas atitudes e ideias radicais. Que descanse em paz, parceiro!

      Para os que ainda não conhecem o seu canal do Youtube, eis o link: https://www.youtube.com/user/reinaldorohr
Publicado originalmente em: http://www.recantodasletras.com.br/homenagens/5802444    

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Noite Árabe Cigana em Pitangui

A Sociedade Pitangui, Agora São Outros 300 e o Instituto Histórico de Pitangui promovem no dia 05 de novembro próximo, no Centro Social de Pitangui às 21:00, o evento Noite Árabe Cigana. A festa contará com a participação de dançarinas da Escola Núcleo de Danças Dunyah Zaidam que apresentarão números de dança árabe e de dançarinas de dança cigana. A parte musical ficará por conta dos músicos sírios Ghassan Kadar e Fadi Kadar.




Cada mesa está sendo vendida a R$150,00 e o ingresso individual a R$37,00 e a renda do evento será destinada à manutenção do Instituto Histórico de Pitangui, entidade que luta com grandes dificuldades para organizar e proteger o acervo histórico da cidade e um dos mais importantes acervos jurídicos de Minas Gerais. 

Os interessados deverão entrar em contato com Judith Viegas no número 31 - 9 9244 7447 ou Zezé 3271 3497.

Vandeir Santos



sábado, 22 de outubro de 2016

100 legenda

 Pitangui, 2/10/2016 às 11 horas da manhã. Fotos: Leonardo Morato.

Ainda em tempo e a contento, as eleições municipais de 2 de outubro em Pitangui ocorreram tranquilamente e dentro da normalidade. Até a sujeira de muitos candidato(a)s foi a mesma.


A acessibilidade para cadeirantes e pessoas com limitações de locomoção é uma demanda que ainda precisa ser sanada na maioria das seções eleitorais da Comarca de Pitangui.




Pelas ruas que andei... e não sujei. Cá entre nós, será que um (ou vários) candidato(s) que jogam ou autorizam jogar o seus "santinhos" nas ruas e nas casas, acham que vão ganhar votos dessa forma?


Alheios a essas coisas chatas de gente grande, naquele 2 de outubro, mais preocupados em fazer o gol naquela pelada atrás da igreja, as crianças já sabiam que do hoje depende o amanhã. Trabalho, boa sorte e escuta hábil é o que desejamos para os eleitos, representantes do povo de Pitangui!

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

When I am Sixty-Four - Uma homenagem de Paulo Miranda a Reinaldo Pereira


Quando se desgarrou da turma do alto, foi em nossa turma dos dois becos - o dos Canudos e o Sem-Saída, que o Reinaldo encontrou refúgio. A princípio, ressabiado quiçá, de nossas intenções de acolhê-lo, mas não levou muito tempo, já estava nos mostrando sua coleção completa da revista Antar, e deixando até a gente pegar naquela sua pulseira inseparável, de correntinha e uma plaquinha de metal que continha, toda vistosa uma insígnia de nossa República Federativa do Brasil.

E tínhamos razões para crer neste país - e em nosso futuro também. Corrupção era ainda palavrão. E com o futebol de rua, do Chapadão e doutras bibocas, vieram também as serenatas, as cobiçadas e inalcançadas musas, a parceria inseparável do violão - para o Rei, as confidências, as imprudências, as saliências, e outras -ências.

Sem voz, mas com ouvidos atentos, pude acompanhar a toda a toada da formação de mais um grupo Beatlemaníaco, onde McCartney era o Rei e o Ringo - bingo! - o Professor Santiago, embora fraco de bateria, das composições era o Mago. Ainda que mal pago. Mano Beu, que até já tinha conhecido uma potencial Yoko, era o John e o Zé Luís Moreira, o George do Sweet Lord.

Por alguma razão que não alcanço explicar - e o austríaco Freud vai ver que muito menos... - Reinaldo começou a se interessar por língua e coisas da Alemanha. Menos, o chucrute, tenho convicção, embora provas não. Sabíamos de cor e salteado as escalações do escrete alemão do início dos anos setenta e buscávamos imitá-los, nos nomes, pelo menos. Era Beckenbauer prá lá, Breitner pra cá, Overath... Aos campos empoeirados, seguimos nossos rumos profissionais. E antes de Reinaldo abraçar o magistério, mantivemos seu vínculo indelével com a alemoíce: passamos a chamá-lo de Rohr, que além de  signifcar cano, duto, em alemão faz mesmo alusão é a forma com que o popular, mas sempre sisudo Chancha cumprimentava aquele cabeludo, que sabia chamar Reinaldo, mas que insistia em dizer ô Rôr...

