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domingo, 23 de abril de 2017

Vida hortelã

Fundo do quintal (imagem ilustrativa). Foto: Léo Morato


Por: Paulo Miranda.


Um provérbio bem comum pode dar boas variações. E por ene razões. Apesar dos senões.

Nossa horta no povoado do Brumado era bem pequenina - na proporção da casa, e do espaço do terreiro, já loteado para a plantação, o jardim, a criação, a circulação, e, naturalmente, as 'terras devolutas', que ficavam mais pro fundo do quintal e se disputavam por alguma plantação sazonal do milho, do quiabo, e do matagal, que, no período das chuvas - diferentemente das uvas - crescia pra diabo.

Pequenina, e frontal à porta da cozinha, não deixava contudo a hortinha de dar um trabalhão danado. Ou é só desculpa de moleque mal-criado?

É que as hortaliças eram muito delicadas, além das cobiças de que eram rodeadas: e as mais implacáveis eram as formigas. Quietinhas durante o dia, uma noite bastava, e tudo sumia. Uma praga que nem sempre com veneno se apagava. Ah, pagava!

E o sol, normal e mornalmente tão benfazejo, tinha também os seus caprichos, pois quando dava de esquentar, chegava a tudo esturricar. Chegamos a cobrir com um lençol (ou era virol?) umas mudinhas de alface, para lhes salvar ao menos o valor de face. Num era face!

Mas dava gosto também saborear-lhe as couves tenras, suculentas, arrancar-lhe uma cenoura - ainda daquele tempo de mais de meio século atrás em que além da cor, as plantinhas tinham aquele inescrutável sabor de algo natural...

E aquela vez em que a produção superou as expectativas e nos vimos todos juntos num fim de tarde a trançar alho... Pois é, dava trabalho, mas também dava alho. E pacaralho. Afinal, reproverbiando, Deus escreve perto por lindas hortas.

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