Seguidores

terça-feira, 25 de abril de 2017

O jogo do bicho em Pitangui

O jogo do bicho é uma bolsa ilegal de  apostas em números que representam animais. Foi inventado em 1892 pelo barão João Batista Viana Drumond, fundador do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. 
A fase de intensa especulação financeira e jogatina na bolsa de valores nos primeiros anos da  república brasileira imprimiu grave crise ao comércio. Para estimular as vendas, os comerciantes instituíram sorteios de brindes. Assim é que, querendo aumentar a frequência popular ao zoológico, o barão decidiu estipular um prêmio em dinheiro ao portador do bilhete de entrada que tivesse a figura do animal do dia, o qual era escolhido entre os 25 animais do zoológico e passava o dia inteiro encoberto com um pano. O pano somente era retirado no final do dia, revelando o animal do dia. Posteriormente, os animais foram associados a séries numéricas da loteria e o jogo passou a ser praticado largamente fora do zoológico, a ponto de transformar a  capital da República (de 1889 a 1960) na "capital do jogo do bicho".
Atualmente, o jogo do bicho continua a ser praticado em larga escala nas ruas das principais cidades do Brasil, não obstante ser considerado uma contravenção pela legislação penal brasileira.
Fonte: Wikipédia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Jogo_do_bicho)
Não se sabe quando o jogo chegou a Pitangui e nem quem foi o primeiro "bicheiro" da cidade, mas em 1931 ele já existia na Velha Serrana e sentido-se incomodada com essa modalidade de jogo a cidadã Helena Pires escreve ao então secretário de estado de segurança pública Gustavo Capanema solicitando a ele providências contra a prática do jogo e contra a "quadrilha perigosa" que o movimentava na cidade. 

"Ilmo. Exmo. Sr. Dr. secretário da segurança pública de Minas Gerais
Saudações

O momento é como se vê de economia. Os governos procuram na medida de suas forças suavizar questões de modo incrementar a grandeza coletiva. Assim faz o governo central secundado pelos governos estaduais. Mas, infelizmente, assim não sucede nos governos municipais, cuja inépcia e descaso deixam que os municípios se afundem no lamaçal da desgraça! Assim é por exemplo, Pitanguy. Por quê? Porque sendo uma cidade pobre, vai-se tornando há muito, um foco de jogatina desenfreada e perigosa. Deixamos de parte os jogos de azar para nos ocupar tão somente com o jogo do bicho. E nesse sentido não precisamos de ir longe; são bem conhecidas as circunstâncias desgraçadas desse jogo. Aqui, em Pitanguy, tem se tornado livre de modo que é vendido nas ruas, nos negócios e em toda parte. Não precisamos dizer que o atual delegado assim consente isto muito embora contra o clamor público. Sem mais, comentário nesse sentido, chamamos a esclarecida atenção de V. Exa. Certo de que não será em vão. Os banqueiros são useiros e vezeiros na arte de ludibriar e roubar o povo. São eles: Juca da Busica, José Caixote Juca do Hotel. Esta quadrilha perigosa está há muito cavando a desgraça deste povo. Urge, depois, uma providência por parte do Estado. Não queremos tal jogo. Apelamos para os altos sentimentos de V. Exa.

Sem mais, deus guarde V. Exa.

Helena Pires

Pitanguy, 08 de setembro de 1931"

Fonte: CPOC - Fundação Getúlio Vargas (http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=ARQ_GC_B&PagFis=8272&Pesq=)



Segundo afirma Maria da Conceição Teixeira, neta de Juca do Hotel,  quem estava envolvido com o jogo do bicho era seu avô paterno, Juca da Joaninha. Ainda segundo ela o tio Zé caixote nunca esteve envolvido com a contravenção. A falta de memória histórica na família de alguma prisão ou processo indica que muito provavelmente a denúncia de D. Helena não procedia, o jogo realmente existia na cidade mas os protagonistas eram outros e mesmo sendo contraventores não eram pessoas perigosas que pudessem representar algum perigo para a sociedade. Mal sabia a denunciante que a prática se tornaria comum no cotidiano brasileiro muito embora ainda seja considerado contravenção. Enquanto isso, uma folclórica e caprina figura pitanguiense vai dando aos cidadãos a oportunidade de fazer uma fezinha. Alguém tem um palpite aí?

Vandeir Santos 


domingo, 23 de abril de 2017

Vida hortelã

Fundo do quintal (imagem ilustrativa). Foto: Léo Morato


Por: Paulo Miranda.