Já se rivalizando com os cobras das cordas, como o Júlio do Timóteo, por exemplo,o imortal cantar de Diana, e de Amor a Três,Reinaldo passou a ser solicitado onde quer que quermesse houvesse.

E depois de décadas seguidas, em que nossos encontros foram raleando, hoje chega-me a notícia do silenciar do violeiro no meio da tarde. Tá atendendo a uma convocação imperiosa. E, como por uma ironia, justamente, na ainda relativamente tenra idade de 64, que dá título à uma canção emblemática do Paul, When I am Sixty-Four...

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Valeu Rohr!!!

Prof. Reinaldo (Rohr) Pereira e o violão.
Foto: Acervo Daqui de Pitangui.


Hoje tivemos uma grande perda com o falecimento do professor Reinaldo Pereira - o Rohr. A música e a cultura pitanguiense ficaram mais pobres (menos diversificadas). Com um talento enorme para a composição, Rohr fez centenas de músicas em parceria o Jonba, William Santiago, Ricardo Nazar e outros notáveis. 

William, Jonba e Rohr. 
Foto: acervo do Fábio Freitas.

Desejando lhe um descanso merecido e um bom lugar (para quem sabe continuar compondo com o Jonba), prestamos nossos pesares aos familiares e amigos. E com a satisfação de ter prestado homenagens ao Rohr em vida, republicamos duas entrevistas com a participação deste mestre das cordas. Valeu Rohr!!!





domingo, 16 de outubro de 2016

Pelada atrás da igreja


Segundo Nelson Rodrigues, "O futebol é o ópio do povo"


Para Luis Fernando Veríssimo, "O futebol de rua é tão humilde que chama pelada de senhora"  


Para João Cabral de Melo Neto, "A bola de futebol é um utensílio semivivo de reações próprias, como bicho"



Eduardo Galeano ressalta que "Por sorte ainda aparece nos campos, embora muito de vez em quando, algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o time adversário  inteirinho, ... pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade."


Barrica infere no seu "De gol em gol" que o futebol veio para Pitangui junto com a ferrovia, em 1907, mas ... "Foi naquele momento, em 1911, que começou a surgir o futebol em nossa terra - tímido, no princípio, com pequenos grupos de meninos fazendo peladas nos finais de tarde, nas ruas e praças de nossa cidade"


Para o Santo Papa Francisco, que, quando criança, era péssimo no futebol "...sempre me colocavam de goleiro..." 


E para nosso herege cronista, Paulo Miranda, "a pelada era atrás da igreja"



Pelada atrás da igreja

A igreja de São Francisco, situada no ponto mais alto da urbe pitanguiense, já a caminho do bicentenário, é vista por muitos como a mais bela da cidade, pela harmonia de suas linhas, por mais singelas que sejam. E a culminá-la, um par de torres, adiciona-lhe charme e aconchego. Sem tirar o sossego. É que, há décadas, o relógio que orna a torre esquerda deixou de soar, e depois de muito tentar, ainda não se descobriu como os ponteiros fazer andar...



Mas num plano mais pedestre da existência, e de nossa arquétipa tendência, passada a referência sagrada, o que me ocorre abordar são as peladas que se promoviam atrás daquele venerável templo.


E sob a luz do dia, todo mundo via, ou ao menos, com elas consentia. Afinal eram uma manifestação do vigor da juventude e não duvido que de lá não tenham saído expoentes atletas desse reverenciado métier, que gera tanto prazer.



E a garotada não deixava por menos: queria sempre exibir seus talentos, até mesmo aos menos atentos. Um simples par de sandálias Havaianas servia para demarcar o que em campos mais sofisticados se chamam traves. E sem entraves.



Afinal, o exíguo espaço, à época quase nunca perturbado pelo trânsito de veículos motorizados, prestava-se ao adestramento das habilidade dos peladeiros.





E São Francisco, o padroeiro, que, sorrateiro, a tudo observava, na certa, abençoava. Mas só até o por-do-sol. Com econômica iluminação elétrica, os gingados, os dribles e os gols, sem menos ou mais, passavam a ser privilégio dos jovens casais...



Fotografias da Capela e do futebol de rua - Leonardo Morato e Dênio Caldas
As outras imagens foram captadas da internet

sábado, 15 de outubro de 2016

O Balzaquiano Correio de Pitanguy

A 1ª edição do jornal Correio de Pitanguy.

