Seguidores

terça-feira, 28 de março de 2017

A partida de Roque Camêllo

O sucesso atual da música composta por Ana Vilela poderia muito bem ilustrar esse triste momento da historiografia mineira, afinal “A vida é trem bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir”. Mas para quem se dedica a estudar a memória das Minas Gerais a partida é mais dolorosa quando se perde alguém que tanto se dedicou à cultura, à história e à coletividade. Afinal para Roque Camêllo o “topo do mundo” ainda era um objetivo distante para quem não conhecia limites quando o assunto eram os valores da terra mineira. Ele não queria ter tudo e certamente não acharia graça no mundo se fosse assim, mas soube se contentar com a felicidade de todos aqueles com quem ele compartilhou a alegria de ser e viver como um bom mineiro.

Merania e Roque Camêllo nas comemorações dos 300 anos de Pitangui
Foto: Vandeir Santos

Roque José de Oliveira Camêllo nasceu no distrito de Bento Rodrigues em Mariana, estudou no Seminário de Mariana e posteriormente se formou em Letras e Direito pela UFMG, prosseguiu seus estudos em Harvard e na France Langue de Paris. Era conselheiro da Associação Universitária Internacional. Professor, fundou o Colégio São Vicente de Paula em Belo Horizonte, onde também presidiu a Comissão de Defesa do Patrimônio Histórico da OAB/MG. Em Mariana foi Vereador, Vice-prefeito e Prefeito. Propôs em 1977 a criação do Dia do estado de Minas Gerais comemorado em todo o território mineiro no dia 16 de julho. Presidiu a Academia Marianense de Letras e foi diretor-executivo da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana (FUNDARQ). Coordenou a publicação do livro “16 de julho, o Dia do Estado de Minas Gerais” e encaminhou para a UNESCO o projeto de certificação e inscrição do acervo do Museu da Música de Mariana no programa “Registro Memória del Mundo”, deferido em 2011. Em abril de 2016 lançou o livro “Mariana Assim nasceram as Minas Gerais: uma visão panorâmica da história. Era membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais onde ocupava a cadeira de número 66.

Fotógrafo César do Carmo, Roque e o fotógrafo Léo Drumond
Lançamento do livro em Mariana - Foto: Vandeir Santos

Infelizmente tive pouco contato com Roque Camêllo, mas o bastante para perceber a seriedade com a qual tratava a história de nosso estado e de sua terra natal. Ele esteve presente junto com sua esposa Merania nas comemorações dos 300 anos de Pitangui. Tive o privilégio de fazer o registro fotográfico do lançamento de seu livro em Mariana e em BH e pude testemunhar a dimensão do seu carisma. Pessoas de todos os níveis e classes sociais foram lhe prestigiar. Tinha um coração enorme onde cabia a paixão por Minas, por Mariana e por todos aqueles a quem ele acolheu, afinal, como já dito, Roque era um homem sem limites.

Vandeir Santos e Roque Camêllo - Lançamento do livro sobre Mariana em BH


Força Merania! Tenho certeza que seu dinamismo levará adiante muitos dos objetivos ainda não alcançados por seu marido. A obra de Roque deve continuar e não lhe faltarão incentivos para isso, afinal, “...em algum lugar alguém zela por ti”.

Vandeir Santos




2 comentários:

  1. Não o conhecia, mas pelo que li e pelas fotos que vi não fica dúvida de ser um daqueles raros e caros seres humanos que tem eficiência e humildade em grande e igual medida.
    Lamentável partida!

    ResponderExcluir
  2. Ainda que em profundo choque
    vale a pena registrar
    todo o legado de Roque
    nós devemos ressaltar!

    ResponderExcluir

Obrigado por comentar nossa postagem. Ah... não se esqueça de se identificar.