Um provérbio bem comum pode dar boas variações. E por ene razões. Apesar dos senões.

Nossa horta no povoado do Brumado era bem pequenina - na proporção da casa, e do espaço do terreiro, já loteado para a plantação, o jardim, a criação, a circulação, e, naturalmente, as 'terras devolutas', que ficavam mais pro fundo do quintal e se disputavam por alguma plantação sazonal do milho, do quiabo, e do matagal, que, no período das chuvas - diferentemente das uvas - crescia pra diabo.

Pequenina, e frontal à porta da cozinha, não deixava contudo a hortinha de dar um trabalhão danado. Ou é só desculpa de moleque mal-criado?

É que as hortaliças eram muito delicadas, além das cobiças de que eram rodeadas: e as mais implacáveis eram as formigas. Quietinhas durante o dia, uma noite bastava, e tudo sumia. Uma praga que nem sempre com veneno se apagava. Ah, pagava!

E o sol, normal e mornalmente tão benfazejo, tinha também os seus caprichos, pois quando dava de esquentar, chegava a tudo esturricar. Chegamos a cobrir com um lençol (ou era virol?) umas mudinhas de alface, para lhes salvar ao menos o valor de face. Num era face!

Mas dava gosto também saborear-lhe as couves tenras, suculentas, arrancar-lhe uma cenoura - ainda daquele tempo de mais de meio século atrás em que além da cor, as plantinhas tinham aquele inescrutável sabor de algo natural...

E aquela vez em que a produção superou as expectativas e nos vimos todos juntos num fim de tarde a trançar alho... Pois é, dava trabalho, mas também dava alho. E pacaralho. Afinal, reproverbiando, Deus escreve perto por lindas hortas.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Pitanguienses em Brasília - making of

 Exibição no Cinema do Carlos. Foto: arquivo do blog.

Neste 21 de abril, quando a capital do país completa seus 57 anos de fundação, divulgamos imagens dos bastidores do documentário sobre os Pitanguienses em Brasília e os 300 anos lançado em maio de 2014, antecedendo o tricentenário de Pitangui em junho de 2015. Este "por trás das câmeras" reúne alguns registros da produção do documentário, das pessoas que participaram do projeto e das filmagens.

Sessão pitanguiense de cinema. Foto: arquivo do blog.

Numa abordagem irreverente o making of foi exibido na casa da Clélia Rachid Cançado, em Brasília, num encontro de Pitanguienses. Lembro-me que naquele dia o parceiro William Santiago, aos risos, satisfeito e surpreso, perguntou: - Uai, porque você colocou o Cabrito cantando a trilha sonora?  Respondi: - Uai, o Cabrito representa o velho e o novo, uma ponte entre gerações do passado e do presente, babaca! - Então tá certo! Exclamou o conterrâneo. Bom, quem já assistiu o documentário em Pitangui, no blog, ou no youtube e quem não assistiu, aperte o play e confira os bastidores.


sábado, 15 de abril de 2017

Sotaque mineiro, Dona Canducha e a tradutora da Mendes Júnior


Rua Marinho Campos. Séc. XX. Autor desconhecido.

     Sempre me interessei por idiomas e nisso aí fui  prestando atenção em sotaques e melodias frasais. Essas, então, denunciam para um entendedor o lugar de origem do falante, às vezes apenas ao atender uma ligação e dizer alô.
   
     Uma vez, em Copenhague,  Dinamarca, atendi ao telefone uma brasileira que pedia informações gerais sobre a vida na cidade. Era estudante de pós graduação, recentemente chegada ao país. Enquanto  conversava, percebi o sotaque e pedi confirmação:
   
     - Mineira de Belo Horizonte?
 
      Confirmou. Expliquei o porquê daquela pergunta e ela também perguntou de onde eu era. Quando disse que era de Pitangui, Minas Gerais, teve uma surpresa e tanto.
   
     - Não acredito! Passava todas as férias da minha infância na casa da tia Canducha.
 
      - O que? A professora de piano?
   
     As recordações vieram imediatamente. Canducha era o nome pelo qual todos a conheciam, uma senhora já de idade avançada, pelo menos para mim na época. Passávamos, no caminho de ida e volta do Ginásio, pela frente de sua casa, na Rua Martinho Campos, lado esquerdo de quem sobe em direção à Praça do Jardim. Quando ginasianos, adolescentes, nunca dávamos muita atenção, mas me lembro de sempre ouvir o som do piano vindo pelas janelas abertas, que naquele tempo, gente, ficavam abertas sim. E até as pesadas portas da entrada, que se abriam para o corredor, quase sempre eram mantidas abertas. Eram outros os tempos!
   