Neste último mês de agosto, em um Seminário de Análises e Tendências do Marketing Digital, o mediador do encontro ao abrir os trabalhos apresentou algumas características predominantes neste seguimento nos dias de hoje. Entre essas características destacam-se: a multiplicidade dos canais de comunicação e a conectividade entre as mídias sociais (os veículos de massa e o horário nobre não têm mais tanta eficácia com há algumas décadas); a possibilidade do usuário espectador interagir na(s) rede(s) sociais que utiliza, participando de grupos e selecionando o conteúdo que deseja ter acesso (aliás, hoje cada pessoa pode ser um canal de comunicação, por meio de uma ou mais tecnologias); e a produção de conteúdos com a participação e ou o ponto de vista de determinados públicos (matérias ou projetos sobre realidades periféricas geram credibilidade, pela subjetividade abordada).

A coluna do Jonba.

Considerando este cenário, essas duas últimas variáveis (interação com o espectador e abordagem de realidades da cidade) já podiam ser observadas em um jornal pitanguiense que, há exatos trinta anos, publicava sua primeira edição em 15/10/1986. O Correio de Pitanguy nasceu do empreendedorismo visionário do jornalista, professor e diplomata William Santiago quando retornou a Pitangui em meados da década de 1980, após alguns anos em Brasília e no exterior.

William Santiago (à direita) com autoridades da época, no aniversário de Pitangui em 1988.
Foto: Acervo do Paulo Vasconcelos Carvalho.

Com um curto período de existência (quase 5 anos) o Correio de Pitanguy expandiu suas edições para a região e, mesmo após o término de suas atividades em junho de 1991 – quando o William foi embora novamente da cidade - influenciou na forma e no conteúdo a criação de novos jornais como O Independente (fundado pelo Edilson Lopes que também trabalhou no Correio), novas mídias como o Blog Daqui de Pitangui, além de ter influenciado as novas gerações de jornalistas de Pitangui. Desta forma o Correio de Pitanguy constitui-se como uma importante fonte de informações e pesquisas sobre a história recente de Pitangui. O jornal é citado, por exemplo, em diversas matérias do Daqui de Pitangui e como referência bibliográfica nos livros da série Pitangui 300 anos: O Palco e a Tela – O teatro e o cinema em Pitangui, de autoria do historiador e professor Licínio Filho e De gol em gol – A história do futebol em Pitangui, do advogado e escritor pitanguiense Marcos Antônio de Faria – o Barrica.

Por tudo isso parabenizamos o balzaquiano jornal Correio de Pitanguy pela contribuição para a história da cidade, e agradecemos ao seu fundador William Santiago pela iniciativa e por sua ativa produção cultural, também nos dias atuais.



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O trabalho do Clark Michel


A postagem de hoje destaca a vocação de Pitangui para as artes visuais (teatro, dança, música, fotografia e cinema) e traz um pouco do trabalho do Clark Michel, um rapaz de Corinto, no norte de Minas, que veio para Pitangui há três anos. O Clark é dançarino na Banda CM5 e desenvolve uma atividade paralela de qualidade voltada  para a sétima arte, como podemos conferir nos documentários abaixo.


Em uma entrevista rápida e informal o Clark falou de sua trajetória cultural até aqui: 

"Vishe, nem sei o que falar, mas eu entrei nesse mundo [do áudio visual] aos 15 anos quando comecei a trabalhar com um cara na minha cidade natal que fazia casamentos e alguns filmes amadores. Fiquei lá até os 18 anos depois me mudei e me tornei dançarino. Uns 2 anos atrás entrei em um curso de teatro que me despertou novamente a vontade de produzir! Então juntei dinheiro e comprei uma câmera com intuito de produzir vídeos para o youtube, mas precisava de pessoas pra atuar e elas nunca podiam, então desanimei e passei a procurar pessoas mais serias para produzir curtas para festivais. E também trabalhar com isso para ajudar na renda. Então fui atrás de cursos estudei e estudei e quando percebi já tinha uma produtora. Considero Pitangui uma cidade boa mas que precisa de valorização de todas as áreas de atuação relacionadas a arte"!



Como apreciador e produtor de conteúdo áudio visual o Blog Daqui de Pitangui parabeniza a iniciativa da Produtora, aguardando os futuros trabalhos.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Música de butique a preços populares!

Jazz na noite pitanguiense. Fotos: Léo Morato.