      Já estudante de Letras em Belo Horizonte, metido nas composições com o Reinaldo “Rohr” Pereira, recordo-me de ter ido uma vez à sua casa e, com o seu consentimento, gravei uma ou duas de suas composições, bem como de sua  interpretação de uma valsa conhecida.
   
     Tenho pouco a lamentar da vida, uma das lamentações é ter perdido a fita de áudio-cassete em que estavam gravadas aquelas raridades. Talvez a tenha emprestado a algum dos amigos seresteiros, porque, com o preço e as dificuldades de se comprar fitas cassete na época, muitas vezes a gente emprestava fitas já gravadas, porém com espaço para uma ou outra gravação.

     Emprestava com a recomendação de não gravar sobre os trechos já gravados, mas quem podia garantir que alguém numa serenata, a cuca cheia de cana, ter o cuidado de escolher um trecho virgem da fita? Agora é tarde, as suposições não resolvem nada.  O certo é que não tenho mais as gravações e duvido que alguém tenha gravado Tia Canducha. Ou terá? Talvez a sobrinha, quem sabe.
   
     Pois bem, voltando a Copenhague e à brasileira do sotaque mineiro: seu nome era Leda Beirão. uma pessoa maravilhosa, que, hoje, não sei onde anda.
   
     De outra feita, ainda em Copenhague, liga uma senhora bastante afobada, como se diz em Minas, dizendo que chamava por uma questão de emergência. Era tradutora e intérprete de um grupo de funcionários da Mendes Júnior, que tinham feito escala em Copenhague com destino a Bagdá, no Iraque, onde a empresa tinha obras. Estamos falando de 1978, 79. Dois dos passageiros tiveram algum problema para embarcar e foram obrigados a permanecer em Copenhague. A intérprete tinha ficado para solucionar a questão.
   
     Ao apresentar-se no telefone, reconheci logo o sotaque mineiro, mas dessa vez sabia que não era de Belo Horizonte. Enquanto pensava de que região, mais ou menos, podia ser, pareceu-me reconhecer sua voz, mas pensei que era impossível. Mas não era. Era, sim, a voz de uma ex-colega de Faculdade em Belo Horizonte, no curso do Premem, onde tínhamos estudado Inglês por 10 longos meses, 8 horas por dia.
   
     Com mais essa informação, não tive dúvidas
   
     – Tina, você sabe com quem está falando?
   
     Era a Tina, Ernestina Leal Pereira, ótima aluna, excelente colega, que ali estava em Copenhague exercendo o conhecimento adquirido na sala de aula.
   
     Realmente os fatos são extraordinários, porque na década de 1970 não havia tantos brasileiros percorrendo o mundo ou residindo no exterior. Encontrar duas brasileiras em tão curto espaço de tempo – e duas pessoas com proximidade tão grande – realmente era de se contar.
   
     Esse encontro casual com as duas deu-me o prazer de ouvir o delicioso sotaque mineiro no mundo escandinavo.  Foi o bastante para matar a saudade de casa, naquele tempo sem as facilidades tecnólogicas de hoje em dia.
William Santiago

Publicado originalmente em http://www.recantodasletras.com.br/cronicas/5819164

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Semana Santa em Pitangui 2017



Programação religiosa da Semana Santa em Pitangui realizada pela igreja Católica. Mas informações na Secretaria da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar pelos telefones (037) 3271-4005 ou (037)3271-4412.





Agradecemos aos conterrâneos Carlos Pereira Júnior (Carlinho) e Luis Fernando M. Teixeira pelo envio das imagens com a programação.

sábado, 8 de abril de 2017

O Turismo Familiar em Pitangui

                                                                               Foto: Léo Morato.

Entre os anos de 2001 e 2004 foram realizados estudos e pesquisas sobre a atividade turística em Pitangui com o objetivo de agrupar informações para um Trabalho de Conclusão de Curso - TCC na faculdade de Turismo. À época, para traçar diagnósticos, além de inventariar os atrativos e serviços disponíveis na cidade, procuramos identificar a Demanda Turística de Pitangui, ou seja, quem era o nosso visitante.
Na apuração dos dados daquela pesquisa ficou comprovada estatisticamente a predominância do turismo familiar, como sendo o nosso carro chefe na atração de visitantes, conforme destaco nos itens abaixo:

“Os turistas entrevistados passam em média 3,1 dias em Pitangui. Quanto à periodicidade da visita 24% visitam a cidade em épocas sazonais, sem uma definição de data ou período, 20% visitam a cidade anualmente, 20% mensalmente, 16% trimestralmente, 14% semestralmente e 6% vão a Pitangui semanalmente.
Referente ao item meio de hospedagem, 40% dos turistas e visitantes utilizam a casa de parentes ou amigos...
Quanto à organização da viagem, 40% dos turistas vieram com a família, 30% em grupos de amigos...
Sobre a motivação da viagem, foi constatado que 35% dos visitantes vão com objetivos de fazerem visita familiar, 28% pelos eventos, 15% por lazer, 10% para a prática do turismo cultural, 6% turismo religioso, 4% ecoturismo e 2% para a prática de esportes. O segmento de negócios, não abordado nesta pesquisa, também atrai visitantes que vão à cidade no decorrer da semana, nos dias úteis.
Quanto à indução da viagem, 36% foram induzidos a visitarem o município através de parentes, 34% por amigos, 9% através da Internet...”

Fonte: MORATO, Leonardo Silva. Monografia: A importância da Implantação de Um Centro de Atendimento ao Turista – CAT no Município de Pitangui-MG. IESB, Brasília 2004.

Foto: Léo Morato.

Em outros pontos desta pesquisa de demanda (que não foram mostrados nesta postagem) foi avaliada a satisfação do visitante quanto aos atrativos, a infraestrutura e os serviços na cidade. E, em um comparativo com os dias atuais, nota-se evolução na conservação do patrimônio histórico, nos meios de hospedagem, nas inaugurações de espaços culturais (que precisam estar em funcionamento constante) e na criação de novos eventos, por exemplo.

Na parte da pesquisa direcionada ao comércio, apurou-se um aumento de 30% nas vendas diárias (principalmente supermercados, bares e restaurantes) na alta sazonalidade, ou seja, nos feriados (locais ou nacionais) em que o fluxo de turismo familiar é maior.

Acredito que este incremento financeiro no comércio da cidade hoje, em razão deste turismo, deve girar em torno do percentual citado, já que a visita à “Casa da Vó” é assídua.

É normal e humano que questionamentos venham à tona: - Uai, como assim? Eu não trabalho [diretamente] com turismo, não “mexo” com hotel, nem restaurante, padaria, não tenho van nem taxi e não sou dono de boteco. Como vou ganhar dinheiro com isso?

Mas asseguro que turismo faz a economia girar, é dinheiro novo circulando, estimula os serviços e o comércio em geral, a construção civil, e a venda dos produtos locais (o artesanato, a pinga, o queijo e etc).

Para a comprovação desta tese (de que o turismo familiar é uma realidade na Sétima Vila) divulgamos abaixo o vídeo do Encontro dos Amigos de Pitangui, ocorrido em dezembro de 2015, ano do nosso tricentenário. Com o propósito de reunir gerações e celebrar o melhor de Pitangui, o Grupo nos remete à SAP – Sociedade dos Amigos de Pitangui em seus tempos áureos. Com encontros mensais na capital mineira e duas vezes por ano em Pitangui (junho e dezembro), essa turma vem juntando gente e contribuindo para a economia e com os valores Pitanguienses.

Foto: Dênio Caldas.

Em sua atuação este Blog procura ser sensato, coerente e independente em suas críticas e posicionamentos. Por isso é justo destacar o apoio que o prefeito Marcílio e equipe têm dado às iniciativas do Grupo dos Amigos de Pitangui, ao esporte, à Lavagem do Bandeirante, como forma de subsidiar o turismo e cultura em Pitangui.

Leonardo Morato

Turismólogo


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Feliz aniversário Edilma Aguiar!



Para desejar um feliz aniversário à professora e amiga Edilma Aguiar neste 6 de abril, recorremos a um exemplar do jornal Município de Pitangui de abril de 1978 que, à época, registrou o natalício desta conterrânea nossa. Receba os parabéns do Daqui de Pitangui, Edilma Aguiar!!!



O garimpo deste e de outros recortes do tempo foram feitos em abril de 2012 em uma pesquisa ao rico acervo do Instituto Histórico de Pitangui. O registro documental do cotidiano de hoje é uma forma eficaz de alimentar o que será história amanhã.

sábado, 1 de abril de 2017

Jazz no Nino (parte II)



Relembrando bons eventos, publicamos hoje mais um vídeo de uma noite musical no Bar do Nino em outubro de 2016. Pela qualidade e pelo astral o encontro foi definido como "Música de boutique a preços populares". Aperte o play e confira!