No sábado dia 1º, para dar as boas vindas ao mês de outubro, uma agradável noite musical aconteceu no Bar do Nino. Para ser mais exato, a frase proferida pelo Toninho Mulambo resume bem o que foi o encontro: "Música de Butique a preços populares". 


Ou seja, Jazz, MPB e música latina - comumente ouvida nos Festivais de Paraty, Tiradentes, Ouro Preto, nos mirantes de Alfama e nos becos do Bairro Alto, ou em outras notáveis cidades históricas por aí - deram o tom daquela noite em Pitangui.

Blog Daqui de Pitangui presente.

A execução musical ficou por conta do "Trem nos Trio" - composto pelo pitanguiense Rafael Martins na guitarra, Henrique Edwin na bateria e Samuel Passos no baixo - que tocou para um público seleto e atento, enquanto a cerveja refrescava gargantas, entre um tira gosto e outro. As imagens falam por si e mostram um pouco daquele dia de jazz na nossa noite. Por mais incentivo aos espaços, à interatividade, à música e às manifestações culturais espontâneas, deste quilate, nesta Pitangui que queremos!


Aos músicos, aos organizadores e à Casa, muito obrigado por essas agradáveis horas. E segundo o Nino, o espaço está aberto e lá cabe todo mundo!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Meritíssimo Senhor Juiz Joaquim Augusto Simões Freitas

Assumiu hoje no cargo de Juiz Substituto, no Estado de São Paulo - na circunscrição judiciária de São José do Rio Preto, o pitanguiense Joaquim Augusto Simões Freitas.  É motivo de grande orgulho para Pitangui e para Pedro Paulo Lopes de Freitas e Maria do Pilar Simões Freitas, pais desse jovem de apenas 30 anos que acaba de se juntar ao seleto grupo de pitanguienses que atuam e atuaram no poder judiciário brasileiro. Tal fato é mais uma prova de que Pitangui é berço de pessoas comprometidas com o sucesso e com a competência e dessa vez um filho da Sétima Vila do Ouro das Minas Gerais se vê aprovado no maior e mais exigente tribunal do país. 
Parabéns ao Dr. Joaquim, que sua carreira seja repleta de sucesso e que sua conquista sirva de exemplo aos jovens pitanguienses.

Dr. Joaquim Augusto Simões Freitas

Marcelo Henrique, Maria do Pilar, Dr. Joaquim Augusto, 
Pedro Paulo - Pai e Pedro Paulo -irmão
Foto: Victor Hugo Viegas

Vandeir Santos


domingo, 2 de outubro de 2016

Neném Relojoeiro - Crônica de Paulo Miranda


Neném Relojoeiro era íntegro, não inteiro. Faltavam-lhe um braço e o polegar, o indicador e o médio da mão restante. E consertava relógios, usando ferramentas minúsculas com destreza inimaginável.

Sua dolorida história, contou-ma um dia desses o vovozinho, José Rodrigues, que foi barbeiro e seu vizinho por muitas e miúdas décadas no Beco dos Canudos.

Neném fora vítima de um acidente de trem de ferro, numa singularíssima ocorrência: numa parada breve na estação do Velho da Taipa, a meros quatro quilômetros de Pitangui, descera da composição para comprar umas famosas broas que lá se vendiam então. Com o trem prestes a partir, correu pela plataforma em sua direção, arfante mas triunfante com o saquinho de broas à mão. Sem se dar conta de onde pisava - a rigor, quase levitava, tropeçou nuns sacos que se encontravam em seu caminho e, desequilibrado, foi cair sob os trilhos.

A cena que se seguiu, com o resgate de um corpo inerte e banhado de sangue - já despossuído do saquinho de broas - foi mais que dramática, tétrica: um militar, entre os atônitos circunstantes chegou a clamar pela misericórdia de alguém  que acabasse com tamanho sofrimento, que, além dos braços, contudira também a cabeça da vítima. Uma voz, no entanto, ofereceu o contraditório: mas quem sabe ele ainda tem chance
de sobreviver?


E sobreviveu. Para trabalhar, casar-se, constituir família - onde todos os filhos começam por M, e para demonstrar os prodígios de uma mente determinada, por convicção e provas.

Sempre usando terno e gravata, de preferência da cor cinza, não cheguei a vê-lo consertando despertadores, mas fui encontrá-lo trabalhando no SAPS, contando histórias, jogando cartas e finalmente, convertido evangélico, a profetizar o fim dos tempos. Numa broa.